Relatório do USDA revisa projeções e confirma protagonismo brasileiro como maior produtor mundial de carne bovina, mesmo com leve ajuste na produção global
O Brasil deve continuar ocupando a posição de maior produtor mundial de carne bovina em 2026, consolidando sua liderança global mesmo diante de um cenário de ajustes na oferta mundial. A nova projeção foi divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), após revisão das estimativas globais do setor.
A atualização representa uma mudança importante em relação às previsões anteriores. No relatório de dezembro de 2025, o órgão norte-americano indicava a possibilidade de o Brasil voltar à segunda posição, sendo ultrapassado pelos Estados Unidos. No entanto, os dados mais recentes reforçam o protagonismo brasileiro no mercado internacional da proteína bovina.
Produção brasileira cresce e garante liderança
Segundo o USDA, a produção brasileira de carne bovina em 2026 está estimada em 12,370 milhões de toneladas equivalente-carcaça (tec), o que representa um aumento de 5,7% em relação à projeção anterior.
Com esse volume, o país permanece à frente dos Estados Unidos, cuja produção deve alcançar 11,741 milhões de tec no mesmo período. Apesar da liderança, o relatório aponta um leve recuo na produção brasileira na comparação anual, com queda de 1,86% em relação a 2025, quando o país atingiu 12,605 milhões de tec.
Esse ajuste, no entanto, não compromete a posição do Brasil, que segue como referência global em produção, eficiência e competitividade no setor pecuário.
Oferta global recua e redesenha o mercado
O cenário internacional para 2026 indica uma queda de 1% na produção global de carne bovina, totalizando cerca de 61,6 milhões de toneladas.
Essa retração é puxada por reduções na oferta em países-chave como:
- Brasil
- Estados Unidos
- China
- União Europeia
- Austrália
Por outro lado, mercados como Índia, México e Nova Zelândia devem registrar crescimento, o que contribui para uma reorganização do fluxo global de carne bovina.
Exportações brasileiras de carne bovina ganham força, mas cenário exige atenção
O USDA também revisou para cima as exportações brasileiras, projetando embarques de 4,275 milhões de tec em 2026, alta de 6,8% sobre a estimativa anterior.
Ainda assim, o volume deve ficar 2,4% abaixo do registrado em 2025, refletindo um ambiente global mais desafiador.
No cenário internacional, as exportações globais devem cair cerca de 1%, totalizando 13,8 milhões de toneladas, influenciadas principalmente por ajustes nos principais países exportadores.
China reduz compras e muda dinâmica do mercado
Um dos principais fatores de impacto para 2026 será a mudança no comportamento da China, maior importadora mundial de carne bovina. O país asiático deve reduzir suas importações em 13%, adotando políticas de controle como cotas tarifárias, que tendem a limitar as compras — especialmente de fornecedores como Brasil e Austrália.
Essa movimentação pode provocar uma redistribuição dos fluxos comerciais globais, abrindo espaço para outros mercados e exigindo maior estratégia dos exportadores brasileiros.
EUA aumentam importações e enfrentam restrições internas
Enquanto isso, os Estados Unidos devem ampliar suas importações em 6% em 2026, impulsionados pela demanda por carne magra.
Internamente, o país enfrenta desafios como:
- menor disponibilidade de animais para confinamento
- restrições na importação de gado do México
- perda de competitividade em mercados asiáticos
Esses fatores devem resultar em queda de 1% na produção e 8% nas exportações norte-americanas, segundo o USDA.
O que esperar do mercado da carne bovina
O novo cenário traçado pelo USDA reforça que o setor de carne bovina passa por uma fase de ajuste global, com menor oferta e mudanças nos fluxos comerciais.
Mesmo assim, o Brasil segue como peça central desse mercado, sustentado por:
- escala produtiva
- competitividade internacional
- forte presença nas exportações
A grande questão agora é como o país vai navegar em um ambiente mais restritivo, com menor demanda chinesa e maior competição global.
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