Entenda como Brasil e Índia firmam acordos que vão da agricultura ao setor de combustíveis, com investimentos de R$ 10 bi e foco em segurança alimentar e SAF
A diplomacia comercial entre Brasília e Nova Déli atingiu um novo patamar estratégico nesta semana. Durante o Fórum Empresarial Brasil-Índia, realizado na capital indiana, autoridades e líderes industriais confirmaram que Brasil e Índia firmam acordos que vão da agricultura ao setor de combustíveis, sinalizando uma abertura de mercado sem precedentes.
O evento, considerado o maior já realizado pela ApexBrasil em missões internacionais, projeta um aporte de R$ 10 bilhões em investimentos indianos no Brasil, além de parcerias tecnológicas lideradas por gigantes como Embraer e Vale.
Demanda por alimentos
A motivação por trás da intensificação das trocas bilaterais reside na demografia. De acordo com Laudemir André Müller, gerente de Agronegócios da ApexBrasil, a Índia possui hoje cerca de 300 milhões de pessoas que ascenderam socialmente, saindo da linha da pobreza. Esse fenômeno gera uma pressão direta sobre a segurança alimentar local.
Como a Índia não detém autossuficiência para suprir essa explosão de demanda, o Brasil se consolida como o parceiro ideal. A estratégia brasileira foca na exportação de excedentes produtivos para alimentar uma população que já ultrapassa 1,4 bilhão de habitantes.
Brasil e Índia firmam acordos que vão da agricultura ao setor de combustíveis com foco em pulses
No setor agrícola, o feijão é o protagonista da vez. Marcelo Lüders, presidente do Ibrafe, destaca que o Brasil está em vias de dobrar suas exportações de pulses para o país asiático. Em 2025, o volume de embarques atingiu 300 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 250 milhões.
Atualmente, o fluxo comercial concentra-se em duas variedades:
- Mungo-preto: Já possui acordo fitossanitário vigente.
- Guandu: A expectativa é que o protocolo sanitário seja anunciado em breve, permitindo a entrada massiva deste grão no mercado indiano.
O abismo comercial e a oportunidade frente à China
Embora a Índia tenha superado a China em população, o comércio bilateral com o Brasil ainda é tímido. Enquanto a troca com os chineses somou US$ 171,2 bilhões em 2025, o intercâmbio com a Índia ficou em apenas US$ 15,2 bilhões.
Para André Rocha, presidente da Fieg, essa disparidade revela um “oceano de oportunidades”. A aposta para reduzir essa distância foca na complementaridade econômica, envolvendo desde a indústria farmacêutica até a transição energética com biocombustíveis.
O futuro do SAF e do Etanol
O setor de alta tecnologia também ganha tração. A Embraer e a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) estão na vanguarda da cooperação para o Combustível Sustentável de Aviação (SAF). Francisco Gomes Neto, presidente da Embraer, revelou que a companhia pretende certificar suas aeronaves para operar com 100% de SAF até 2030.
Evandro Gussi, presidente da Unica, reforça que o etanol brasileiro será o pilar central para a descarbonização dos voos de longa distância na Índia. Paralelamente, a integração industrial já apresenta resultados práticos, como a nova fábrica da Nanoventions no Paraná, que promoverá o intercâmbio de tecnologia de ponta entre as duas nações.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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