Nova estrutura da CPEX, em São Paulo, incorpora tecnologia inspirada na indústria farmacêutica, amplia a capacidade de produção de embriões e abre caminho para avanços inéditos em clonagem, sexagem embrionária e fertilização in vitro bovina.
O Brasil acaba de dar mais um passo para consolidar sua posição como uma das maiores potências mundiais da pecuária de corte e leite. A inauguração do novo laboratório da CPEX Embriões, em Mogi Mirim (SP), marca uma nova fase da biotecnologia reprodutiva nacional e reforça o protagonismo do país na produção de embriões bovinos em larga escala.
A nova estrutura, inaugurada no último dia 27 de maio, foi projetada para operar nos mais elevados padrões de qualidade da indústria de biotecnologia, combinando capacidade produtiva, controle ambiental rigoroso e inovação tecnológica. Com potencial para produzir até 30 mil embriões por mês, o laboratório foi desenvolvido para atender uma demanda crescente por genética superior e eficiência produtiva dentro das fazendas brasileiras.
Segundo Matheus Oliveira, sócio-fundador da CPEX, o investimento acompanha uma transformação profunda do mercado de fertilização in vitro (FIV) no país.
“O volume de embriões FIV produzidos no Brasil praticamente dobrou nos últimos dez anos e acreditamos que o próximo ciclo de crescimento será ainda mais acelerado. A FIV deixou de ser uma ferramenta restrita aos projetos de melhoramento genético e passou a integrar a rotina de propriedades focadas em eficiência e alta produtividade”, afirma.
O executivo destaca que o novo laboratório foi concebido justamente para sustentar esse avanço. “Projetamos uma estrutura que combina tecnologia, controle e escalabilidade para atender o crescimento da demanda nos próximos anos sem abrir mão da qualidade dos resultados”, acrescenta. 
Tecnologia inspirada na indústria farmacêutica
Um dos diferenciais do empreendimento está no controle de ambiência. O laboratório opera com protocolos de biossegurança semelhantes aos utilizados em ambientes farmacêuticos e centros de pesquisa de alta complexidade.
As salas contam com pressão positiva e renovação constante de ar, alcançando índices superiores a 99% de pureza. Na prática, isso impede a entrada de contaminantes externos e reduz variáveis que podem comprometer o desenvolvimento embrionário.
O projeto contempla desde a logística de coleta de oócitos nas propriedades até o processamento laboratorial, criando um ambiente altamente controlado para maximizar a eficiência da produção in vitro.
Números colocam empresa entre as referências do setor
Os resultados alcançados pela CPEX ajudam a dimensionar a importância da nova estrutura. Em apenas cinco anos de operação, a empresa já coletou mais de 2 milhões de oócitos e produziu mais de 410 mil embriões.
Ao longo desse período, foram mais de 180 mil embriões transferidos e diagnosticados, com taxas médias de concepção próximas de 50%, considerando embriões frescos e congelados. Os índices posicionam a empresa entre os principais players da biotecnologia reprodutiva bovina no país.
Outro destaque está nos embriões Direct Transfer (DT), tecnologia desenvolvida pela companhia que alcançou taxas médias de concepção de 45%, superando em pelo menos dez pontos percentuais a média observada no mercado.
Primeiro setor de Andrologia comercial em laboratório de FIV bovina
A empresa também anunciou uma inovação considerada inédita em escala global. A CPEX se tornou o primeiro laboratório comercial de fertilização in vitro bovina do mundo a incorporar um setor próprio de Andrologia dentro da rotina produtiva.
O objetivo é estudar individualmente o desempenho das doses de sêmen utilizadas nos programas de FIV, ajustando protocolos específicos para cada reprodutor e aumentando as chances de fertilização.
“Queremos entender profundamente as particularidades de cada dose de sêmen e desenvolver protocolos mais adequados para cada situação. Somos uma ferramenta de aceleração genética e acreditamos que cada acasalamento importa”, explica Matheus Oliveira.
Produtores destacam resultados no campo
Durante a inauguração, importantes criadores ressaltaram os impactos da biotecnologia na evolução dos rebanhos brasileiros.
Tiago Serra, da Nelore Confiança, destacou a combinação entre qualidade técnica e agilidade nas informações fornecidas pela empresa.
“Sou a terceira geração de criadores da família e vejo na CPEX um diferencial importante pela qualidade dos dados e pelos excelentes índices de prenhez alcançados”, afirmou.
Já Tonico Grisi, da Fazenda Santa Nice, ressaltou que a fertilização in vitro se tornou uma ferramenta indispensável para multiplicar a genética dos melhores animais.
“Hoje é impossível falar em melhoramento genético sem falar em FIV. Depois de identificar os indivíduos superiores, o sucesso depende diretamente da eficiência das biotecnologias utilizadas. E a CPEX apresenta resultados extraordinários”, disse.
Evento reuniu lideranças do agronegócio e da economia
A inauguração foi celebrada durante o CPEX Open House, que reuniu mais de 300 participantes entre produtores rurais, investidores e lideranças do agronegócio.
O encontro contou com palestras de nomes como o economista Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, José Henrique Fortes Pontes, referência internacional no mercado de embriões, e Paulo Horto, proprietário da Programa Leilões, considerada a maior empresa de comercialização de bovinos da América Latina.
Além das apresentações, os convidados participaram de visitas técnicas guiadas pelas novas instalações, conhecendo de perto a estrutura que promete elevar ainda mais o padrão da produção embrionária brasileira.
Clonagem, sexagem embrionária e expansão para o Centro-Oeste
A inauguração do laboratório também marcou o anúncio de novos investimentos da companhia. Entre as novidades estão a inclusão da clonagem bovina e da sexagem embrionária no portfólio de serviços.
A empresa confirmou ainda sua expansão para regiões estratégicas do país. O primeiro laboratório regional da CPEX está sendo construído em Campo Grande (MS), um dos principais polos pecuários do Brasil. A expectativa é que a unidade entre em operação ainda em 2026.
Com os novos investimentos, a CPEX aposta no fortalecimento da biotecnologia como ferramenta essencial para aumentar a produtividade, acelerar o ganho genético e atender à crescente demanda global por carne e leite produzidos de forma mais eficiente e sustentável.
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