Brasil torna-se o principal fornecedor de soja responsável no mundo

Com safra recorde em 2025/26, país amplia protagonismo global na oferta de soja responsável e rastreável diante da pressão dos mercados internacionais; Certificação RTRS supera 10 milhões de toneladas

A certificação da Round Table on Responsible Soy (RTRS) alcançou um novo marco global em 2025 ao superar 10 milhões de toneladas de soja certificada, consolidando o Brasil como principal fornecedor mundial de soja responsável. O avanço reflete o aumento da pressão internacional por cadeias produtivas mais sustentáveis, rastreáveis e alinhadas às exigências ambientais dos principais mercados consumidores.

Segundo dados divulgados pela entidade, a produção global de soja certificada RTRS atingiu 10,3 milhões de toneladas em 2025, demonstrando o crescimento da adoção de práticas sustentáveis em larga escala dentro da cadeia agrícola mundial. Ao mesmo tempo, a demanda pelo grão certificado avançou 9,5% no período, chegando a 8,1 milhões de toneladas, puxada principalmente pelos segmentos de ração animal e indústria alimentícia.

O crescimento da certificação ocorre em um momento estratégico para o agronegócio brasileiro. O país caminha para mais uma safra histórica de soja em 2025/26. Estimativas do mercado apontam produção acima de 170 milhões de toneladas, mantendo o Brasil na posição de maior produtor e exportador mundial da oleaginosa. O complexo soja segue como principal produto do agronegócio nacional, com forte impacto sobre a balança comercial, geração de divisas e movimentação logística em diversas regiões produtoras.

Além da relevância econômica, a safra brasileira ganha cada vez mais peso nas discussões globais sobre sustentabilidade e segurança alimentar. Isso porque grande parte da soja produzida no país abastece mercados exigentes, especialmente na Europa e na Ásia, onde aumentam as cobranças relacionadas à rastreabilidade, origem e redução do desmatamento nas cadeias produtivas.

Brasil concentra 83% da produção global certificada

Dentro desse cenário, o Brasil lidera amplamente a produção de soja certificada RTRS. De acordo com a entidade, o país reúne atualmente 220 unidades certificadas e responde por 77% da área total certificada e 83% da produção global de soja RTRS.

A certificação está presente em produtores do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Índia e Uganda, enquanto a demanda segue concentrada principalmente nos mercados europeus. Holanda e Dinamarca aparecem entre os principais consumidores, impulsionados por legislações ambientais mais rigorosas e metas de rastreabilidade.

Outro fator que reforça a expansão do modelo é o fortalecimento da cadeia de custódia. Somente em 2025, a RTRS certificou 17 novas empresas e 41 novos sites, ampliando sua atuação em mercados estratégicos como Brasil, Argentina, Índia e Paraguai.

A expansão também alcançou outras culturas agrícolas. A produção de milho certificado RTRS avançou 17% no período, atingindo 5,4 milhões de toneladas, indicando diversificação e maior alcance do sistema de certificação.

Crescimento esbarra em desafios econômicos e de percepção

Apesar da evolução da certificação no campo, o setor ainda enfrenta desafios importantes relacionados à geração de valor ao longo da cadeia produtiva. Segundo o gerente de Desenvolvimento de Mercado Brasil da RTRS, Alvaro A. P. Queiroz, um dos principais entraves está na ampliação da demanda efetiva por soja certificada entre grandes compradores globais.

“A cadeia da soja é longa e complexa, e o consumidor final não percebe claramente sua presença nos produtos. Como resultado, a percepção de valor da soja certificada é baixa, limitando a captura de prêmio ao longo da cadeia”, afirma.

De acordo com Queiroz, outro obstáculo está no custo de adesão e na falta de conhecimento de parte dos produtores sobre o processo de certificação. Embora muitos agricultores brasileiros já atendam boa parte dos critérios exigidos graças à própria legislação ambiental nacional, ainda existe a percepção de que a certificação é excessivamente complexa.

“Além disso, muitos ainda enxergam a certificação como um processo complexo, quando, na prática, boa parte dos produtores brasileiros já cumpre diversos critérios exigidos, graças à legislação nacional”, explica.

Por outro lado, a RTRS avalia que existem oportunidades relevantes de crescimento em novos mercados, especialmente no Sudeste Asiático e em segmentos como a aquacultura. A entidade também vê potencial na utilização da certificação como ferramenta para atender novas exigências ligadas à pegada de carbono e rastreabilidade.

“Mas isso requer investimento e, principalmente, uma melhor distribuição de valor ao longo da cadeia”, destaca Queiroz.

Certificação deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos

A expectativa da RTRS é ampliar a escala da certificação nos próximos anos e fortalecer sua proposta de valor junto ao mercado internacional. A entidade destaca que a certificação vai além das questões ambientais e inclui aspectos ligados às condições de trabalho, relacionamento com comunidades e boas práticas agrícolas.

“É importante que os mercados compreendam o que é a certificação e como ela contribui para uma cadeia mais responsável. Ela vai além do combate ao desmatamento, abrangendo também condições de trabalho, relacionamento com comunidades e boas práticas agrícolas”, finaliza Queiroz.

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