Cacau Show quer R$ 20 bilhões: de chocolate a resorts, parque bilionário e fazendas próprias

A aposta da empresa Cacau Show inclui turismo, entretenimento e verticalização do cacau enquanto rede de mais de 4,7 mil lojas sustenta o crescimento.

A Cacau Show deixou de ser apenas uma fabricante de chocolates para se transformar em uma das companhias mais ambiciosas do varejo brasileiro. Sob o comando do fundador e CEO Alexandre Costa, o grupo avança na construção de um verdadeiro “ecossistema” que integra indústria, varejo, turismo, entretenimento e até produção agrícola — uma estratégia que mira R$ 20 bilhões em vendas ao consumidor final até 2030.

O movimento marca uma mudança estrutural no modelo de negócios da empresa, que hoje busca capturar valor não apenas no produto, mas na experiência completa do consumidor — da origem do cacau ao consumo em parques e resorts temáticos.

Fundada em 1988, a empresa construiu sua força por meio de um modelo baseado em franquias — atualmente com mais de 4,7 mil lojas no Brasil, sendo a grande maioria operada por franqueados. Esse formato foi essencial para consolidar a marca nacionalmente e sustentar o crescimento ao longo das últimas décadas.

Agora, o plano é dar um salto além do varejo tradicional. Segundo o próprio CEO, a companhia já não se define apenas como uma indústria de chocolates, mas como um ecossistema integrado de experiências.

Essa mudança se reflete diretamente nos investimentos recentes, que incluem hotéis, parques temáticos e expansão da cadeia produtiva do cacau.

Um dos pilares dessa nova fase é a aposta no turismo e no entretenimento. A empresa já opera dois resorts sob a marca Bendito Cacao, localizados em Campos do Jordão e Águas de Lindóia, ampliando sua presença no setor de hospitalidade.

Projeto Cacau Park em Itu em São Paulo. Foto: Divulgação

Mas o projeto mais ambicioso está em Itu (SP): o Cacau Park, um parque temático com investimento estimado em cerca de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões, que promete se tornar um dos maiores da América Latina.

O complexo deve reunir dezenas de atrações, hotéis, áreas temáticas e experiências imersivas ligadas ao universo do chocolate, com potencial para receber milhões de visitantes por ano e movimentar bilhões na economia regional.

Entre os destaques estão montanhas-russas de grande porte, fábrica de chocolate interativa e espaços temáticos que conectam lazer e consumo — reforçando a estratégia de transformar a marca em destino turístico.

Apesar da relevância desses projetos, hotéis e parques ainda representam menos de 5% da receita atual, mas a expectativa é que esse peso cresça significativamente nos próximos anos.

Ao mesmo tempo em que investe pesado em expansão, a empresa enfrenta desafios relevantes no curto prazo. A disparada do preço do cacau no mercado internacional — que saltou de cerca de US$ 3 mil para próximo de US$ 12 mil por tonelada — impactou diretamente a rentabilidade do negócio.

O insumo representa entre 40% e 50% do custo dos produtos, o que levou a empresa a absorver parte da alta para não repassar integralmente aos franqueados — uma decisão que preserva a rede, mas pressiona margens.

Ale costa fundador da Cacau Show na Fazenda Dedo de Deus, da Cacau Show, no Espírito Santo. Foto: Divulgação/ Cacau Show

Além disso, contratos futuros de compra de cacau podem retardar os efeitos positivos de eventuais quedas recentes nos preços, mantendo o custo elevado no curto prazo.

Outro eixo estratégico é o avanço no controle da cadeia produtiva. A empresa já possui operação própria na Fazenda Dedo de Deus, no Espírito Santo, com cerca de 50 mil pés de cacau e produção anual de aproximadamente 85 toneladas — ainda uma fração da demanda total.

O plano, porém, é muito mais ambicioso: produzir internamente todo o cacau consumido pela companhia no futuro. Para isso, a Cacau Show avalia a aquisição de novas áreas e o desenvolvimento de modelos mais produtivos, com mecanização e ganho de escala.

Hoje, a maior parte da matéria-prima ainda vem de fornecedores nacionais e internacionais, especialmente da África Ocidental — principal polo global de produção.

A empresa produziu cerca de 40 mil toneladas de chocolate em 2025 e projeta crescimento de aproximadamente 14% no volume neste ano.

Em termos financeiros, o grupo já movimenta cerca de:

  • R$ 5 bilhões no sell-in (vendas para franqueados e lojas)
  • R$ 9 bilhões no sell-out (vendas ao consumidor final)

A meta é ambiciosa: atingir R$ 10 bilhões no sell-in e R$ 20 bilhões no sell-out até 2030, praticamente dobrando o tamanho do negócio.

Boa parte dessa performance ainda está concentrada em datas sazonais, como a Páscoa — período estratégico em que a empresa produz dezenas de milhões de ovos e intensifica vendas com linhas premium e produtos licenciados.

Fantástica fábrica da Cacau Show em São Paulo. Foto: Esse mundo é nosso

Mesmo com a expansão para novas áreas, a empresa mantém o chocolate como elemento central da estratégia. Hotéis, parques e produtos seguem conectados por um mesmo conceito: ampliar a experiência do consumidor em torno do cacau.

A companhia também ensaia passos no mercado internacional, com presença inicial nos Estados Unidos e na Colômbia, embora o foco principal ainda seja o Brasil.

O plano da Cacau Show revela uma tendência cada vez mais clara no varejo moderno: marcas que deixam de vender apenas produtos e passam a oferecer experiências completas.

Se a estratégia se confirmar, a empresa pode se consolidar não apenas como líder no segmento de chocolates, mas como um dos principais grupos de consumo e entretenimento do país — unindo indústria, agro, turismo e lifestyle em um único ecossistema.

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