Café: Minas Gerais e República Tcheca estudam cooperação em tecnologia espacial

Minas Gerais e República Tcheca firmam parceria para usar tecnologia espacial no café. O foco é inteligência geoespacial, sustentabilidade e gestão climática

A cafeicultura mineira, pilar econômico do estado, está na mira de inovações globais que prometem elevar o patamar de precisão no campo. Em um encontro estratégico realizado na sede da Emater-MG, em Belo Horizonte, representantes do governo mineiro e uma missão diplomática europeia avaliaram a implementação de tecnologia espacial no café.

O objetivo é integrar inteligência de dados geoespaciais para robustecer o planejamento territorial e garantir uma produção cada vez mais sustentável.

Inovação internacional: A tecnologia espacial no café e a Plataforma Comunidade

A iniciativa surge através da colaboração com a Universidade Tcheca de Ciências da Vida (CZU), que apresentou a Plataforma Comunidade. Segundo Pavla Havrlikova, embaixadora da República Tcheca no Brasil, a expertise tcheca em projetos científicos na América Latina pode ser o diferencial para o desenvolvimento sustentável das lavouras mineiras. A proposta de utilizar a tecnologia espacial no café foca na integração de dados de satélite para subsidiar decisões críticas sobre gestão de recursos hídricos e mitigação de impactos climáticos.

De acordo com João Ricardo Albanez, secretário-adjunto de Agricultura de Minas Gerais, a solução tcheca chega para auxiliar no combate a gargalos históricos. O uso de imagens orbitais e dados terrestres permitirá que instituições e produtores monitorem, com precisão cirúrgica, ameaças como a erosão do solo, o estresse hídrico e a propagação de doenças nas plantações.

Monitoramento geoespacial e a sustentabilidade mineira

Minas Gerais já possui uma base tecnológica avançada que servirá de suporte para a nova cooperação. A Emater-MG destacou seu mapeamento do parque cafeeiro, um trabalho de fôlego iniciado em 2016 que cobre 460 municípios produtores. Esse banco de dados, validado em campo e processado via geoportais, é essencial para aprimorar as estimativas de safra e identificar a origem de cafés especiais.

Somado a isso, o estado conta com a plataforma Selo Verde MG, fruto de uma parceria com a UFMG. Os indicadores atuais são um trunfo para a exportação: mais de 90% das fazendas de café em Minas Gerais operam sem qualquer vínculo com o desmatamento. A incorporação de novas camadas de tecnologia espacial no café deve refinar ainda mais essa rastreabilidade ambiental, fortalecendo a confiança do mercado externo.

Próximos passos: Grupo de Trabalho e implementação

Ao fim da missão, Gélson Soares Lemes, diretor técnico da Emater-MG, confirmou a criação de um grupo de trabalho técnico. Este comitê será responsável por formatar a entrada definitiva das metodologias tchecas no cotidiano rural mineiro. O foco principal será adaptar as ferramentas da Plataforma Comunidade para aumentar a resiliência das lavouras frente às mudanças climáticas, garantindo que a tecnologia de ponta chegue, de fato, à ponta da cadeia produtiva.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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