Caiado ou Flávio Bolsonaro: quem tem mais força no agro na corrida presidencial de 2026?

Com histórico no campo e base política consolidada, Caiado ganha tração; já Flávio aposta no legado bolsonarista e articulações para conquistar o setor na corrida presidencial de 2026

A corrida presidencial de 2026 começou a ganhar novos contornos dentro de um dos setores mais influentes da economia brasileira: o agronegócio. A entrada de Ronaldo Caiado no tabuleiro eleitoral mudou o equilíbrio de forças e trouxe um novo cenário para lideranças rurais, que agora evitam antecipar apoio entre ele e o senador Flávio Bolsonaro.

O agro, que tradicionalmente busca previsibilidade, segurança jurídica e políticas consistentes de longo prazo, passou a adotar uma postura mais estratégica: observar, negociar e só então decidir. Esse movimento reflete não apenas a força política dos candidatos, mas também o peso das agendas que cada um pode entregar ao setor.

Caiado: histórico, gestão e identificação com o campo

A principal vantagem de Ronaldo Caiado está na sua conexão histórica com o agronegócio. Médico e pecuarista, ele construiu sua trajetória política com forte atuação em defesa dos produtores rurais e foi um dos fundadores da União Democrática Ruralista (UDR), símbolo da organização do setor desde os anos 1980.

Durante sua gestão em Goiás, medidas concretas reforçaram essa proximidade. Entre elas, destacam-se:

  • Crescimento de 23% nas exportações de grãos em 2025, segundo dados do Ministério da Agricultura
  • Extinção de taxas estaduais criticadas pelo setor, como a contribuição ao fundo de infraestrutura rural
  • Investimentos em logística e escoamento da produção, considerados gargalos históricos do agro
  • Revisão de multas aplicadas a pecuaristas em operações comerciais

Esse conjunto de ações ajudou a consolidar a imagem de Caiado como um gestor alinhado às demandas do campo, o que explica a rápida receptividade de parte das lideranças rurais à sua candidatura.

Flávio Bolsonaro: herança política e estratégia de aproximação

Do outro lado, Flávio Bolsonaro entra na disputa com um ativo relevante: o capital político herdado do bolsonarismo, que teve forte apoio do agronegócio desde 2018.

A estratégia inicial de sua pré-campanha era clara:
consolidar rapidamente o apoio do setor, começando por lideranças da bancada ruralista e avançando para entidades representativas.

No entanto, esse movimento perdeu ritmo com a entrada de Caiado. Lideranças passaram a adotar cautela, evitando declarações públicas e preferindo manter diálogo com ambos os lados.

Ainda assim, Flávio mantém pontos de apoio importantes:

  • Alinhamento ideológico com grande parte do setor
  • Proximidade com lideranças políticas influentes
  • Possibilidade de composição com nomes fortes do agro, como Tereza Cristina

Essa última, inclusive, surge como peça-chave. Uma eventual chapa com a ex-ministra da Agricultura poderia reduzir resistências e acelerar a adesão do agro, funcionando como ponte entre o setor e a candidatura.

O agro não escolheu — e isso é estratégico

Apesar das movimentações, o cenário atual indica que o agronegócio não deve fechar apoio antecipado a nenhum candidato, seja Caiado ou Flávio Bolsonaro.

Segundo lideranças do setor, a tendência é de divisão no primeiro turno, com o agro atuando de forma pragmática:

  • Manter canais abertos com diferentes candidaturas
  • Apresentar uma pauta comum com demandas estruturais
  • Ganhar poder de negociação na reta final da eleição

Entre as principais exigências do setor estão:

  • Segurança jurídica no campo
  • Previsibilidade no Plano Safra
  • Ampliação do seguro rural
  • Soluções para gargalos logísticos e de armazenagem

Esse posicionamento mostra que o agro deixou de ser apenas um bloco ideológico e passou a atuar como um agente político altamente estratégico e orientado por resultados.

Análise: quem larga na frente?

Do ponto de vista técnico e político, o cenário entre Caiado ou Flávio Bolsonaro pode ser resumido em três pontos:

1. Caiado tem vantagem em identidade e entrega
Seu histórico direto com o setor e resultados concretos em Goiás o colocam como um nome naturalmente competitivo dentro do agro.

2. Flávio tem força política, mas precisa converter em confiança
A ligação com o bolsonarismo é um ativo, mas não garante adesão automática — especialmente diante de um concorrente com credenciais mais técnicas no setor.

3. O agro será decisivo — mas não será previsível
O setor deve atuar como fiel da balança, mas só deve definir apoio mais próximo da eleição, buscando maximizar ganhos políticos e econômicos.

Caiado ou Flávio Bolsonaro: O que esperar daqui para frente

A tendência é de uma disputa intensa pela narrativa dentro do agronegócio. Enquanto Caiado deve reforçar sua imagem como “homem do campo”, Flávio Bolsonaro precisará construir pontes mais sólidas e apresentar propostas concretas para competir em igualdade.

No fim, mais do que nomes, o que estará em jogo é quem consegue responder melhor à pergunta que realmente importa ao produtor rural: quem entrega segurança, previsibilidade e rentabilidade no longo prazo?

E, neste momento, a resposta ainda está em aberto.

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