Consumida há séculos no Oriente Médio, a carne de camelo voltou aos holofotes após Virginia, ex-namorada de Vini Jr. – jogador brasileiro convocado para a Copa do Mundo de 2026, experimentar o prato nos Emirados Árabes; setor movimenta bilhões com carne, leite e exportações.
A carne de camelo, considerada uma das iguarias mais tradicionais da cultura árabe, voltou ao centro das atenções depois que a influenciadora Virginia Fonseca revelou ter experimentado o prato durante uma viagem aos Emirados Árabes Unidos. O episódio rapidamente viralizou nas redes sociais após ela descobrir que um camelo inteiro pode custar cerca de 150 mil dirham — algo em torno de R$ 206 mil na cotação atual.
Durante a refeição, Virginia provou carne de camelo servida com arroz típico da culinária árabe e descreveu o sabor como semelhante a uma costela bem temperada. “É uma costela com o tempero deles”, comentou. Em tom descontraído, brincou sobre o valor do animal: “Ele desceu o camelo para nós. Vamos comer”.
Apesar da surpresa de muitos brasileiros, a carne de camelo é extremamente valorizada em diversos países do Oriente Médio e da África. Em nações como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, ela faz parte da tradição culinária há séculos e aparece frequentemente em casamentos, celebrações religiosas e grandes eventos familiares.
Mais do que uma curiosidade exótica, o consumo dessa proteína faz parte de uma cadeia econômica bilionária que envolve produção de carne, leite, couro e exportações internacionais.
Especialistas e consumidores costumam descrever a carne de camelo como uma mistura entre carne bovina e cordeiro, porém com características próprias.
O sabor é mais rústico, levemente adocicado e terroso, principalmente quando combinado com especiarias típicas da culinária árabe, como cardamomo, canela, cominho e açafrão.
Já a textura costuma ser mais fibrosa e consistente, exigindo preparo lento para atingir maciez ideal. Por isso, ensopados e cozidos longos são as formas mais tradicionais de consumo.

Entre as principais características da carne estão:
- Textura densa e fibrosa, especialmente em animais mais velhos;
- Baixo teor de gordura em comparação à carne bovina;
- Alto valor proteico;
- Sabor intenso e marcante;
- Melhor rendimento em preparos de longa cocção.
Os cortes mais valorizados normalmente vêm de animais jovens, cuja carne é considerada mais macia, semelhante à vitela. Já a corcova do camelo é considerada uma verdadeira iguaria premium em muitos países árabes por concentrar gordura e sabor.
A criação de camelos deixou de ser apenas tradição nômade e se transformou em uma poderosa indústria agropecuária em regiões desérticas.
Hoje, países do Oriente Médio lideram a produção mundial de carne e leite de camelo, com destaque para Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e partes do norte da África.
Os Emirados abrigam algumas das maiores fazendas de camelos do mundo, especialmente em Dubai, onde milhares de animais são criados para abastecer o mercado de carne, leite, cosméticos e até suplementos alimentares.
Além do consumo interno, o setor vem crescendo com foco em exportações e produtos premium, impulsionado pela demanda por proteínas consideradas mais sustentáveis e saudáveis.
A valorização da proteína também está ligada à cultura halal, extremamente importante nos países islâmicos. O Oriente Médio se consolidou como um dos mercados mais estratégicos do planeta para proteínas animais. Em 2025, por exemplo, o Brasil exportou cerca de 1,5 milhão de toneladas de proteínas para países da região, movimentando aproximadamente US$ 3,2 bilhões.

Embora o consumo seja associado ao Oriente Médio, um dos maiores protagonistas globais do setor hoje é a Austrália.
O país possui a maior população de camelos asselvajados do planeta. Os animais foram introduzidos no século XIX para auxiliar no transporte em regiões desérticas e acabaram se multiplicando no interior australiano.
Estimativas apontam que a Austrália já chegou a ter mais de 1 milhão de camelos ferais espalhados pelo outback. Atualmente, o governo australiano utiliza programas de manejo populacional que incluem exportação de carne, leite e derivados.
Grande parte dessa carne é exportada justamente para mercados do Oriente Médio e comunidades islâmicas espalhadas pelo mundo.
Além do aspecto econômico, pesquisadores e produtores defendem que a criação de camelos pode representar uma alternativa mais sustentável em regiões áridas, já que os animais consomem menos água e suportam temperaturas extremas com maior eficiência do que bovinos convencionais.
Um dos fatores que impulsionam o crescimento do setor é justamente o posicionamento da carne de camelo como proteína premium saudável.
Ela é frequentemente promovida por possuir:
- Menor teor de gordura;
- Baixos níveis de colesterol;
- Alto teor de ferro;
- Elevada concentração de proteínas;
- Boa adaptação a sistemas de produção em regiões áridas.
Em mercados ocidentais, restaurantes especializados vêm apostando em hambúrgueres, kebabs e pratos gourmet feitos com carne de camelo como alternativa exótica e sofisticada.
Nos Emirados Árabes, o hambúrguer de camelo já é uma atração gastronômica bastante procurada por turistas.
Em muitos países árabes, o camelo vai muito além da alimentação. O animal representa riqueza, tradição e status social.
Historicamente, possuir grandes rebanhos de camelos era sinal de prestígio entre famílias beduínas. Ainda hoje, os melhores exemplares podem atingir cifras milionárias em leilões e competições de beleza animal realizadas no Golfo Pérsico.
Na culinária, servir carne de camelo em ocasiões especiais é considerado símbolo de hospitalidade e respeito aos convidados.
Por isso, não é incomum que pratos preparados com o animal sejam reservados para festas luxuosas, celebrações religiosas ou grandes recepções familiares.
O episódio envolvendo Virginia acabou despertando a curiosidade de muitos brasileiros justamente por mostrar um costume pouco conhecido no Ocidente, mas profundamente enraizado na cultura do Oriente Médio.
Enquanto no Brasil a carne bovina domina a mesa, em partes do deserto árabe o camelo continua sendo um dos maiores símbolos gastronômicos e culturais da região.
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