Central projeta recorde histórico na produção de sêmen bovino

Com demanda crescente por genética de alta fertilidade, a central espera superar a meta anual, apoiada por movimentos de mercado como a expansão de touros importados, programas beef-on-dairy e exportação de gado vivo

A confiança junto aos principais mercados de inseminação artificial do País, reflexo de uma década de prestação de serviços, colocou a Seleon Biotecnologia em posição privilegiada para o ano de 2026. Após registrar crescimento superior a 21% no volume produzido em 2025, em comparação a 2024, a companhia alcançou 17% de market share de todo o sêmen produzido no Brasil, consolidando-se como uma das maiores Centrais de Coleta e Processamento de Sêmen (CCPS) na América Latina.

A companhia espera superar o recorde histórico registrado em 2021, impulsionada por quatro frentes estratégicas que vêm remodelando a pecuária brasileira: a valorização no mercado de reposição, a importação de genética de animais taurinos puros, a expansão acelerada dos programas de beef-on-dairy e o aumento das exportações de gado em pé.

Atualmente, aloja mais de 120 touros importados, voltados para atender aos mais exigentes programas de produção de leite e carne. A adoção dos mais altos protocolos de qualidade, baseados no rigoroso tripé motilidade, cinética e linearidade espermática, levou a empresa, localizada em Itatinga (SP), a ampliar sua capacidade produtiva de forma consistente.

central de genetica - seleon biotecnologia
Foto: Divulgação

A expectativa é superar em 50% a meta de produção estipulada para este ano, impulsionada por investimentos de R$ 2 milhões em infraestrutura, tecnologia e bem-estar animal.

O otimismo encontra respaldo em números expressivos. Em 2025, o grande destaque entre as coletas foi a raça Angus, que apresentou crescimento de 105%, em relação a 2024. Só na Seleon foram produzidas mais de um milhão de doses da raça, impulsionadas, principalmente, pelos programas de beef-on-dairy, sistema que utiliza genética de corte em rebanhos leiteiros para produção de carne de qualidade, e pelos embarques de “boi em pé” para o exterior, além da valorização nos preços de reposição.

Brasil ganha primeira central de coleta e processamento de sêmen equino

Paralelamente, o sêmen da raça holandesa registrou crescimento de 87% no volume produzido, conferindo à Seleon, aproximadamente, um terço de todo o share da raça no Brasil. A holandesa, que domina a atividade leiteira mundial, vem ganhando protagonismo devido às provas genômicas de altíssima acurácia e aos ganhos relevantes de produtividade. “O Brasil atravessa um processo consistente de profissionalização da produção leiteira, com foco crescente em eficiência, previsibilidade e confiabilidade, atributos fortemente associados à genética holandesa”, entende Bruno Grubisich, CEO da Seleon.

Foto: Seleon Biotecnologia

Estrutura

Segundo Grubisich, enquanto o mercado adota uma postura conservadora, de contenção de despesas, a Seleon  optou por intensificar os aportes em infraestrutura e tecnologia. Concluiu um pacote de melhorias que compreende a aquisição de uma envasadora de sêmen de última geração, a Isevo, fabricada pela francesa IMV, e um contador celular que assegura a precisão de 25 milhões de espermatozoides por palheta — índice considerado ideal para um alto poder fertilizante.

O diretor executivo Rafael Zonzini explica que a modernização também alcançou o quarentenário, agora equipado com baias adaptáveis, monitoramento por câmeras 24 horas e sistema de climatização com aspersão e ventilação forçada. “Lidamos com animais de altíssima qualidade genética. Temperaturas extremas não só geram desconforto, mas podem comprometer a qualidade do material genético. Investimentos em bem-estar e monitoramento de precisão são fundamentais”, destaca.

Foram plantados cerca de 96 hectares de milho para silagem, quantidade suficiente para produzir quatro mil toneladas, investindo também em equipamentos para nutrição balanceada, garantindo estabilidade nutricional aos reprodutores.

Recorde de animais avaliados

A Seleon presta serviço às principais centrais de genética com operações no país, como a Select Sires, Accelerated Genetics, Sexing Technologies, Cogent, Genex e Alta Genetics, abrigando a maioria dos touros líderes de sumários, cerca de 450 no total. A acurácia genética proporcionada pelos programas, somada à fertilidade comprovada do sêmen produzido em Itatinga, tem ampliado a adoção da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), biotecnologia que revolucionou a reprodução bovina e cresceu 250 vezes nas últimas duas décadas.

O cenário para 2026 reforça essa tendência. A expectativa de aumento nos preços da reposição de corte e a maior demanda por carnes de qualidade devem pressionar positivamente o uso da inseminação artificial, exigindo maior volume de produção de sêmen para atender ao mercado. No leite, o movimento também é estrutural. O setor vem se organizando para melhor aproveitar as supersafras de grãos, estruturando projetos intensificados e tecnificados que ampliam a adoção de biotecnologias reprodutivas.

Trata-se de um caminho sem volta: novos programas de produção em escala industrial vêm se consolidando no Brasil, elevando o padrão de exigência genética. De acordo com Zonzini, a Seleon nunca registrou recall de sêmen em toda a sua história, diferencial que permite manter a longevidade dos touros.

A médica-veterinária e responsável técnica da Seleon Biotecnologia, Carla Patrícia Teodoro de Sampaio, atribui essa consistência ao rigoroso protocolo de liberação de partidas, baseado no tripé da qualidade: cinética, motilidade e linearidade espermática avaliadas por análises computadorizadas.

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