China abre mercado — e megaembarque de 62 mil t inaugura nova fronteira bilionária para o agro brasileiro

Megaembarque de 62 mil toneladas inaugura as exportações brasileiras de DDGS para a China e pode abrir uma nova fronteira bilionária para o etanol de milho e o agronegócio.

O agronegócio brasileiro acaba de registrar um movimento que pode redefinir o posicionamento do país no comércio internacional de insumos para alimentação animal. O Brasil vai inaugurar uma nova frente de exportação ligada à cadeia do etanol de milho com o envio do primeiro carregamento de DDGS (grãos secos de destilaria) para a China — um passo considerado estratégico diante da crescente demanda global por ingredientes de alto valor nutricional.

A operação será realizada pela Inpasa, maior produtora de biocombustível da América Latina, que programou para o dia 8 o embarque inicial de 62 mil toneladas com destino ao país asiático, a partir do porto de Imbituba (SC). Trata-se do primeiro negócio efetivado após a abertura oficial do mercado chinês ao DDG brasileiro, autorizada por Pequim em 2025 — um marco que cria novas oportunidades comerciais para o setor.

Nova rota de exportação fortalece o etanol de milho

O DDGS é um coproduto gerado durante a fabricação do etanol. No processo industrial, o amido do milho é convertido em combustível, enquanto os componentes restantes originam um ingrediente de alto valor nutricional utilizado na alimentação de bovinos, suínos e aves.

Além de elevar o aproveitamento do grão, o produto reforça a lógica da bioeconomia ao agregar valor a um subproduto e ampliar a sustentabilidade da cadeia produtiva — um fator cada vez mais observado pelos mercados importadores.

Exportação de DDGS para a China: Negócios já avançam e demanda chinesa impressiona

A abertura do mercado não ficou apenas no campo das intenções. A companhia já possui cerca de 250 mil toneladas negociadas com a China, que poderá importar até 1,5 milhão de toneladas de DDG ainda em 2026, segundo estimativas da própria empresa.

Os embarques também funcionam como uma validação da qualidade brasileira no cenário internacional, fortalecendo a credibilidade do produto e abrindo portas para novos compradores.

A expectativa do setor é que a China rapidamente ganhe protagonismo nas compras externas, podendo responder por uma fatia relevante das exportações brasileiras do insumo.

Brasil entra em mercado antes dominado pelos Estados Unidos

Até então, 99,6% das importações chinesas de DDG/DDGS eram provenientes dos Estados Unidos, movimentando aproximadamente US$ 65 milhões em 2024.

Com a habilitação do Brasil como fornecedor autorizado, o país asiático passa a contar com uma alternativa estratégica para abastecer sua demanda interna por ração animal — especialmente relevante para a suinocultura, já que a China é a maior produtora e consumidora de carne suína do mundo e depende fortemente de insumos como milho e farelo de soja.

A inclusão do DDG na formulação das dietas é vista como reforço importante para a segurança alimentar chinesa.

Produção robusta e potencial de expansão

Para a temporada 2025/2026, a expectativa é que a produção nacional de DDGS alcance 4,8 milhões de toneladas, enquanto a Inpasa projeta capacidade de 3,3 milhões de toneladas destinadas ao mercado interno e à exportação para 12 países.

Hoje, a empresa já exporta regularmente para Nova Zelândia, Espanha, Turquia e Vietnã, além de realizar embarques esporádicos para Arábia Saudita, Indonésia e Tailândia — um indicativo do avanço do produto brasileiro no comércio global.

Qualidade e controle entram no radar dos importadores

De olho na expansão comercial, a companhia deve inaugurar ainda este ano seu primeiro laboratório próprio para análise de DDGS, estrutura voltada a atender exigências rigorosas — principalmente do mercado europeu.

Além disso, todos os embarques passam por monitoramento de qualidade desde a saída das usinas, com controle completo dos caminhões independentemente do destino.

Exportação de DDGS para a China: Virada estratégica para o agro brasileiro

A recente habilitação de 10 usinas brasileiras para exportar DDG à China marca uma transformação relevante para o etanol de milho no país e reforça o papel do coproduto dentro da economia circular.

Na prática, o primeiro megaembarque simboliza mais do que uma nova rota logística — ele representa a consolidação do Brasil como fornecedor competitivo de ingredientes para nutrição animal em escala global.

A exportação de DDGS para a China, traz cenário de que: Se o apetite chinês se confirmar, o DDGS tem potencial para se tornar um dos novos vetores de crescimento do agronegócio, conectando energia, proteína e comércio internacional em uma cadeia cada vez mais estratégica para o futuro do setor.

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