China já atingiu 50% da cota da carne bovina brasileira; como isso afeta a arroba?

Carne bovina comprada e processada em maio já pode chegar à China sob tarifa extra de 55%, já que o transporte e desembarque levam entre 45 e 50 dias; mesmo com o alerta, arroba do boi ainda se sustenta na casa dos R$ 360

O mercado do boi gordo entrou em maio com um sinal de alerta ligado diretamente à China. Com a cota de importação da carne bovina brasileira avançando rapidamente, parte da carne comprada pelos frigoríficos neste mês já corre o risco de chegar ao país asiático sob cobrança adicional de 55%, dependendo do tempo de processamento, embarque e viagem até o destino final.

A avaliação é de Felipe Fabbri, coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, que destaca que o percurso da carne até a China pode levar de 45 a 50 dias. Isso significa que o boi comprado agora, abatido, embalado e colocado em contêineres, pode chegar ao mercado chinês em um momento de maior risco tarifário.

O ponto central é que o governo chinês informou, no domingo (10), que as importações de carne bovina brasileira já atingiram 50% da quantidade estipulada dentro da cota de 1,1 milhão de toneladas. Na prática, o avanço da cota tende a deixar importadores mais cautelosos, reduzindo o ritmo de compras antes que a sobretaxa passe a pesar sobre os embarques.

Segundo Fabbri, a demanda chinesa segue importante, mas o comprador já aparece mais desacelerado diante do risco de preenchimento da cota. Esse movimento ocorre justamente em um mês que, historicamente, costuma ser negativo para a arroba. Desde 2003, maio registrou alta mensal do boi gordo em apenas dois anos, 2004 e 2006.

Além da China, o mercado interno também pesa. A carne bovina atingiu patamares elevados ao longo da cadeia e perdeu competitividade frente a proteínas concorrentes, especialmente o frango e o suíno. No atacado, o dianteiro foi cotado a R$ 23/kg, com queda de 2,13%, enquanto os cortes do traseiro ficaram em R$ 28/kg, recuo de 1,75%.

Na praça paulista, a Scot apontou o boi gordo comum a R$ 355/@, enquanto o boi-China ficou cotado a R$ 360/@. A expectativa da consultoria é de preços mais frouxos no curto prazo, com possibilidade de a arroba trabalhar entre R$ 340 e R$ 345 em São Paulo ao longo de maio.

Apesar da pressão, as exportações seguem fortes. Em abril, os embarques de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada renderam US$ 1,572 bilhão, com 251,944 mil toneladas exportadas, segundo dados da Secex citados no levantamento. Em relação a abril de 2025, houve alta de 29,4% no valor médio diário exportado.

O que esperar agora?

O mercado deve seguir dividido entre dois movimentos: de um lado, a China ainda sustenta parte importante da demanda externa; de outro, o avanço da cota e o risco da tarifa de 55% reduzem o apetite dos compradores. No curto prazo, a tendência é de maior pressão sobre a arroba, principalmente se a oferta de boiadas aumentar com a piora das pastagens no outono.

Ainda assim, não se trata de uma crise instalada. O cenário é de ajuste típico de maio, com frigoríficos tentando alongar escalas e testar preços menores, enquanto o pecuarista observa até onde a demanda externa e o consumo doméstico conseguem sustentar os valores.

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