China pode mudar o jogo do boi gordo e mercado reage com disparada na Bolsa

Rumores de flexibilização das salvaguardas chinesas durante a SIAL Xangai animam exportadores, elevam contratos futuros do boi gordo e reacendem expectativa de valorização da arroba no Brasil

O mercado do boi gordo voltou a ganhar força nesta terça-feira (19) após um novo fator internacional movimentar as negociações e mudar o humor do setor pecuário brasileiro. Em meio a um cenário que vinha sendo marcado por pressão de oferta, escalas de abate mais confortáveis e consumo doméstico enfraquecido, a possibilidade de flexibilização das salvaguardas impostas pela China trouxe um novo componente de sustentação para a arroba.

Os rumores ganharam força durante a realização da SIAL Xangai, considerada a maior feira de alimentos do mundo, onde representantes do setor frigorífico brasileiro e membros do governo federal participam de negociações diretas com autoridades chinesas. A expectativa é que o Brasil consiga acessar parte das cotas de importação que não forem preenchidas por outros países, ampliando o espaço da carne bovina brasileira no maior mercado consumidor do mundo.

Fontes presentes no evento demonstram otimismo e indicam que um possível anúncio pode acontecer já amanhã, último dia da feira. O mercado financeiro reagiu imediatamente.

Os contratos futuros do boi gordo com vencimento em maio, junho e julho avançaram mais de 2% na Bolsa, refletindo a expectativa de aumento da demanda chinesa e melhora no fluxo das exportações brasileiras.

Segundo informações do mercado, os Estados Unidos, por exemplo, possuem uma cota de 164 mil toneladas junto aos chineses, mas exportaram apenas 540 toneladas até o momento, abrindo espaço para redistribuição entre outros fornecedores.

Esse movimento reforça a percepção de que o Brasil poderá ampliar significativamente sua participação nas compras chinesas caso as tratativas avancem positivamente.

Mesmo diante da pressão sazonal típica de maio, o mercado físico já começou a apresentar sinais de recuperação. De acordo com Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, o setor segue atento às decisões da China, além dos movimentos dos Estados Unidos e da União Europeia em relação às importações de carne bovina.

Mercado físico do boi gordo ainda enfrenta pressão das escalas

Apesar do novo fator externo trazer otimismo, o mercado físico ainda convive com uma realidade de maior oferta de animais terminados e frigoríficos menos agressivos nas compras.

A Scot Consultoria aponta que boa parte das indústrias permaneceu fora das negociações nesta terça-feira, avaliando o posicionamento do mercado diante das escalas de abate mais confortáveis.

Segundo levantamento da Agrifatto, os frigoríficos seguem operando com cerca de nove dias de escala média nacional, o que reduz a urgência na compra de gado terminado.

Ainda assim, a possibilidade de maior demanda chinesa pode alterar rapidamente essa dinâmica, principalmente nas praças com maior vocação exportadora.

Em São Paulo, o boi gordo comum foi cotado entre R$ 348/@ e R$ 350/@, enquanto o chamado “boi-China” alcançou valores entre R$ 353/@ e R$ 355/@, conforme dados de Scot Consultoria e Agrifatto.

Já os preços médios divulgados pela Safras & Mercado apontaram:

  • São Paulo: R$ 344,58/@
  • Goiás: R$ 327,68/@
  • Minas Gerais: R$ 325,59/@
  • Mato Grosso do Sul: R$ 346,48/@
  • Mato Grosso: R$ 351,55/@

China volta ao centro das atenções do agro brasileiro

A China segue sendo o principal motor das exportações brasileiras de carne bovina e qualquer sinal de flexibilização comercial costuma provocar reação imediata no mercado.

Nos bastidores da SIAL Xangai, cresce a percepção de que os chineses buscam alternativas para garantir abastecimento interno sem elevar demasiadamente os custos de importação. Nesse contexto, o Brasil aparece como fornecedor estratégico pela competitividade, volume e regularidade de oferta.

O movimento também acontece em um momento sensível do mercado global de proteínas, com tensões comerciais envolvendo os Estados Unidos e ajustes em fluxos internacionais de carne bovina.

Caso o Brasil consiga acessar cotas remanescentes de outros países, o impacto pode ser relevante não apenas para os frigoríficos exportadores, mas também para o pecuarista, especialmente nas regiões produtoras voltadas ao mercado externo.

Atacado ainda sente consumo enfraquecido

Mesmo com o otimismo vindo do mercado internacional, o consumo doméstico segue limitado na segunda quinzena do mês. Consultorias apontam que o orçamento apertado das famílias e a concorrência com proteínas mais baratas, como frango, ovos e carne suína, continuam pressionando o escoamento da carne bovina.

No atacado, os preços permaneceram estáveis:

  • Quarto traseiro: R$ 27,50/kg
  • Quarto dianteiro: R$ 21,50/kg
  • Ponta de agulha: R$ 20,00/kg

Ainda assim, operadores do mercado acreditam que uma eventual ampliação das exportações para a China pode ajudar a enxugar parte da oferta interna, trazendo sustentação para a arroba nas próximas semanas.

O setor agora aguarda os desdobramentos finais da SIAL Xangai, que podem redefinir o rumo do mercado pecuário brasileiro no curto prazo.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM