China reconhece território brasileiro como livre da febre aftosa

Após mais de 20 anos de negociação, decisão chinesa reconhece todo o território brasileiro como livre livre da febre aftosa e pode ampliar embarques de produtos bovinos e suínos, incluindo miúdos e carne com osso

A China reconheceu oficialmente todo o território brasileiro como livre de febre aftosa, em uma decisão considerada estratégica para o avanço das exportações de proteínas animais do Brasil. O anúncio foi feito nesta terça-feira (2/6) e ocorre após mais de duas décadas de negociações entre os dois países, consolidando um dos principais pleitos sanitários do agronegócio brasileiro no mercado asiático.

Na prática, o reconhecimento tende a abrir espaço para novas oportunidades comerciais com o maior comprador de produtos agropecuários do Brasil. Segundo nota conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), a decisão amplia as possibilidades de exportação de produtos bovinos e suínos, como miúdos e carne com osso, segmentos de maior valor agregado e que dependem de exigências sanitárias específicas.

China reconhece território brasileiro como livre da febre aftosa: O que muda para o agro brasileiro

O reconhecimento chinês reforça a confiança internacional no sistema sanitário brasileiro e pode acelerar tratativas para a abertura de novos produtos ao mercado da China. Entre os itens que podem avançar estão carne bovina com osso, miudezas bovinas, miúdos suínos internos e cálculo da vesícula biliar bovina, conhecido como pedra de fel, utilizado pela indústria farmacêutica.

Também há expectativa de ampliação imediata das exportações de carne suína e miúdos suínos externos, como pés e orelhas, hoje restritas a Santa Catarina. Com o novo status sanitário reconhecido pela China, frigoríficos já habilitados poderão solicitar a inclusão de outros estados nas vendas ao país asiático.

A China é o principal destino das carnes brasileiras. Em 2025, os embarques de carnes bovina, suína e de frango para o mercado chinês somaram 2,057 milhões de toneladas, com receita de US$ 9,815 bilhões, segundo dados do Agrostat citados pelo Broadcast Agro.

Além disso, as exportações totais do agronegócio brasileiro para a China ultrapassaram US$ 50 bilhões em 2025, reforçando o peso do país asiático na balança comercial do setor.

Livre da febre aftosa: Reconhecimento veio após avanço sanitário do Brasil

O Brasil já havia recebido, em junho do ano passado, o status de território livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Desde então, o governo brasileiro buscava o reconhecimento bilateral da China, etapa considerada essencial para destravar novos protocolos comerciais.

Segundo o governo federal, o avanço também foi impulsionado pelo memorando sanitário assinado entre Brasil e China durante missão presidencial realizada em maio de 2025, que fortaleceu o diálogo entre os dois países na área de medidas sanitárias e fitossanitárias.

Mais valor para a cadeia da carne

Para o setor produtivo, o impacto pode ir além do aumento de volume exportado. A possibilidade de vender cortes e subprodutos hoje limitados representa melhor aproveitamento da carcaça, maior agregação de valor para frigoríficos e potencial reflexo positivo na cadeia pecuária.

Produtos como miúdos, carne com osso e subprodutos de uso industrial ou farmacêutico possuem demanda específica no mercado asiático e podem melhorar a rentabilidade das plantas exportadoras. Isso também fortalece a posição do Brasil como fornecedor confiável de proteínas em escala global.

Brasil ganha força nas negociações com a China

O reconhecimento ocorre em um momento em que o Brasil busca ampliar sua presença no mercado chinês e reduzir barreiras sanitárias para produtos de maior valor. De acordo com fontes citadas pelo Broadcast Agro, o protocolo de exportação de carne bovina entre Brasil e China deve passar por revisão após o anúncio.

A medida se soma a outro avanço recente: o reconhecimento do Brasil como país de risco negligenciável para encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como “mal da vaca louca”, condição também considerada importante pelas autoridades chinesas para ampliar as compras de proteínas brasileiras.

Marco sanitário e comercial para o Brasil

O reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa pela China é mais do que uma vitória diplomática. Trata-se de um marco sanitário que pode fortalecer a pecuária nacional, ampliar mercados, agregar valor aos embarques e consolidar o Brasil como um dos fornecedores mais relevantes de proteína animal do mundo.

Para o produtor rural, o efeito não é imediato no preço da arroba, mas melhora o ambiente de longo prazo. Quanto mais mercados e produtos habilitados, maior tende a ser a capacidade da indústria de disputar animais, diversificar vendas e sustentar a competitividade da carne brasileira no comércio internacional.

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