China volta a suspender importações de carne bovina após novo alerta sanitário na Irlanda

A decisão de suspender importações de carne bovina reforça o rigor sanitário adotado por Pequim e reacende preocupações sobre a volatilidade do comércio internacional de carnes.

Apenas duas semanas após reabrir seu mercado para a carne bovina irlandesa, a China anunciou uma nova suspensão das importações do produto, desta vez motivada pela confirmação de um surto de “língua azul” em rebanhos bovinos no país europeu. A decisão, divulgada pela Reuters, reforça o rigor sanitário adotado por Pequim e reacende preocupações sobre a volatilidade do comércio internacional de carnes.

A suspensão foi confirmada nesta quarta-feira (28) e ocorre em um momento considerado especialmente sensível para o setor pecuário da Irlanda. O país havia recuperado recentemente o acesso ao maior mercado importador de carne bovina do mundo, após mais de um ano de embargo imposto em razão de um caso de encefalopatia espongiforme bovina (doença da vaca louca) detectado em 2024.

Surto de língua azul acende alerta imediato

De acordo com informações oficiais, o primeiro foco de língua azul foi identificado no último sábado em um rebanho localizado no sudeste da Irlanda. Poucos dias depois, o vírus foi confirmado em outros três rebanhos próximos à área inicial, indicando disseminação local da doença e acionando protocolos sanitários mais rigorosos .

A língua azul é uma doença viral que afeta ruminantes, transmitida por insetos vetores, e embora não represente risco à saúde humana nem comprometa a segurança da carne ou do leite, costuma gerar impactos significativos no comércio internacional devido às restrições sanitárias impostas por países importadores .

Reabertura recente tornou impacto ainda maior

O impacto da decisão chinesa é ampliado pelo curto intervalo desde a reabertura do mercado. A China havia retomado as importações de carne bovina da Irlanda em 12 de janeiro, durante uma visita oficial do primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, a Pequim. Na ocasião, o governo chinês suspendeu formalmente o embargo estabelecido em 2024, sinalizando uma retomada gradual das relações comerciais no setor de proteínas animais .

Diante do novo bloqueio, o ministro da Agricultura da Irlanda, Martin Heydon, classificou a medida como um revés significativo. “Esta é uma notícia decepcionante, considerando a recente reabertura do mercado”, afirmou em comunicado oficial, destacando o impacto direto sobre produtores e exportadores do país .

Contexto europeu preocupa importadores de carne bovina

O episódio não é isolado. Casos de língua azul vêm sendo registrados em diferentes regiões da Europa nos últimos meses, incluindo a Irlanda do Norte, o que tem elevado o nível de atenção das autoridades sanitárias internacionais. Esse cenário aumenta a pressão sobre países exportadores para reforçar sistemas de vigilância, rastreabilidade e controle de doenças animais .

Para a China, maior compradora mundial de carne bovina, a adoção de medidas rápidas e restritivas faz parte de uma estratégia de proteção do rebanho doméstico e de segurança sanitária, mesmo quando os riscos ao consumidor final são considerados baixos.

Reflexos no mercado global de carne

A nova suspensão evidencia como questões sanitárias seguem sendo um dos principais fatores de instabilidade no comércio global de carnes, afetando fluxos comerciais, preços internacionais e a competitividade entre países exportadores. Para concorrentes diretos da Irlanda, como Brasil, Austrália e Estados Unidos, episódios como esse podem abrir janelas de oportunidade no curto prazo, ao mesmo tempo em que reforçam a importância de manter elevados padrões sanitários para acesso aos mercados mais exigentes.

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