Produção puxada por frango, soja e pecuária coloca pequenos municípios entre os mais ricos do campo e evidencia a força do interior no agronegócio paranaense.
O agronegócio segue consolidado como um dos principais motores da economia do Paraná, sustentando bilhões em riqueza e garantindo protagonismo nacional ao estado. Mesmo em cidades de pequeno porte, a força do campo impressiona: municípios com menos de 25 mil habitantes já ultrapassam a marca de R$ 1 bilhão em Valor Bruto da Produção (VBP), mostrando que produtividade, tecnologia e organização das cadeias produtivas são fatores mais determinantes do que o tamanho populacional.
De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), o VBP agropecuário do Paraná atingiu cerca de R$ 188 bilhões em 2024, com perspectiva de ultrapassar R$ 200 bilhões nos próximos ciclos, impulsionado principalmente pela recuperação das safras e pela força da pecuária . Esse indicador representa tudo o que é gerado dentro da propriedade rural, antes da industrialização, sendo um termômetro direto da riqueza produzida no campo.
Entre os exemplos que chamam atenção está Ubiratã, município com menos de 25 mil habitantes, que figura entre os maiores destaques do estado. A cidade ocupa posição de destaque no ranking estadual com cerca de R$ 1,2 bilhão em VBP, impulsionada principalmente pela avicultura de corte, uma das cadeias mais organizadas do Paraná.
Outros municípios da região de influência de Maringá também demonstram essa força:
- Cianorte: cerca de R$ 1,2 bilhão, com forte presença da avicultura
- Astorga: aproximadamente R$ 1 bilhão, também com base no frango de corte
- Paranavaí: cerca de R$ 1 bilhão, com destaque para a citricultura (laranja)
- Umuarama: próximo de R$ 1 bilhão, com foco na pecuária de corte
Esses dados reforçam uma tendência clara: o interior do Paraná concentra polos altamente produtivos, mesmo em municípios de médio e pequeno porte.
O levantamento do Deral mostra que o estado já conta com mais de 30 municípios com VBP superior a R$ 1 bilhão, número que vem crescendo ao longo dos anos .
O ranking é liderado por cidades com cadeias produtivas altamente estruturadas, como:
- Toledo – cerca de R$ 4,7 bilhões (líder estadual, com forte presença de suínos)
- Cascavel – R$ 3,6 bilhões (soja)
- Castro – R$ 3,6 bilhões (leite bovino)
Toledo, inclusive, mantém a liderança há anos consecutivos, sustentado principalmente pela proteína animal e pela integração com cooperativas .
Apesar da diversidade produtiva do Paraná — que inclui grãos, carnes, leite, frutas e florestas —, poucas atividades concentram a maior parte da renda. Entre elas:
- soja
- frango de corte
- cana-de-açúcar
- leite bovino
- bovinos de corte
- produção florestal
Essa concentração está diretamente ligada a fatores como infraestrutura, cooperativismo forte e acesso a mercados, além de condições naturais favoráveis como clima e solo.
Enquanto a agricultura sofre mais com oscilações climáticas, a pecuária tem garantido crescimento mais consistente ao longo dos anos. Cadeias como:
- frango
- suínos
- piscicultura (especialmente tilápia)
seguem em expansão e ampliando participação no VBP estadual. Em 2024, por exemplo, a pecuária respondeu por mais da metade da riqueza gerada no agro paranaense .
Por outro lado, a produção de leite enfrenta desafios, principalmente ligados à rentabilidade e volatilidade de preços pagos ao produtor.
Embora o município de Maringá tenha participação mais modesta no ranking estadual — com cerca de R$ 356,5 milhões em VBP, sendo 42% provenientes da soja —, sua região exerce papel estratégico.
O Núcleo Regional de Maringá, que reúne 29 municípios, movimenta aproximadamente:
- R$ 8,9 bilhões em produção agropecuária
- 5% de todo o VBP do Paraná
Dentro da região, há uma clara divisão produtiva:
- Sul: predominância da soja
- Centro: forte presença da avicultura
- Norte: destaque para a cana-de-açúcar
Essa diversificação garante resiliência econômica e equilíbrio produtivo.
Enquanto a região de Maringá representa 5% do VBP estadual, o Oeste do Paraná se destaca ainda mais. O Núcleo Regional de Toledo, por exemplo, concentra:
- R$ 21,9 bilhões em VBP
- 12% de participação no total estadual
A região é fortemente baseada na produção animal, especialmente:
- frango de corte
- suínos
- soja
Após perdas climáticas em anos anteriores, principalmente na soja, o cenário mudou. A recuperação da produção agrícola, aliada à valorização de produtos pecuários, deve impulsionar ainda mais o setor.
A projeção do Deral indica que o Paraná deve ultrapassar os R$ 200 bilhões em VBP, consolidando o estado como um dos maiores polos agropecuários do Brasil .
O avanço de cidades pequenas no ranking bilionário reforça uma realidade cada vez mais evidente: no Paraná, o agro não depende de tamanho — depende de eficiência, organização e tecnologia.
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