A gangorra climática de 2026 ameaça a safra e sua capacidade de pagamento. Entenda como o El Niño e La Niña podem impactar seu patrimônio e a urgência de se preparar.
O agro brasileiro está acostumado a lidar com os caprichos do tempo, mas 2026 promete ser um ano de incerteza climática exacerbada. A transição entre os fenômenos La Niña e El Niño pode trazer eventos extremos e imprevisíveis, impactando diretamente a produção e, consequentemente, a capacidade do produtor rural de honrar seus compromissos financeiros.
“A natureza não perdoa a falta de planejamento“, adverte o Dr. Carlos Henrique Rodrigues Pinto, advogado especialista em Agronegócio do CH ADVOGADOS DO AGRO. “E os bancos, menos ainda, quando veem uma oportunidade de tomar garantias.”
“Eu sempre achei que ‘o clima é o clima’, e que a gente dava um jeito“, conta José Roberto, produtor de milho no Paraná. “Mas a seca de 2023 foi um desastre. Minha safra foi mínima, e o banco não queria saber. Só falavam das garantias que eu tinha dado na última renegociação. Eu não tinha nada documentado sobre a seca, nenhum laudo. Acabei perdendo parte da minha lavoura para o banco. Se eu soubesse que o clima podia me tirar a terra, teria sido mais cuidadoso.”

2026: a dança dos fenômenos climáticos e o risco para o produtor
O ano de 2026 será um período de transição climática, com o enfraquecimento e fim do La Niña no primeiro trimestre, seguido por um período de neutralidade e a possibilidade de formação de um El Niño no segundo semestre. Essa dinâmica traz consigo uma série de riscos:
- Fim do La Niña (Verão/Outono): Embora o La Niña traga resfriamento ao Pacífico e possa afetar o regime de chuvas, seu enfraquecimento e fim podem gerar desequilíbrios, com chuvas irregulares em regiões que dependem delas ou excesso de umidade em outras.
- Neutralidade e Instabilidade: O período de “neutralidade” climática não significa tranquilidade. Pelo contrário, tende a ser um período de maior instabilidade, com aumento da chance de eventos extremos como veranicos prolongados, tempestades severas e ondas de calor.
- Influência do ASAS: O Sistema de Alta Pressão Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) pode intensificar veranicos e períodos de seca em regiões cruciais para o agronegócio, elevando temperaturas e diminuindo a umidade do solo.
- Risco de El Niño (Segundo Semestre): A possibilidade de formação de um El Niño pode intensificar o calor e alterar padrões de chuva, impactando culturas de inverno como o trigo e preparando o terreno para uma safra de verão sob novas condições.
Como o clima imprevisível se conecta à perda da sua terra
- Frustração de Safra/Produtividade: Eventos climáticos adversos levam à quebra de safra ou à redução drástica da produtividade.
- Queda na Renda: Com menos produção, sua receita diminui, comprometendo sua capacidade de pagar os financiamentos rurais.
- Agressividade Bancária: Diante do atraso no pagamento, os bancos, munidos de novas garantias (como a alienação fiduciária obtida em renegociações passadas), não hesitam em executar o produtor.
- Perda do Patrimônio: Sem provas e sem uma estratégia legal, o produtor pode perder sua terra, seu maquinário ou seu rebanho, entregando anos de trabalho ao banco.
“A Justiça reconhece o impacto do clima, mas o produtor precisa apresentar provas irrefutáveis”, enfatiza Dr. Carlos Henrique. “Laudos agronômicos, fotos datadas, reportagens sobre eventos climáticos na região, decretos municipais de emergência – tudo isso é fundamental para comprovar a quebra de safra e fortalecer sua defesa em um processo de alongamento de dívida.”
Prepare-se Agora: O conhecimento sobre os riscos climáticos deve ser acompanhado de uma ação proativa. Monitore as previsões, documente todas as intempéries, busque laudos técnicos e, o mais importante, não renegocie com os bancos sem antes buscar aconselhamento jurídico especializado. O futuro da sua propriedade pode depender de como você lida com os desafios climáticos de 2026.
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