Com ajustes pontuais, boi gordo se sustenta e Mato Grosso lidera com arroba mais valorizada no país

Com escalas mais confortáveis – com redução nas capacidades de abate dos frigoríficos – e oferta crescente em algumas regiões, mercado do boi gordo perde firmeza; Mato Grosso se destaca com arroba mais valorizada do país

O mercado do boi gordo inicia o mês de maio em um cenário de pressão baixista e negociações mais lentas, refletindo a combinação de escalas de abate mais alongadas, menor apetite da indústria e aumento gradual da oferta de animais terminados. O movimento já era esperado para o período, marcado pela transição de safra e início da seca em importantes regiões pecuárias.

De acordo com a Safras & Mercado, o mercado físico mantém um padrão de negócios mais travado, com frigoríficos em posição confortável e, em alguns casos, até fora das compras, avaliando estratégias. A consultoria destaca que a sazonalidade de maio favorece maior disponibilidade de gado, especialmente em estados como Goiás e Minas Gerais, onde as pastagens começam a perder qualidade.

Ao mesmo tempo, regiões como Mato Grosso apresentam condição diferente: pastagens ainda vigorosas aumentam a capacidade de retenção dos pecuaristas, o que tem sustentado preços mais altos no estado — inclusive acima de São Paulo.

Pressão de baixa ganha força com indústria mais confortável

Segundo a Scot Consultoria, o mercado já mostra sinais claros de enfraquecimento desde a segunda quinzena de abril. Em São Paulo, houve queda de R$ 5/@ no início de maio, com o boi gordo sendo negociado na casa de R$ 355/@ (prazo, bruto).

O principal fator por trás desse movimento é o avanço das escalas de abate, que já giram em torno de 10 dias no estado, dando maior poder de barganha aos frigoríficos. Além disso, a oferta de animais começa a crescer, impulsionada pela deterioração das pastagens em regiões do Centro-Sul.

A Agrifatto reforça esse cenário, destacando que parte das indústrias se retirou das compras após alongar suas escalas, reduzindo a concorrência pela boiada. Mesmo com a resistência de alguns pecuaristas, há sinais de que produtores começam a ceder diante das condições de mercado.

Indicador Cepea confirma perda de fôlego

O enfraquecimento do mercado também é refletido no indicador do Cepea, que encerrou abril cotado a R$ 354,45/@, com leve queda de 0,44%.

O centro de estudos aponta que o período foi marcado por baixa liquidez e negociações pontuais, com frigoríficos atuando menos e produtores limitando vendas, aguardando melhores condições. Em São Paulo, os negócios ficaram concentrados entre R$ 350 e R$ 360/@.

Preços do boi gordo por estado

Levantamento recente da Safras & Mercado mostra o atual patamar médio da arroba nas principais praças pecuárias:

  • São Paulo: R$ 353,75/@
  • Goiás: R$ 339,71/@
  • Minas Gerais: R$ 339,29/@
  • Mato Grosso do Sul: R$ 349,09/@
  • Mato Grosso: R$ 355,41/@

O destaque fica para Mato Grosso, que lidera o ranking nacional, evidenciando um comportamento atípico frente a São Paulo — tradicional referência de preço no país.

Atacado travado e concorrência com outras proteínas

No mercado atacadista, o cenário também inspira cautela. A carne bovina segue com preços acomodados e menor espaço para reajustes, principalmente diante do consumo mais fraco esperado para a segunda quinzena do mês.

Além disso, a proteína bovina perde competitividade frente a alternativas mais baratas, como a carne de frango, o que limita reações mais consistentes nos preços.

O que esperar do mercado do boi gordo

O curto prazo deve continuar marcado por volatilidade e viés de pressão, com o comportamento das escalas de abate e das pastagens sendo determinantes.

Por um lado, exportações ainda aquecidas ajudam a sustentar o mercado, mas, por outro, o avanço da seca e o aumento da oferta podem intensificar o movimento de baixa.

A tendência, segundo as consultorias, é de um mercado mais seletivo nas próximas semanas, com frigoríficos comprando de forma estratégica e pecuaristas avaliando o melhor momento de venda — cenário típico de transição entre ciclos dentro da pecuária brasileira.

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