Com mercado mais firme, pecuaristas precisam se preparar para a fase de alta do ciclo pecuário

De acordo com a Famasul, 2026 será um ano-chave para decisões que impactam a rentabilidade nos próximos ciclos.

Diante da transição do ciclo pecuário, que começa a sair da fase de baixa e avança para a fase de alta, produtores rurais precisam se preparar para a redução da oferta de animais e a valorização dos preços da arroba.

Adotar um planejamento produtivo, tomar decisões estratégicas e investir na eficiência são ações ideais para aproveitar as oportunidades e reduzir riscos nos próximos anos.

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Segundo o consultor em pecuária do Departamento Técnico da Famasul, Diego Guidolin, 2026 deve ser interpretado como um ano de consolidação desse novo momento. “A expectativa é de um mercado mais firme, com preços sustentados e viés de alta, mas ainda sem movimentos abruptos. Trata-se de um ano de transição avançada, em que os preços já refletem expectativas futuras, embora o pico do ciclo ainda não tenha sido plenamente atingido”, explica.

Do ponto de vista da oferta, o reflexo do abate intensivo de fêmeas começa a se tornar mais evidente, sobretudo na segunda metade do ano.

Mesmo com o avanço da retenção de matrizes, o impacto sobre a disponibilidade de animais ainda será limitado em 2026, resultando em menor oferta de animais para reposição e início de uma redução mais perceptível no volume de bovinos para abate, observa a Famasul.

Arroba do boi mais valorizada

Com a perspectiva de restrição de oferta, o mercado aponta para maior sustentação e valorização da arroba do boi. Ao mesmo tempo, a escassez relativa de bezerros tende a manter os preços dos animais de reposição em patamares elevados, pressionando as margens de recriadores e terminadores no curto prazo.

“O custo de entrada sobe antes da plena valorização do boi gordo. Por isso, a leitura correta do mercado e o planejamento das operações de compra e venda tornam-se ainda mais estratégicos nesse momento”, destaca Guidolin.

Nesse contexto, o ano funcionará como um período de preparação para um possível pico do ciclo nos anos seguintes, especialmente em 2027, quando a restrição de oferta tende a se intensificar de forma mais clara.

Na análise da Famasul, a nova fase do ciclo pecuário também influencia diretamente as decisões dentro da porteira. “A tendência é de maior retenção de fêmeas, recomposição gradual do rebanho e estímulo à intensificação dos sistemas produtivos, especialmente em propriedades que buscam ampliar eficiência e produtividade”, destaca a federação.

Tecnologia e manejo como ferramentas de preparação

O investimento em genética não responde de forma homogênea ao ciclo. Em sistemas com programas formais de seleção, o melhoramento genético segue uma lógica de longo prazo.

“Interromper ou intensificar decisões genéticas em função do mercado compromete a consistência do programa. Nesses casos, o investimento tende a ser constante, independentemente da fase do ciclo”, ressalta o consultor.

Já nas propriedades de cria que utilizam genética melhoradora, mas não realizam seleção própria, o momento favorável costuma estimular a ampliação da base de matrizes, aumentando o volume total investido, ainda que o nível tecnológico permaneça estável.

Os investimentos mais sensíveis na fase de alta do ciclo estão ligados à estrutura produtiva e ao manejo. Com maior previsibilidade de receita, os pecuaristas tendem a direcionar recursos para reforma e intensificação de pastagens, melhoria das instalações, aquisição de máquinas e fortalecimento do controle zootécnico.

Do ponto de vista estratégico, ressalta a Famasul, o ideal é que esses investimentos sejam realizados ainda na fase de baixa do ciclo, quando os custos relativos são menores e há maior margem para ajustes estruturais.

Nos sistemas de recria e engorda, a adoção de tecnologia ocorre, sobretudo, como estratégia de eficiência. “A valorização dos animais de reposição pressiona as margens e estimula investimentos voltados à redução da idade ao abate, ao uso mais preciso da suplementação e à melhoria da gestão econômica, não como expansão, mas como mitigação de risco”, afirma Guidolin.

Em determinadas realidades produtivas, especialmente em sistemas de recria, outra estratégia possível é a ampliação gradual do estoque de animais. Embora os preços da reposição já estejam valorizados, a expectativa de maior restrição de oferta nos próximos anos pode sustentar novas altas ao longo de 2026 e 2027.

Nesse contexto, a aquisição escalonada de animais de diferentes idades pode ser uma alternativa para equilibrar fluxo de caixa e exposição ao ciclo. “Lotes com giro mais rápido contribuem para liquidez no curto prazo, enquanto categorias mais jovens permitem capturar movimentos mais prolongados de valorização”, avalia a entidade.

Essa decisão, alerta a Famasul, exige capital de giro adequado, planejamento forrageiro compatível e gestão criteriosa de risco. A ampliação de estoque sem base estrutural sólida pode transformar uma oportunidade de mercado em aumento de vulnerabilidade produtiva e financeira.

Fonte: Ascom Famasul

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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