Como não fazer sua soja ‘derreter’ na chuva; cargas chegando com 55% de estragos assustam agriculores

Terminais portuários registram alta de grãos ardidos e avariados em fevereiro de 2026; especialistas recomendam escalonamento da dessecação e monitoramento rigoroso para salvar a rentabilidade

O cenário nos principais terminais portuários do Brasil, como Santos (SP) e Paranaguá (PR), neste início de fevereiro de 2026, é de alerta vermelho para a rentabilidade do produtor rural. O que deveria ser o auge do escoamento da safra transformou-se em uma crise logística e de qualidade: caminhões carregados estão sendo recusados ou sofrendo descontos severos devido ao alto índice de grãos ardidos.

Em casos extremos, o fenômeno de ver a soja derreter na chuva atingiu índices de até 55% de avariados, o que praticamente anula o lucro da carga e gera prejuízos em cascata.

O prejuízo invisível

O vilão deste ciclo é a combinação perversa entre o padrão climático instável e janelas de colheita extremamente curtas. Com a influência de fenômenos meteorológicos que trouxeram chuvas acima da média para o Centro-Oeste e Sul neste trimestre, a soja que atinge a maturação fisiológica no campo, mas não é colhida imediatamente, sofre com o excesso de umidade e calor.

De acordo com especialistas em fitopatologia, o grão começa a fermentar e apodrecer ainda dentro da vagem. É o que o produtor, no dia a dia do campo, descreve como a soja derreter na chuva. Quando esse grão chega ao terminal com umidade excessiva e danos térmicos, ele é classificado como “ardido”.

“O padrão de mercado aceita até 8% de grãos avariados. Acima disso, os descontos são progressivos e punitivos. Chegar a 55% significa que a carga perdeu sua finalidade para exportação, sendo relegada a mercados secundários”, alerta o relatório técnico de análise de qualidade.

Como evitar que sua soja venha a derreter na chuva

Para não entrar na estatística de prejuízo desta safra, o manejo precisa ser cirúrgico. A estratégia para impedir a soja derreter na chuva começa antes mesmo da entrada da colheitadeira no talhão. Confira os pontos fundamentais para proteger seu patrimônio:

1. Monitoramento da Umidade em Tempo Real

A confiança apenas na inspeção visual é um risco alto em 2026. O uso de medidores de umidade portáteis calibrados é vital. Grãos colhidos com umidade acima de 18% a 20%, sem a garantia de secagem imediata na unidade armazenadora, são candidatos certos ao apodrecimento em poucas horas de transporte.

2. Gestão Estratégica da Dessecação

Um erro comum identificado nesta safra é a dessecação de áreas extensas sem a devida estrutura logística para o recolhimento imediato. Se a previsão meteorológica indica chuvas persistentes, o ideal é escalonar a dessecação. Isso evita que o grão fique exposto no campo após perder a proteção natural da planta, vulnerável ao processo de “derretimento”.

Logística e o “Pulo do Gato” na Pré-Limpeza

O problema não termina na porteira da fazenda. Caminhões parados em filas de espera sob chuva intensa, sem o devido vedamento de lonas ou com infiltrações na carroceria, podem transformar uma soja padrão em “soja ardida” em menos de 48 horas. É essencial verificar o estado das lonas e garantir que não ocorra acúmulo de água no topo da carga durante o trajeto até o porto.

Além disso, para quem possui estrutura própria, a pré-limpeza surge como a maior aliada do lucro. Retirar impurezas úmidas, como restos de cultura e vagens verdes, antes do embarque, pode baixar o índice de avariados drasticamente. Essa prática permite que o produtor recupere o valor da saca, evitando os descontos severos que estão assustando o setor neste mês.

Escrito por Compre Rural

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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