Como o manejo correto do gado pode valorizar o couro em até 30% na hora da venda; Entenda

Com exigências crescentes do mercado europeu e da indústria de luxo, a preservação da “flor do couro” através do bem-estar animal torna-se o novo multiplicador de lucro para o pecuarista brasileiro.

No cenário da pecuária moderna, o couro deixou de ser um simples “subproduto” para se tornar um componente vital da rentabilidade. Estima-se que as perdas por manejo inadequado no Brasil ultrapassem os R$ 100 milhões anuais, apenas no setor de curtumes.

No entanto, o pecuarista que implementa o manejo correto do gado consegue reverter esse prejuízo, alcançando uma valorização de até 30% no valor do couro durante a negociação do lote.

O Mapa do Valor: Por que o “Grupão” Define seu Lucro?

Para entender a valorização, é preciso conhecer a anatomia comercial do animal. O couro é dividido em três partes principais: Barriga, Ombros e o Grupão (Butt).

  • O Grupão: É a área que cobre o lombo e as ancas. Representa a parte mais densa, resistente e valiosa da pele.
  • O Problema: É justamente no Grupão que ocorrem os maiores danos por marca de fogo, picadas de mosca-dos-chifres e cicatrizes de arame farpado.

De acordo com o CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil), um couro com o “Grupão” íntegro é classificado como Nível 1 (TR1), sendo exportado para indústrias automotivas de luxo e aeronáutica. Já um couro com marcas centrais é rebaixado para Nível 4 ou 5, perdendo quase 40% do seu valor comercial de face.

Do Curral ao Curtume

O manejo correto do gado não é apenas uma questão ética; é fisiologia aplicada ao lucro. Quando o animal sofre estresse ou agressões físicas (ferrões, pancadas ou transporte inadequado), o organismo libera altos níveis de cortisol e adrenalina.

  1. A Teoria da Dor e o Sangue: O estresse impede a sangria total do animal. O sangue retido nos vasos da pele causa manchas escuras no couro após o curtimento, conhecidas como “veios de sangue”, que impossibilitam o acabamento em cores claras e exigem lixamento pesado, reduzindo a qualidade do material.
  2. Cicatrizes e a Fibra: Lesões superficiais provocadas por arame farpado criam um tecido cicatricial que não absorve o tingimento de forma uniforme. Na ótica do comprador internacional, isso é um defeito fatal.

Estratégias de Elite para Valorização Imediata

Para atingir o topo da tabela de preços, o produtor deve adotar protocolos de manejo correto do gado que eliminem o “fator cicatriz”:

  • Eliminação do Arame Farpado: A substituição por arame liso ou cercas elétricas elimina 90% dos riscos de arranhões profundos no Grupão.
  • Vacinação Subcutânea na Tábua do Pescoço: Abcessos causados por vacinas mal aplicadas na região lombar destroem a parte mais nobre da pele. O pescoço é a zona de sacrifício por excelência.
  • Controle de Ectoparasitas: Dados de pesquisas brasileiras indicam que o controle rigoroso da mosca-dos-chifres e do carrapato pode evitar centenas de micro-perfurações que, após o processo de estiramento no curtume, tornam-se buracos visíveis.

O Mercado Premium: A Certificação LWG e o Futuro

Atualmente, frigoríficos que exportam para a Europa exigem que seus fornecedores sigam as normas do Leather Working Group (LWG). O manejo correto do gado é um dos pilares para a obtenção de certificações de sustentabilidade. Produtores que comprovam o uso de currais anti-estresse e ausência de marcação a fogo (usando brincos ou chips) já estão recebendo prêmios diretos sobre a arroba em programas de carne de qualidade.

Escrito por Compre Rural

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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