E agora? O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) considerou a aquisição pela Minerva, de 11 plantas de abate de bovinos da Marfrig no Brasil, como um ato de concentração “complexo”
Sete meses após o início das negociações entre as gigantes da carne Minerva Foods e a Marfrig Global Foods para a aquisição de unidades de abate e desossa de bovinos, a conclusão da transação ainda aguarda a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A transação, avaliada em R$ 7,5 bilhões, com R$ 1,5 bilhão já desembolsados no momento da celebração do contrato, representa uma das movimentações mais significativas no mercado de processamento de carnes.
Minerva pretende adquirir 11 plantas de abate de bovinos da Marfrig no Brasil. O Cade considerou a aquisição pela Minerva, das plantas da Marfrig no Brasil, como um ato de concentração “complexo”. A decisão permite uma extensão do prazo de análise de 240 para 330 dias, o que pode empurrar a decisão final para 14 de dezembro.
Ainda segundo as informações do comunicado, a posição do órgão foi assinada por Fernanda Garcia Machado, superintendente-geral substituta do órgão antitruste, a decisão permite que o Cade leve ainda mais tempo para apreciar o M&A. As incertezas em relação ao prazo do Cade vem penalizando as ações Minerva. Conforme aponta o levantamento em relação aos papéis da companhia na Bolsa, esses já caíram 39%.
A demora na aprovação levaria a uma correção pelo CDI do valor acordado (+ R$ 500 milhões só de ajuste). Há especulações sobre possíveis “remédios” impostos pelo Cade, mas ainda não se vislumbra uma reprovação.
Existe uma expectativa entre os envolvidos, mas que divergem sobre o prazo de aprovação do Cade para conclusão das negociações. De um lado, a Minerva diz acreditar que a aprovação poderia sair neste segundo trimestre. Do outro, mais conservadora, a Marfrig sinalizou que trabalha com o fim do terceiro trimestre.
A Genial Investimentos disse que, caso a aprovação ultrapasse o segundo trimestre de 2024, poderá retirar seu “voto de confiança e rebaixar o rating de Minerva, uma vez que a postergação espreme a janela de tempo que a companhia terá para aproveitar o ciclo do gado positivo no Brasil à frente desses ativos”.
Atualmente, não parece provável que a transação seja rejeitada, o que seria um desdobramento significativo, e há quem prefira não arriscar. Já surgiram especulações entre os interessados devido às barreiras na aprovação. Embora improvável, um veto poderia escalar para um conflito legal, conforme informado por uma fonte.
Conforme o acordo, a Minerva perderia os R$ 1,5 bilhão já pagos à Marfrig. No entanto, é improvável que aceite esse prejuízo sem buscar reparações legais contra sua concorrente.
A decisão agora depende do Cade.

De acordo com informações fornecidas pela assessoria da Minerva Foods, a conclusão da transação está condicionada à aprovação das autoridades concorrenciais, procedimento padrão em operações desse porte. A expectativa é de que após a finalização da aquisição, a Minerva Foods se manifeste publicamente sobre os planos para cada planta adquirida, destacando suas estratégias para otimização operacional.
A Minerva Foods, uma das principais empresas do setor de proteína animal no Brasil, apresenta receita líquida de R$ 29 bilhões e um EBITDA de R$ 2,8 bilhões. Com a aquisição das unidades da Marfrig Global Foods, espera-se que a empresa adicione à sua receita líquida, aumentando para R$ 18 bilhões, e ao seu EBITDA, somando mais R$ 1,5 bilhão.
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