Comprar ou arrendar? Como se comportou o preço do hectare em 2025 e as projeções para 2026

Com custos acima de R$ 7 mil por hectare, Imea e especialistas alertam para o risco de insolvência na expansão de área

O mercado fundiário brasileiro vive um “efeito ressaca”. Após um ciclo histórico de valorização onde as terras dobraram de valor nominal em três anos, o preço do hectare em 2025 encontrou um teto de estabilidade. Mas não se engane: estabilidade de preço não significa facilidade de compra.

Com margens operacionais esmagadas por custos recordes, o produtor rural enfrenta em 2026 o dilema mais complexo da década: imobilizar capital na compra de terra ou arriscar a insolvência em contratos de arrendamento inflacionados?

O mapa do preço do hectare em 2025

Embora a média nacional aponte para uma acomodação, o Brasil agrícola opera em múltiplas velocidades. A estabilização dos preços nominais reflete a incapacidade momentânea do produtor de gerar caixa excedente com commodities (soja e milho) desvalorizadas em relação ao pico de 2022.

  • Centro-Oeste (Referência Goiás/MT): Dados de mercado indicam que, em praças consolidadas como Goiás, o valor médio da terra nua para cultura gira em torno de R$ 47.300, podendo chegar a valores mais altos dependendo da aptidão. O mercado está travado: quem tem terra não quer baixar o preço; quem quer comprar, não fecha a conta com a cotação atual das commodities.
  • Sul (O Teto do Preço): No Paraná, a realidade é outra. Regiões de alta produtividade sustentam os valores mais altos do país, tornando a compra inviável para expansão via commodities puras sem alto valor agregado.
  • Matopiba (A Fronteira): É a região onde a volatilidade é maior. Terras no Tocantins e Oeste Baiano sofrem mais com a correção de preços, oferecendo janelas de entrada para quem possui capital próprio e visão de longo prazo.

Soja, milho e algodão

A decisão de adquirir terra ou arrendar passa, obrigatoriamente, pela análise do Break-even (ponto de equilíbrio). Os dados oficiais do projeto Custo de Produção Agropecuária (CPA), realizado pelo Imea em parceria com o Senar Mato Grosso, mostram que a margem de erro é zero para a safra 2025/26.

Segundo o levantamento detalhado das entidades:

Soja

Para a safra 2025/26 em Mato Grosso, o Imea projeta que o desembolso total médio será de R$ 7.657,89 por hectare.

  • O problema: Com a saca de soja operando em patamares mais baixos, o produtor precisa colher muito acima da média apenas para pagar os custos.
  • No MS: O cenário no vizinho Mato Grosso do Sul é similar. O custo total alcança R$ 6.115 por hectare, pressionado por logística e insumos.

Algodão

O algodão se consolida como uma cultura de elite e alto risco. De acordo com o Senar-MT, o custo total saltou para R$ 18.454,19 por hectare, uma alta expressiva de 17,8% ante a safra anterior. Rodrigo Silva, coordenador de Inteligência de Mercado do Imea, explica que “a relação de troca com fertilizantes está em patamares recordes”, exigindo gestão financeira profissional.

Milho 2ª Safra

O custo operacional total (COT) do milho em MT, conforme apurado pelo Imea, está fixado em R$ 5.372 por hectare. Embora o preço do cereal tenha potencial de alta no primeiro semestre de 2026, a janela de lucro permanece estreita.

Arrendamento: A armadilha das “sacas fixas”

Hectare ou Alqueire: Qual o termo certo? - Comprar ou arrendar? Como se comportou o preço do hectare em 2025 e as projeções para 2026
Foto: Divulgação

Aqui reside o maior perigo para 2026. Durante a bonança (2020-2022), muitos produtores firmaram contratos de arrendamento fixados em 15, 18 ou até 20 sacas de soja por hectare.

O zootecnista e consultor financeiro Fabiano Tavares alerta para uma onda de inadimplência e renegociação devido a esses valores. Em reportagem assinada pelo jornalista Micael Silva, Tavares detalhou a dinâmica da crise:

“O arrendamento tornou-se inviável em muitas regiões. Na bonança, foram feitos contratos de valores muito altos que agora caminham para discussões de renegociações ou até brigas judiciais. Quem planta financiado ou em área arrendada com juros de 18% a 20%, enfrenta risco de prejuízo”, afirmou o consultor à reportagem.

O cenário cria um efeito colateral: proprietários recebendo terras de volta sem ter maquinário ou capital para plantá-las, o que pode forçar uma queda nos valores de arrendamento em 2026.

Veredito para 2026: Comprar ou arrendar?

Diante da análise técnica e do comportamento do preço do hectare em 2025, a estratégia recomendada pelos especialistas divide-se claramente.

Marcelo Lupatini, superintendente do Senar Mato Grosso, é categórico em seu aconselhamento diante dos números do Imea: “Neste ano, o aconselhamento é não se arriscar com arrendamentos, compra de máquinas ou propriedades. É um ano de passar dificuldades, caprichar na produção e tentar superar a média do estado para garantir renda”.

Portanto, o perfil se define assim:

  1. Perfil Capitalizado (Conservador): Se você possui caixa e não depende de financiamento bancário (com Selic alta), a compra é atrativa. A terra continua sendo a melhor reserva de valor contra a inflação no longo prazo, e a estabilização atual oferece poder de barganha.
  2. Perfil Alavancado (Expansão): Siga o conselho do Senar e fique longe de novas dívidas. O momento exige revisão de contratos de arrendamento. Tentar expandir área agora, pagando caro no arrendamento e com custos de produção recordes (R$ 7,6 mil/ha na soja), é a fórmula para a crise financeira.

O ano de 2026 será, acima de tudo, um teste de eficiência. Quem não tiver o custo na ponta do lápis, não terá margem para errar.

Escrito por Compre Rural

ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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