Conab: colheita de safra recorde deve elevar preços de fretes em fevereiro

A avaliação consta do Boletim Logístico de janeiro e considera a combinação entre produção elevada, ocupação de armazéns e maior demanda por caminhões no pico da colheita.

São Paulo, 28 – A colheita da safra 2025/26 de grãos deve elevar os preços dos fretes rodoviários em fevereiro, período em que a retirada da soja do campo tende a ganhar ritmo e a disputar espaço logístico com volumes ainda relevantes de milho, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A avaliação consta do Boletim Logístico de janeiro e considera a combinação entre produção elevada, ocupação de armazéns e maior demanda por caminhões no pico da colheita.

“A expectativa é de uma elevação gradual dos preços dos fretes rodoviários já a partir de janeiro, com um maior acréscimo em fevereiro, em termos de trabalho a campo, demanda por caminhões e elevação de cotações”, informou a Conab.

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A estatal destacou que Mato Grosso deve colher uma das maiores safras de sua série histórica, próxima de 49 milhões de toneladas de soja, o que amplia a necessidade de transporte no início de 2026.

No início de janeiro, a colheita da soja avançava de forma lenta no País, com a maior parte das lavouras ainda em enchimento de grãos. “Com o grande volume de precipitações, espera-se que a maior parte da safra seja colhida no mês de fevereiro”, avaliou. Segundo a companhia, esse calendário concentra a demanda por transporte no primeiro trimestre, reforçando o suporte aos preços dos fretes.

A pressão é ampliada pela permanência de milho nos armazéns. Em Mato Grosso, ainda restava cerca de 14% do cereal disponível para negociação no início do ano. “O fato de ainda haver parcela relevante de milho contribui para o suporte às cotações, dada a concorrência de caminhões com a soja”, explicou a estatal, ao apontar que essa disputa mantém a demanda aquecida mesmo antes do pico da colheita da oleaginosa.

O quarto levantamento da safra brasileira de grãos, divulgado pela Conab em janeiro, estimou área total cultivada de 83,8 milhões de hectares em 2025/26, aumento de 2,6% em relação ao ciclo anterior. A produção foi projetada em 353,1 milhões de toneladas, crescimento de 0,3% sobre a safra passada. Para a soja, a área foi estimada em 48,7 milhões de hectares, alta de 2,8%, com produção prevista de 176,1 milhões de toneladas.

Em dezembro, o mercado de fretes em Mato Grosso apresentou estabilidade, sem movimentos abruptos de preços. A rota Sorriso-Santos permaneceu em R$ 480 por tonelada, enquanto o frete para Paranaguá recuou de R$ 460 para R$ 450. A partir de Primavera do Leste, os valores para Santos ficaram em R$ 375 por tonelada, e para Paranaguá houve leve queda, de R$ 365 para R$ 360. “É importante destacar que o patamar de preços dos fretes rodoviários em rotas que têm o Mato Grosso como origem é significativamente mais elevado em relação ao mesmo período do ano passado”, observou a Conab.

O boletim também aponta impactos do tabelamento de fretes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) sobre a alocação de cargas ao longo de 2025. “Medidas relacionadas ao tabelamento de fretes, em especial seu maior controle e fiscalização, fizeram com que muitas empresas optassem por não desempenhar trechos mais longos, tais como rotas que têm portos como destino”, informou a estatal.

Segundo a Conab, a priorização de trajetos mais curtos e de atendimento ao mercado interno contribuiu para menor fluidez em alguns corredores e para a manutenção de volumes estocados no fim do ano.

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