Alta nos custos de frete e embalagens plásticas, impulsionada pela crise no Oriente Médio, deve forçar o repasse imediato nos preços de ovos e carnes no Brasil, alerta a ABPA
De acordo com o mais recente alerta da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o conflito no Irã desencadeou uma reação em cadeia nos custos de produção que deve pressionar os preços de ovos e carnes no Brasil já nos próximos dias.
O aumento não é direto, mas logístico: a alta do petróleo encareceu o diesel, elevando o custo do frete rodoviário em até 20%. Para um setor que depende de caminhões para transportar desde a ração até o produto final, o impacto é imediato. Somado a isso, o bloqueio logístico no Estreito de Hormuz inflacionou em 30% o valor das embalagens plásticas, essenciais para a conservação das proteínas.
Logística sob pressão impacta os preços de ovos e carnes no Brasil
Diferente de oscilações sazonais comuns, o cenário atual é de “tempestade perfeita”. A ABPA ressalta que o setor não tem mais margem para absorver essas altas sem repassar parte do custo ao consumidor. Isso significa que frango, porco e, principalmente, o ovo, devem sofrer reajustes imediatos.
O momento é crítico pois ocorre em plena Quaresma. Tradicionalmente, este período já registra uma alta natural pela substituição da carne vermelha. Dados do Procon-SP e do Dieese apontam que a cesta básica paulistana já sentiu esse reflexo, com a dúzia de ovos saltando de R$ 9,56 para R$ 10,44 em um curto intervalo.
O “Boom das Proteínas” e a dependência do mercado interno
Mesmo com a ameaça de alta, a demanda por ovos no país nunca foi tão alta. Em 2025, o brasileiro atingiu a marca histórica de 287 unidades consumidas por ano. Esse “boom” é explicado por uma mudança cultural: o ovo tornou-se o pilar de dietas de alto desempenho e uma alternativa econômica frente aos cortes bovinos.
Para sustentar esse consumo, a indústria brasileira evoluiu. Segundo Elsio Figueiredo, pesquisador da Embrapa, o uso de tecnologia de luminosidade artificial nas granjas permitiu que a produção fosse constante, eliminando as quedas de oferta que ocorriam antigamente durante o inverno. Em 2025, o país produziu a cifra recorde de 62,2 bilhões de unidades, um crescimento de quase 8% em relação ao ano anterior.
Um cenário de incertezas para o consumidor
Embora a produção de carne suína e de frango tenha apresentado uma leve deflação nos últimos meses (com quedas de até 1,62%), o choque externo provocado pela guerra pode anular esses ganhos. O alerta dos produtores é claro: enquanto o conflito no Irã mantiver o barril de petróleo em patamares elevados, o equilíbrio dos preços de ovos e carnes no Brasil continuará sob forte ameaça, exigindo que o consumidor prepare o bolso para novas correções.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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