Conheça as raças de burros e jumentos mais raros e que você não sabia que existia

De gigantes de pelos longos a símbolos culturais ameaçados de extinção, conheça raças de burros e jumentos que marcaram a história, a economia rural e os esforços modernos de conservação ao redor do mundo

Quando se fala em asno, a imagem mais comum ainda é a de um animal simples, associado ao trabalho duro e à vida rural tradicional. No entanto, essa visão ignora a enorme diversidade genética, histórica e funcional existente dentro da espécie. Ao longo dos séculos, diferentes regiões do mundo desenvolveram raças asininas únicas, adaptadas a climas extremos, terrenos desafiadores e funções específicas — da tração pesada à preservação ambiental. Algumas dessas raças chegaram a ser protagonistas econômicos, enquanto outras hoje lutam para não desaparecer. Conheça as raças de burros e jumentos mais raros e que você não sabia que existia.

A seguir, nesse conteúdo envolvendo genética, curiosidade e o mundo “equino”, conheça algumas das raças de asnos mais impressionantes, raras e pouco conhecidas do mundo, com histórias que misturam protagonismo, quase extinção e resistência.

Burro de Poitou

Poucos animais possuem uma identidade visual tão marcante quanto o Burro de Poitou, também conhecido como burro de Poitou. Originário da antiga província de Poitou, no oeste da França, ele se destaca imediatamente pelo porte gigantesco e pela pelagem longa, espessa e ondulada, que pode formar os famosos cadenettes — verdadeiros “dreadlocks naturais” quando não escovados.

A história da raça remonta ao período romano, mas seus registros formais aparecem já no início do século XVIII. Em 1717, documentos oficiais descreviam jumentos “tão altos quanto grandes mulas, cobertos por pelos de meio metro de comprimento”. O objetivo de sua criação era estratégico: produzir mulas de trabalho excepcionais, resultado do cruzamento com o cavalo Poitevin Mulassier.

Características marcantes:

  • Altura: entre 1,35 m e 1,50 m na cernelha
  • Pelagem: preta ou marrom, com áreas claras no focinho, olhos e ventre
  • Estrutura: corpo robusto, articulações largas, cabeça longa
  • Orelhas: grandes e frequentemente portadas na horizontal

Com a mecanização agrícola no século XX, a raça quase desapareceu. Hoje, o Baudet du Poitou é considerado patrimônio genético francês, mantido graças a programas rigorosos de conservação.

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Foto: Divulgação

American Mammoth Jackstock

Desenvolvido nos Estados Unidos no final do século XVIII, o American Mammoth Jackstock nasceu de um ambicioso projeto liderado por figuras históricas como George Washington. A meta era clara: criar jumentos gigantes para produzir mulas de tração extremamente potentes, usadas na agricultura, transporte e até em contextos militares.

O resultado foi a maior raça de burro do mundo.

Destaques da raça:

  • Altura mínima:
    • Machos: 1,47 m
    • Fêmeas: 1,42 m
  • Recorde mundial: Romulus, com 1,73 m
  • Orelhas: podem chegar a 84 cm de ponta a ponta
  • Cores comuns: preto, marrom escuro e castanho-avermelhado

Apesar de sua imponência, a raça está hoje criticamente ameaçada, com cerca de 2 mil indivíduos no mundo em 2025, segundo a The Livestock Conservancy. Além da produção de mulas, passou a ser valorizada como animal de montaria dócil, guardião de rebanhos e companheiro.

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Foto: livestockconservancy

Jumento Irlandês

Compacto, resistente e extremamente trabalhador, o jumento irlandês foi essencial para a sobrevivência rural da Irlanda até meados do século XX. Conhecido como o poor man’s tractor, era utilizado no transporte de turfa, alimentos e mercadorias em terrenos íngremes e pedregosos.

Principais características:

  • Altura: até 1,11 m
  • Pelagem: cinza-parda com cruz dorsal, mas também preto, branco e malhado
  • Temperamento: dócil, inteligente e confiável

Em 1897, a Irlanda possuía cerca de 247 mil jumentos. Com a mecanização agrícola, a população despencou. Hoje, o animal é mantido sobretudo como símbolo cultural, com apoio de instituições como a Irish Donkey Society e o Donkey Sanctuary, em Cork.

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Foto: secretireland

Burro andaluz

O burro andaluz, também chamado de Asno Cordobés ou Asno de Lucena, já foi considerado tão valioso que sua exportação chegou a ser proibida pela Coroa Espanhola no século XVIII. Mesmo assim, um exemplar foi enviado aos EUA em 1785, dando origem a importantes linhagens de muares.

Dados marcantes:

  • Altura: entre 1,50 m e 1,60 m
  • Pelagem: cinza-claro, curta e macia
  • Perfil: cabeça convexa e proporções elegantes
  • Temperamento: calmo e altamente treinável

Hoje, a raça está classificada como “em perigo de extinção”, com menos de 900 animais registrados e um número alarmantemente baixo de fêmeas puras.

Foto: Schlosshof

Burro dos pirineus

Originário das montanhas do sudoeste da França, o Âne des Pyrénées é reconhecido por sua resistência, equilíbrio e docilidade em terrenos íngremes.

Dois subtipos oficiais:

  • Gascão: mais baixo e robusto (1,20 m a 1,35 m)
  • Catalão: mais alto e elegante (acima de 1,35 m)

Possui pelagem geralmente preta brilhante, com focinho e contorno dos olhos claros, e não apresenta a cruz dorsal, comum em outros jumentos. Após quase desaparecer nos anos 1990, a raça foi recuperada, mas ainda é considerada ameaçada.

Foto: monedies

Asno selvagem africano

O asno-selvagem-africano (Equus africanus) é o ancestral direto de todos os jumentos domésticos. Adaptado a ambientes extremos, sobrevive em desertos e regiões semiáridas do nordeste da África.

Características-chave:

  • Pelagem: cinza-clara com reflexos azulados
  • Orelhas grandes: dissipação de calor
  • Subespécie somali: listras nas pernas, lembrando zebras
  • População estimada: menos de 200 indivíduos na natureza

A miscigenação com burros domésticos e a caça cultural colocam a espécie em risco crítico de extinção, apesar de programas internacionais de conservação.

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Foto: TLV and more

Burro Grand Noir du Berry

Originário da região de Berry, o Grand Noir du Berry é um burro francês de pelagem preta intensa, olhos vivos e “óculos” claros ao redor dos olhos. Utilizado historicamente em lavouras, vinhedos e no transporte fluvial, hoje é valorizado também como animal de lazer.

  • Altura: entre 1,35 m e 1,45 m
  • Personalidade: tranquila, afetuosa e sociável

É um exemplo de como a preservação transformou um antigo animal de trabalho em símbolo cultural e turístico.

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Foto: closdebeltaine

Burro miniatura mediterrâneo

Natural da Sicília e da Sardenha, o burro miniatura mediterrâneo não é resultado de seleção artificial, mas de adaptação natural.

Dados atuais:

  • Altura máxima: 91 cm
  • Peso: entre 91 e 204 kg
  • Expectativa de vida: até 40 anos

Extremamente dócil e inteligente, é usado hoje como animal de companhia, terapia e exposições, exigindo cuidados especiais com alimentação e cascos.

Foto: Hidden Valley Animal

Essas raças de burros e jumentos mostram que esses animais estão longe de serem apenas um coadjuvante da história rural. São animais que moldaram economias, culturas e paisagens, e que hoje representam um desafio urgente de conservação genética. Conhecê-los é também reconhecer a importância de preservar a diversidade animal que sustenta o passado — e pode influenciar o futuro — da produção agropecuária mundial.

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