Com produção limitada por animal, mas alto valor agregado, o leite de jumenta já movimenta nichos premium na Europa, Ásia e Brasil, impulsionado por raças de jumentas com maior produção de leite no mundo, ou seja, com maior aptidão leiteira.
A produção de leite de jumenta está em expansão em diferentes países, impulsionada pela crescente demanda por alimentos funcionais, produtos hipoalergênicos e derivados de alto valor agregado. Embora ainda seja um nicho dentro do setor lácteo mundial, o segmento vem se consolidando como alternativa econômica estratégica, especialmente em sistemas de pequena escala.
O principal atrativo está no preço. Em mercados europeus, o litro do leite de jumenta pode variar entre € 30 e € 60, dependendo da qualidade e certificação. Em alguns nichos premium, pode ultrapassar esses valores. Convertido para a realidade brasileira, isso significa algo entre R$ 160 e R$ 320 por litro, o que explica o interesse crescente pela atividade, mesmo com produção reduzida por animal.
A valorização está ligada à composição do leite, que apresenta perfil proteico semelhante ao leite humano, alta digestibilidade, baixo teor de gordura e propriedades funcionais. Além do consumo direto, o produto é utilizado na fabricação de fórmulas especiais para pessoas com alergia à proteína do leite de vaca (APLV), cosméticos e queijos raros.
Diferentemente da vaca, que pode produzir dezenas de litros por dia, a jumenta apresenta produção naturalmente limitada. A média diária costuma variar entre 0,2 litro e pouco mais de 1 litro por dia, dependendo da raça, manejo e estágio da lactação.
O pico produtivo geralmente ocorre entre 50 e 60 dias após o parto, podendo atingir cerca de 1,2 kg por dia em linhagens mais produtivas, especialmente em raças selecionadas do Norte da África e do Mediterrâneo.
É justamente por isso que a escolha da raça é determinante para a viabilidade econômica da atividade.
As raças de jumentas com maior produção de leite no mundo:
🟤 Ragusano (Itália)
A raça Ragusano é considerada uma das mais produtivas do mundo para leite. Originária da Sicília, é amplamente utilizada em fazendas especializadas no sul da Itália.
Destaca-se por:
- Boa persistência de lactação
- Produções que podem ultrapassar 1 litro por dia no pico
- Excelente qualidade nutricional do leite de jumenta
A Ragusano é base de vários projetos de conservação genética e produção artesanal de derivados lácteos.

🟤 Jumento do Norte da África
Estudos indicam que o jumento do Norte da África apresenta uma das maiores médias produtivas registradas, podendo superar 1 litro por dia no auge da lactação.
Além do volume, chama atenção pelo:
- Alto teor de proteína
- Perfil nutricional considerado superior em comparação a outras raças mediterrâneas
É uma das bases genéticas mais estudadas quando o assunto é leite de asininos.

🟤 Halari (Índia)
A Halari, originária do estado de Gujarat, na Índia, é reconhecida especificamente por sua aptidão leiteira.
Características:
- Pelagem geralmente branca
- Utilização tradicional para transporte e leite
- Valorização crescente em sistemas regionais
É uma das principais raças asiáticas associadas à produção láctea.

🟤 Zamorano-Leonês (Espanha)
A raça Zamorano-Leonês é de grande porte e vem sendo cada vez mais utilizada em operações leiteiras artesanais na Espanha.
Seu diferencial está na:
- Qualidade superior do leite
- Elevado teor de vitaminas e minerais
- Potencial produtivo consistente dentro dos padrões da espécie
Além do aspecto econômico, a atividade contribui para a preservação da raça, considerada rara.

🟤 Martina Franca (Itália)
A Martina Franca é outra raça italiana de grande porte utilizada no sul da Itália para produção leiteira em pequena escala.
Embora também tradicionalmente usada para reprodução de muares, apresenta:
- Boa estrutura corporal
- Produção estável dentro do padrão da espécie
- Participação em programas de conservação genética

🟤 Pêga (Brasil)
No Brasil, o destaque vai para o Pêga, raça mais comum em criações organizadas.
Embora o foco histórico seja a produção de muares, o Pêga possui:
- Porte maior
- Docilidade
- Potencial para programas de seleção voltados à produção leiteira

Alto valor agregado pode trazer benefícios
Em regiões semiáridas, iniciativas pontuais vêm explorando o leite de jumenta como alternativa de renda.
A produção de leite de jumenta é naturalmente limitada, mas essa característica é justamente o que sustenta o alto valor do produto. A baixa disponibilidade, somada às propriedades funcionais, transforma o leite de jumenta em produto premium e altamente valorizado.
Em países europeus, a produção ocorre principalmente em pequenas fazendas especializadas. A atividade, além de gerar renda, ajuda a preservar raças tradicionais muitas vezes ameaçadas de extinção.
Para produtores que buscam diversificação, especialmente em regiões de clima adverso, o leite de jumenta surge como alternativa de alto valor agregado — desde que haja raça adequada, manejo técnico eficiente e mercado estruturado.
O avanço do segmento indica que, mesmo com volumes reduzidos, as raças leiteiras de asininos estão ganhando espaço em um mercado que combina tradição, inovação e rentabilidade.
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