Do recorde mundial na suinocultura ao domínio das águas: conheça a estratégia de Milton Becker na Fazenda Santa Inês para se tornar o maior produtor de tilápia do Brasil, produzindo 40 milhões de juvenis anualmente com automação de ponta
O que acontece quando o maior recordista mundial em produtividade de suínos decide aplicar sua disciplina no mercado de peixes? A resposta está em Quatro Pontes, no Paraná, na Fazenda Santa Inês. Em uma expedição técnica detalhada em vídeo no canal oficial de Richard Rasmussen, conhecemos a operação de Milton Becker.
O produtor, que já é uma lenda no agro, agora se consolida como o maior produtor de tilápia do Brasil em eficiência de juvenis, alcançando números que desafiam a sazonalidade do setor.
Do “Leitão de Ouro” ao topo da piscicultura nacional
Milton Becker não é um estranho aos recordes. Oito vezes vencedor do prêmio Melhores da Suinocultura Agriness, ele detém a marca mundial de 38,3 leitões por porca/ano. Há cerca de um ano, Becker levou essa expertise para a água. Conforme os dados revelados na entrevista com Richard Rasmussen, sua propriedade de apenas 4,5 hectares (com 45.000 m2 de lâmina d’água) tem um objetivo claro: entregar entre 35 e 40 milhões de juvenis por ano.
Essa escala coloca Becker como o maior produtor de tilápia do Brasil no segmento de fornecimento para engorda. “Tudo o que for fazer, tem que fazer bem feito”, afirma o produtor, que utiliza um modelo de negócio similar ao da suinocultura, entregando animais jovens para que outros parceiros e cooperativas, como a Primato, finalizem o ciclo.
O segredo do maior produtor de tilápia do Brasil
O grande gargalo da piscicultura no Sul e Sudeste é o inverno, período em que a produção costuma desacelerar. Para superar esse gap, a Fazenda Santa Inês aposta em uma automação pesada fornecida pela AquaGermany. O sistema, monitorado via software e aplicativo, garante que a produção não pare nem nos meses mais frios.
Classificação Mecânica: Para evitar o estresse e a mortalidade, os peixes são movidos por bombas e separados por cilindros rotativos de aço inox, garantindo lotes padronizados de 18g a 20g.
Oxigenação Automatizada: Sondas medem o O2 em tempo real. Se o nível cai, os aeradores ligam sozinhos, evitando a perda de lotes inteiros por asfixia.
Alimentação de Precisão: O uso de ração extrusada, que flutua, impede que o alimento estrague no fundo do tanque, mantendo os níveis de amônia controlados.
Biosseguridade e reversão sexual
Outro ponto crucial destacado por Richard Rasmussen é o controle biológico. No laboratório da fazenda, as larvas passam por um processo de reversão sexual de 28 dias via ração. Isso garante lotes 100% masculinos, essenciais para evitar que a tilápia gaste energia com reprodução e foque totalmente no ganho de peso comercial.
Além disso, o maior produtor de tilápia do Brasil opera com biosseguridade total: a água vem de poços artesianos e o sistema não tem comunicação com bacias hidrográficas naturais. Isso elimina riscos ambientais e garante que o peixe brasileiro tenha uma qualidade sanitária muito superior aos produtos importados do Vietnã ou da China.
Escrito por Compre Rural com informações do canal oficial de Richard Rasmussen.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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