O momento é de preocupação com o aumento das cargas vindas de países do Mercosul, em especial Argentina e Uruguai.
Frente ao avanço constante das importações de lácteos pelo Brasil, o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite) enviou, nesta terça-feira (12/05), ofício ao governo federal cobrando medidas emergenciais e estreitamento do diálogo com o setor produtivo. O ofício foi endereçado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Segundo o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, o momento é de preocupação com o aumento das cargas vindas de países do Mercosul, em especial Argentina e Uruguai. O setor busca medidas efetivas que permitam redução de custo de produção no Brasil, apoio à sanidade dos rebanhos e melhoramento da competitividade no campo e na indústria. “Queremos uma política clara que nos traga igualdade de condições para competir com os produtores no Uruguai e Argentina”, pontuou.
Em um primeiro momento, cita Prestes, a ideia é intensificar o diálogo entre o governo e as entidades do setor. “O Estado brasileiro assiste de braços cruzados à redução no número de produtores de leite e ao fechamento de propriedades, como apontam os dados oficiais do IBGE e da ASCAR/Emater-RS. Até agora, nenhuma das políticas anunciadas foi efetiva para contornar esse problema”, lamentou. E disse mais: “Enquanto não atacarmos a raiz dessa questão, que é a entrada de leite importado, estudando salvaguardas, continuaremos em crise”.
O documento argumenta que o Brasil está entre os maiores produtores de leite do mundo, com produção anual próxima de 35 bilhões de litros. Conforme dados do IBGE e da Embrapa, a atividade leiteira está presente em mais de um milhão de propriedades rurais brasileiras, especialmente na agricultura familiar. Nos últimos anos, entretanto, os produtores, cooperativas e indústrias brasileiras passaram a enfrentar forte pressão econômica em um cenário agravado pelo crescimento das importações de leite em pó, queijo e outros derivados lácteos dos países pertencentes ao Mercosul.
“Os preços praticados para vendas dessas cargas ao Brasil vêm colocando produtos importados no mercado brasileiro abaixo do custo médio de produção nacional, gerando forte desequilíbrio concorrencial”, frisa Prestes. Além disso, argumentam as entidades representadas pelo colegiado, o setor produtivo nacional é penalizado pela existência de diferenças sanitárias, tributárias, ambientais e regulatórias. “O que temos hoje são condições desiguais de competitividade que favorecem nossos vizinhos a posicionarem sua produção no mercado brasileiro. Precisamos de equidade para competir com esses países”.
Somente entre janeiro e abril de 2026, ingressaram no Brasil aproximadamente 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo. O volume representa o equivalente a cerca de 709 milhões de litros de leite e corresponde a onze dias da produção nacional e, no caso de estados como o Rio Grande do Sul, a 60 dias de produção.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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