Saiba como identificar a contaminação no feno por fungos pela aparência, cheiro e textura — sinais que podem evitar cólicas e intoxicação em cavalos.
A alimentação dos cavalos exige atenção extrema — e o feno, base da dieta de grande parte dos equinos, pode se transformar em um verdadeiro risco quando contaminado. O que parece um alimento seguro pode esconder fungos, micotoxinas e até ovos de parasitas, comprometendo diretamente a saúde digestiva e respiratória dos animais.
Casos recentes reforçam o alerta: surtos envolvendo cavalos já foram associados ao consumo de feno contaminado, com registros de cólicas severas e mortes após ingestão de material com presença de fungos. O problema é ainda mais crítico porque, em muitos casos, o perigo não é visível.
Diferente de bovinos, os cavalos possuem um sistema digestivo extremamente sensível. Qualquer alteração na qualidade do alimento pode causar:
- Cólica (principal causa de morte em equinos)
- Distúrbios intestinais graves
- Intoxicações por micotoxinas
- Problemas respiratórios causados por poeira e fungos
Além disso, o manejo alimentar inadequado, aliado à presença de fungos no feno, pode intensificar processos de fermentação e produção de gases, agravando quadros clínicos. Por isso, saber identificar sinais no feno antes de oferecer aos cavalos é uma prática essencial — e pode salvar vidas.
Os fungos são o principal perigo no feno. Eles se desenvolvem em ambientes úmidos e produzem toxinas altamente nocivas aos equinos.
👀 Visualmente
- Presença de manchas brancas, cinzas, verdes ou pretas
- Aspecto de “algodão” ou pó fino sobre o feno
- Feno escurecido, amarronzado ou com aparência “queimada”
- Pontos concentrados de bolor (principalmente no interior do fardo)
👉 Qualquer mancha branca ou escura já indica presença de fungo e contaminação
👃 Pelo cheiro
- Odor de mofo ou ambiente fechado
- Cheiro de fermentação ou decomposição
- Aroma “azedo” ou diferente de capim seco
👉 Feno de qualidade deve ter cheiro fresco, semelhante a capim seco. Qualquer odor estranho é sinal de alerta.
✋ Na textura
- Sensação úmida ou pegajosa
- Feno “quente” (indicando fermentação interna)
- Excesso de poeira ao manusear (esporos)
👉 Poeira excessiva pode indicar presença de fungos e partículas inaláveis prejudiciais aos pulmões.

Veterinários alertam que alguns tipos de capim têm maior tendência a mofar internamente, o que dificulta a identificação e aumenta o risco de intoxicação. Entre os mais críticos estão os fenos produzidos a partir de gramíneas do gênero Cynodon, como Tifton 85, Coast-cross e Jiggs, além de forragens mais densas como Pangola e algumas espécies de Brachiaria, e também a Alfafa.
Esses materiais possuem maior volume de folhas, alta densidade e capacidade de reter umidade, o que pode dificultar a secagem uniforme durante o processo de fenação. Como consequência, favorecem o desenvolvimento de fungos no interior dos fardos, especialmente quando o enfardamento ocorre com umidade elevada ou armazenamento inadequado
Um dos maiores erros no manejo é avaliar apenas o exterior do fardo.
Especialistas alertam que o mofo pode estar concentrado no interior, mesmo quando o lado externo parece normal .
👉 Por isso, sempre abra o fardo antes de fornecer aos cavalos.
Os ovos e larvas de parasitas são praticamente invisíveis a olho nu, mas existem indícios claros de risco ligados à origem do feno.
Sinais de alerta:
- Feno com terra, poeira excessiva ou fezes
- Colheita muito rente ao solo
- Produção em áreas com alta carga parasitária
- Presença de restos orgânicos ou plantas invasoras
Importante:
O risco não está na aparência direta, mas no manejo. Ovos de parasitas podem sobreviver no ambiente e contaminar o alimento facilmente.
Ou seja:
👉 Feno bonito por fora não garante segurança.
A ingestão de feno contaminado pode desencadear quadros graves:
- Cólica aguda (com risco de morte)
- Empazinamento e acúmulo de gases
- Paralisia intestinal
- Intoxicação hepática
- Queda de desempenho e perda de peso
- Problemas respiratórios (especialmente em baias fechadas)
Em casos extremos, a evolução pode ser rápida e fatal — especialmente em animais estabulados, com menor mobilidade intestinal.
A prevenção é a única forma eficaz de proteger os cavalos.
Boas práticas essenciais:
✔ Escolha do feno
- Priorizar fornecedores confiáveis
- Evitar feno com odor estranho ou aparência irregular
✔ Armazenamento
- Local seco, ventilado e protegido da umidade
- Nunca armazenar diretamente no chão
✔ Manejo alimentar
- Sempre inspecionar antes de oferecer
- Preferir fornecimento no cocho (evita contaminação)
✔ Regra de ouro
- Na dúvida, descarte — nunca arrisque oferecer feno suspeito
A contaminação no feno é um problema silencioso, mas extremamente perigoso para cavalos.
E o detalhe mais importante: ela pode ser identificada com uma simples inspeção.
No dia a dia do haras, o cuidado deve ser constante:
👉 Viu, cheirou ou sentiu algo estranho? NÃO ofereça.
Porque, na equinocultura, um pequeno sinal no feno pode evitar uma grande perda.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.