Com alto valor agregado e demanda crescente no mercado gourmet, a criação legalizada de pacas une sustentabilidade, manejo técnico rigoroso e rentabilidade superior para o produtor rural
A busca por proteínas alternativas e de alto valor agregado tem transformado o cenário do agronegócio brasileiro, colocando animais silvestres no centro de investimentos promissores. A paca (Cuniculus paca), tradicionalmente apreciada na culinária do interior, consolidou-se como um item de luxo na gastronomia urbana.
Com o quilo da carne atingindo a marca dos R$ 100,00, a criação comercial legalizada surge como uma solução para a preservação da espécie e uma fonte de renda robusta, capaz de superar a rentabilidade da pecuária convencional em pequenas propriedades.
Por que a carne de paca é tão valiosa?
A carne de paca é amplamente considerada a melhor entre os animais silvestres brasileiros. Sua valorização no mercado não é apenas fruto da escassez, mas de suas propriedades organolépticas únicas.
- Características sensoriais: Possui cor clara, textura extremamente macia e um sabor suave, que não apresenta o gosto “forte” comum a outras carnes de caça.
- Perfil Nutricional: De acordo com estudos da Unesp (Universidade Estadual Paulista), a carne de paca apresenta baixos níveis de colesterol e uma composição de gordura predominantemente intramuscular (marmorizada), o que garante suculência sem excesso de gordura externa.
- Demanda Gourmet: Chefs de cozinha buscam o produto pela versatilidade, sendo ideal para assados lentos, confits e pratos de alta gastronomia que exigem uma proteína diferenciada.
O Projeto do criadouro

Para garantir o bem-estar animal e a produtividade, o projeto físico deve respeitar os hábitos da espécie. Pacas são animais noturnos, territorialistas e excelentes nadadores.
| Componente | Especificação Técnica |
| Recintos (Boxes) | Devem ter aproximadamente 15 a 20 m² para um harém (1 macho e até 5 fêmeas). |
| Piso e Paredes | Alvenaria revestida para facilitar a limpeza e evitar fugas por escavação. |
| Tanque de Água | Essencial para a higiene e estímulo à reprodução; deve ter renovação constante. |
| Ninhos | Caixas de cimento ou madeira que simulem tocas, protegidas da luz solar direta. |
| Manejo Sanitário | Sistema de drenagem eficiente para evitar umidade excessiva e doenças podais. |
Regulamentação e legalidade
A criação de pacas no Brasil é estritamente regulada pela Instrução Normativa nº 07/2015 do IBAMA. Operar sem registro é crime ambiental. O processo de legalização envolve:
- Consulta de Viabilidade: Verificar junto à prefeitura e órgão ambiental estadual (Ex: CETESB, IAT, SEMAD) se a atividade é permitida na zona escolhida.
- Plano de Manejo: Elaboração de um projeto técnico assinado por um Biólogo ou Veterinário, detalhando o plantel inicial e as medidas de segurança.
- Sistema SISFAUNA: Registro oficial no sistema de gestão de fauna silvestre.
- Marcação dos Animais: Todos os animais nascidos no criadouro devem receber um microchip de identificação.
- Abate Legal: Para vender a carne, o animal deve ser enviado a um abatedouro com selo SIF (Federal), SIE (Estadual) ou SIM (Municipal).
Manejo Reprodutivo e Alimentar
A paca tem uma taxa reprodutiva baixa em comparação a suínos, o que justifica o preço elevado. A fêmea tem, em média, duas gestações por ano, gerando apenas um filhote por vez.
A alimentação é o item de maior custo operacional, mas pode ser otimizada. Elas consomem cerca de 500g a 800g de alimento por dia. A dieta ideal consiste em um mix de frutas da estação, tubérculos (mandioca, batata-doce), milho em grãos e ração peletizada para coelhos ou roedores silvestres, garantindo o aporte vitamínico necessário para o crescimento rápido.
A criação de pacas não é um negócio de curto prazo. O retorno do investimento ocorre entre o segundo e o terceiro ano, após a estabilização do plantel matriz. No entanto, para o produtor que foca na profissionalização e na legalidade, o mercado é vasto e pouco explorado. Em um cenário onde o consumidor valoriza a origem sustentável e o bem-estar animal, a paca deixa de ser uma caça de floresta para se tornar o “ouro branco” do agronegócio de nicho.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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