Setor de ovinocultura do Rio Grande do Sul aciona o Ministério da Agricultura exigindo importação emergencial de insumos para conter surtos de parasitas que ameaçam a sanidade dos rebanhos.
O desabastecimento de insumos veterinários essenciais levou a cadeia produtiva de ovinos do Rio Grande do Sul a formalizar um pedido de socorro ao Governo Federal. Durante reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Ovinos, realizada nesta segunda-feira (16) pela Secretaria da Agricultura estadual, as lideranças do setor confirmaram que a falta de remédios para sarna e piolho atingiu um nível crítico, ameaçando a sanidade dos rebanhos gaúchos.
O grupo agora elabora um documento oficial destinado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) exigindo intervenções imediatas para restaurar o fluxo de abastecimento.
Vácuo sanitário e o impacto na produtividade gaúcha
A falta de remédios para sarna e piolho não é um problema isolado, mas um gargalo que compromete diretamente a competitividade da ovinocultura. Sem o controle rigoroso desses ectoparasitas, as propriedades enfrentam prejuízos que vão desde a depreciação da fibra da lã até a perda de peso dos animais e gastos elevados com manejos ineficientes. A ausência de produtos nas prateleiras comerciais tem deixado o criador sem ferramentas de defesa, criando um cenário de vulnerabilidade sanitária sem precedentes recentes no estado.
Segundo o pesquisador José Reck, do Instituto de Pesquisa Veterinária Desidério Finamor (IPVDF), o hiato na oferta de fármacos é um fenômeno regional. Países vizinhos como Uruguai e Argentina também registram dificuldades no combate às infestações por falta de acesso a princípios ativos. Reck, que deve realizar uma missão técnica em território argentino para trocar experiências com especialistas locais, destacou que o problema exige uma visão coordenada dentro do Mercosul.
Alternativas científicas: a aposta nas isoxazolinas
Enquanto a falta de remédios para sarna e piolho sufoca o cotidiano do campo, a ciência busca soluções de nova geração. Reck revelou o progresso de um estudo multicêntrico focado na aplicação da molécula isoxazolina no Brasil. Conhecida por sua alta performance em outras espécies, essa classe química surge como uma alternativa de alta eficácia para o controle de parasitas que já apresentam resistência aos tratamentos convencionais, embora o acesso comercial ainda dependa de trâmites regulatórios.
Setor exige importação emergencial para evitar colapso
A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO) defende que o setor não pode aguardar apenas as soluções de longo prazo. O presidente da entidade, Edemundo Gressler, enfatizou a necessidade de medidas excepcionais diante da escassez.
“Não há produtos específicos disponíveis no mercado varejista atualmente. O problema é real e imediato”, alertou Gressler.
A estratégia agora é levar a pauta à Câmara Setorial de Caprinos e Ovinos, em Brasília, visando pressionar o Mapa pela liberação de uma importação emergencial. O objetivo é viabilizar a entrada de lotes de medicamentos de outros países para suprir a demanda urgente. Paralelamente, o setor deve lançar uma cartilha técnica e campanhas educativas para reforçar o manejo preventivo e o uso correto de banhos sanitários como paliativos à crise.
VEJA MAIS:
- Dia do Cavalo viraliza e reacende debate sobre a importância dos equinos no agro brasileiro
- Governo Lula cria Parque Nacional do Albardão e gera forte impasse econômico no Sul
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias
Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.