Cruzamento entre Devon x Caracu garante produção de bezerros mais fortes e precoces

Estratégia de cruzamento une a rusticidade do taurino adaptado ao clima tropical com a precocidade e qualidade de carcaça da raça britânica, entregando um F1 de alto desempenho

Na pecuária de corte moderna, a busca pela eficiência é constante. O pecuarista brasileiro enfrenta um desafio duplo: garantir a rusticidade e adaptabilidade do rebanho ao clima tropical e, ao mesmo tempo, produzir animais precoces, com bom acabamento de carcaça e carne de qualidade.

Em resposta a essa demanda, um cruzamento específico tem chamado a atenção de especialistas e produtores: o Devon x Caracu. Esta combinação estratégica promete entregar o chamado “choque de sangue” (heterose) ideal, resultando em bezerros mais pesados na desmama, mais fortes e prontos para o abate em menos tempo.

O Porquê do Cruzamento: A Lógica da Heterose

O cruzamento entre o Devon (um Bos taurus taurus de origem britânica) e o Caracu (um Bos taurus taurus de origem ibérica, mas adaptado ao Brasil) não é aleatório. Ele se baseia em explorar a complementaridade e o vigor híbrido de duas linhas taurinas distintas.

O objetivo é claro: somar a extrema rusticidade e adaptação do Caracu, forjado em 500 anos de seleção natural no Brasil, com a precocidade, fertilidade e qualidade de carne mundialmente reconhecidas do Devon. O resultado é um animal F1 superior à média de ambas as raças parentais.

O Pilar da Rusticidade: Raça Caracu

Para que um cruzamento funcione no Brasil central e tropical, a base precisa ser rústica. É aqui que entra o Caracu. Sendo um taurino “crioulo”, descendente de raças ibéricas, ele possui características únicas:

  • Taurino Adaptado: Diferente dos taurinos europeus, o Caracu desenvolveu pelos curtos, pele mais espessa e maior vascularização, que lhe conferem alta tolerância ao calor e resistência a ectoparasitas, como o carrapato.
  • Eficiência a Pasto: É reconhecido por sua capacidade de digerir fibras grosseiras e se manter em pastagens de menor qualidade, uma realidade em muitas regiões do país.
  • Habilidade Materna: As vacas Caracu são conhecidas pela sua longevidade, fertilidade e excelente habilidade materna, desmamando bezerros pesados mesmo em condições desafiadoras.

O Toque de Qualidade: Raça Devon

Se o Caracu traz a estrutura e a adaptação, o Devon entra com o “motor” da produtividade e o acabamento final.

  • Precocidade Britânica: O Devon é uma raça clássica, famosa por sua extrema precocidade sexual (novilhas férteis mais cedo) e de terminação (atingem o ponto de abate mais rápido e com menos idade).
  • Qualidade de Carne: A raça é sinônimo de carne premium. Ela produz uma carcaça com excelente acabamento de gordura (marmoreio), fibras finas e alta maciez, atendendo aos mercados mais exigentes.
  • Facilidade de Parto: Uma das maiores vantagens do touro Devon é que seus bezerros nascem relativamente pequenos. Isso garante uma enorme facilidade de parto, reduzindo perdas neonatais e o desgaste das matrizes.

O Bezerro “Super-Taurino”

Ao cruzar um touro Devon com uma vaca Caracu (ou vice-versa), o pecuarista obtém um produto F1 com vantagens nítidas:

  1. Bezerros Fortes (Rusticidade): Os bezerros herdam a adaptação ao trópico do Caracu. Eles sofrem menos com o estresse térmico, são mais resistentes a parasitas e têm maior vitalidade para buscar o pasto, resultando em menor mortalidade.
  2. Bezerros Precoces (Produtividade): A genética Devon garante que esses bezerros tenham um ciclo encurtado. Eles atingem o peso de desmama mais rápido e, no confinamento ou na engorda a pasto, chegam ao ponto de abate muito mais cedo, com o acabamento de carcaça que a indústria frigorífica procura.
  3. Padronização de Lote: Como ambas as raças são de pelagem vermelha, o cruzamento resulta em um lote 100% vermelho, trazendo uniformidade e padronização visual ao rebanho, um fator muito valorizado na comercialização.
  4. Facilidade de Manejo: A docilidade, característica marcante em ambas as raças, é transferida aos bezerros F1, facilitando o manejo diário na fazenda.

A Estratégia na Prática: Otimizando o Cruzamento

A recomendação zootécnica mais comum para otimizar os resultados deste cruzamento é o uso de touros Devon sobre vacas Caracu.

Essa estratégia se baseia em maximizar os pontos fortes de cada raça:

  • A Base (Vaca Caracu): A fêmea Caracu, por ser um animal de grande porte e totalmente adaptado, oferece uma estrutura robusta e excelente habilidade materna. Ela atua como a “fábrica de bezerros” ideal para o ambiente brasileiro.
  • O Reprodutor (Touro Devon): O touro Devon entra para agregar precocidade e qualidade de carcaça. A principal vantagem é que os bezerros filhos de Devon nascem pequenos, o que praticamente elimina os riscos de problemas de parto (distocia), mesmo quando usados em novilhas Caracu.

Além disso, as fêmeas F1 (meio-sangue Devon x Caracu) resultantes deste cruzamento são consideradas matrizes excepcionais. Elas combinam a rusticidade e resistência do Caracu com a fertilidade e precocidade sexual do Devon, tornando-se uma base fantástica para cruzamentos terminais.

Uma Aposta Segura

Para o pecuarista que busca maximizar a produção de carne de qualidade sem abrir mão da adaptabilidade, o cruzamento Devon x Caracu se apresenta como uma das estratégias mais inteligentes e rentáveis da pecuária moderna. É a união perfeita entre a resistência do taurino adaptado e a eficiência produtiva do taurino britânico, gerando bezerros mais fortes, precoces e lucrativos.

Escrito por Compre Rural

ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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