Da escolha de terras à distribuição de recursos, novas tecnologias revolucionam custos no agro brasileiro

Com drones, inteligência artificial e plataformas de análise territorial, produtores e investidores ganham precisão para reduzir desperdícios, otimizar insumos e tomar decisões mais seguras na gestão da terra — o ativo mais estratégico do agro

Adaptar as principais tecnologias da era atual para aplicação no agronegócio brasileiro se tornou, sem dúvidas, um aspecto decisivo de competitividade. Em um cenário de custos crescentes, margens mais estreitas e maior pressa por eficiência, soluções baseadas em dados vêm se consolidando como instrumentos diretos de economia e gestão.

Recentemente, uma conversa com o empresário Caio Bianchi, sócio da empresa RDC Agrotec, do setor de drones agrícolas e florestais, evidenciou o impacto financeiro desse tipo de tecnologia na operação rural, especialmente o uso de mapeamento aéreo de alta resolução, que permite identificar falhas no plantio, estresse hídrico, início de pragas e necessidade real de aplicação de insumos. Na prática, isso reduz desperdícios, direciona intervenções e melhora o uso de recursos como defensivos, fertilizantes e combustíveis, sendo estes alguns dos itens que representam “o grosso” do custo operacional do produtor.

Ele comentou que, certamente, o principal fator de produção do agronegócio é o fator humano. Mas a adoção de tecnologias como drones aliados à inteligência artificial pode reduzir de forma significativa a necessidade de trabalho intensivo no campo. No setor florestal, por exemplo, em atividades de inspeção e amostragem, essa redução pode chegar a 70%.

Mais do que aumento de produtividade, trata-se de eficiência técnica. A agricultura de precisão oferece previsibilidade, algo cada vez mais valioso em um ambiente de instabilidade climática e econômica. Quem opera com informações confiáveis consegue antecipar decisões, reduzir riscos e otimizar o planejamento da safra.

Essa mesma lógica precisa ser aplicada ao mercado de terras, um dos ativos mais relevantes do agronegócio. Mas ainda é comum que decisões envolvendo compra, venda, arrendamento ou valorização de imóveis rurais sejam baseadas em critérios subjetivos, referências pouco atualizadas ou dados incompletos. Em muitos casos, observamos insegurança jurídica e distorções de preço.

A tecnologia aplicada à análise de imóveis rurais permite integrar informações agronômicas, geográficas, produtivas, ambientais e de mercado, oferecendo uma leitura mais precisa do valor e do potencial de cada área. No Chãozão, observamos que produtores e investidores que acessam esse tipo de inteligência conseguem negociar melhor, estruturar operações com mais segurança e alinhar o uso da terra à sua real vocação produtiva.

Gestão de Terras. Geórgia Oliveira, CEO do Chãozão,
Gestão de Terras. Geórgia Oliveira, CEO do Chãozão,

Assim como os drones transformaram o manejo ao permitir decisões mais assertivas em grandes áreas, plataformas de inteligência territorial ampliam a transparência e a eficiência no mercado de terras. 

Longe de substituir o conhecimento do produtor, mas é possível qualificá-lo com dados técnicos e análises comparativas consistentes. O Índice Chãozão de Valor do Hectare (ICVH), para citar apenas um, prova isso em menos de um ano de existência, ao apresentar informações úteis para a tomada de decisão de produtores e, também, de produtores, a partir insights como as localidades com maior potencial de valorização de terras.

Para o agro brasileiro, portanto, a tecnologia não é custo supérfluo, mas investimento com retorno mensurável. O próximo passo é consolidar essa mentalidade também na gestão patrimonial. Terra é ativo estratégico, e como todo ativo relevante, exige avaliação técnica, informação estruturada e visão de longo prazo.

No atual estágio do agronegócio, competitividade passa menos pela velha prática da intuição e mais pela capacidade de transformar dados, conhecimento e estrutura tecno em boas decisões

Por Geórgia Oliveira, CEO do Chãozão

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