Governo brasileiro negocia prazos de adaptação às novas regras europeias sobre antimicrobianos para preservar a competitividade das exportações de carnes
As negociações entre o governo brasileiro e as autoridades da União Europeia (UE) para estabelecer um protocolo de transição diante das novas exigências sanitárias do bloco continuam em andamento. O foco das discussões gira em torno do uso de antimicrobianos na produção animal. Durante sua participação no Veja Fórum Agro, o secretário Soares destacou que, apesar de complexo, o cenário é de otimismo. A expectativa é alcançar um desfecho favorável nos próximos dias, impulsionado pelo histórico de cooperação e pela sólida relação diplomática mantida entre o Brasil e o bloco europeu.
A área técnica do Executivo federal corre contra o tempo e está consolidando os relatórios e documentos necessários sobre o controle de antimicrobianos, com previsão de entrega oficial à UE até a próxima segunda-feira. De acordo com Soares, os diálogos bilaterais superam as barreiras estritamente sanitárias e alcançam a esfera comercial, servindo também como plataforma para pleitear a ampliação das exportações brasileiras de açúcar e etanol para o mercado europeu.
Um dos pontos centrais do debate é a formulação de uma regra de transição que respeite as particularidades de cada cadeia produtiva. Soares explicou que a adaptação técnica é consideravelmente mais célere na avicultura, cujo ciclo de produção gira em torno de 40 dias. Por outro lado, a pecuária bovina enfrenta um desafio estrutural muito maior, uma vez que o ciclo completo de desenvolvimento dos animais demanda entre 18 e 20 meses. O objetivo do governo é garantir um prazo regulatório que permita a reorganização dos produtores sem penalizar a competitividade do agronegócio.
Embora o mercado europeu represente atualmente menos de 5% do volume total das exportações brasileiras de carnes, ele é considerado altamente estratégico pelos técnicos do Ministério da Agricultura devido ao alto valor agregado dos cortes comercializados. Paralelamente ao esforço de manutenção desse nicho, o Brasil avança na diversificação de destinos internacionais. Mercados como o Japão, que oferece excelente remuneração por cortes específicos, o México, que abriu recentemente suas fronteiras à proteína brasileira, e nações africanas, com demanda crescente por carne de frango, consolidam-se como alternativas robustas para o setor.
Mesmo com a expansão em outros continentes, a consolidação de um entendimento com a União Europeia é tratada como prioridade para blindar a reputação internacional da carne brasileira. Soares assegurou que as novas cobranças externas não põem em xeque a excelência da defesa agropecuária nacional, classificando o sistema de vigilância sanitária do país como um dos mais robustos e eficientes do mundo. Como exemplo de eficácia, o secretário relembrou a velocidade de contenção dos focos recentes de influenza aviária em território nacional. Atualmente, o Brasil responde por cerca de 43% do comércio global de carne de frango, um patamar histórico que chancela a credibilidade e a segurança sanitária dos produtos nacionais no exterior.
As tratativas seguem em andamento sob forte coordenação institucional e interministerial, envolvendo diretamente o Ministério da Agricultura, o Itamaraty e a Presidência da República para assegurar que os interesses econômicos e técnicos do país sejam plenamente preservados.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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