Tempestade recente no México vitima rebanho e serve como um alerta global sobre a vulnerabilidade da produção a céu aberto frente à imprevisibilidade climática
A rotina diária no agronegócio é pautada por inovações tecnológicas e estratégias rigorosas, mas um evento recente serve como um alerta contundente para os produtores de todo o mundo. O clima sempre dita as regras finais. Quando falamos sobre as descargas elétricas na pecuária, referimo-nos a um dos maiores e mais imprevisíveis desafios do setor rural.
Uma violenta tempestade resultou recentemente na morte de diversos bovinos em solo mexicano, provando de forma dramática que, por mais que haja planejamento, nem tudo está sob o controle humano.
O perigo das descargas elétricas na pecuária
Mesmo com o avanço vertiginoso da tecnologia, a adoção de manejos eficientes e um planejamento de ponta dentro da porteira, a força da natureza permanece indomável. O recente e trágico episódio no México, onde um rebanho foi fatalmente vitimado por raios e intempéries climáticas, evidencia a vulnerabilidade do sistema produtivo a céu aberto.
As descargas elétricas na pecuária não escolhem o tamanho da fazenda ou o nível de investimento de capital do produtor. Elas representam uma força avassaladora e súbita que pode dizimar anos de trabalho genético e engorda em uma fração de segundos.
Recomendações da Embrapa para blindar a propriedade
A blindagem total contra intempéries é cientificamente impossível, mas a redução drástica de danos é uma meta alcançável. Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), como o especialista em instalações rurais Aloísio Torres de Campos, alertam de forma enfática sobre os riscos ocultos na infraestrutura das fazendas. O pesquisador pontua que as cercas de arame são excelentes condutoras de eletricidade, capazes de transportar a carga de um raio por quilômetros de distância.
Para evitar que as cercas funcionem como cordões elétricos letais, os guias técnicos da Embrapa recomendam o seccionamento e o aterramento rigoroso de todas as estruturas metálicas. Interromper a continuidade do arame utilizando mourões isolantes a cada trecho de pasto impede que a corrente atinja os animais encostados na cerca em locais distantes do ponto original de impacto. Além disso, a instalação de captores em galpões e sistemas de gaiolas de Faraday nos currais de manejo intensivo são medidas preventivas obrigatórias para resguardar o patrimônio e os peões.
Impacto financeiro e a tendência do Seguro Rural
A morte repentina de dezenas de cabeças de gado representa um golpe direto e implacável no fluxo de caixa da propriedade. Casos recentes acompanhados pelo setor em estados como Pará e Piauí, além do incidente relatado no México, demonstram perdas variando de R$ 25 mil a prejuízos que ultrapassam centenas de milhares de reais em um único evento climático. Diante desse risco sistêmico, a visão do produtor moderno precisa ultrapassar a fronteira exclusiva da nutrição e genética.
Consultores financeiros e analistas do agronegócio observam uma tendência acelerada na contratação de apólices de seguro rural com ampla cobertura para eventos climáticos extremos. A transferência desse risco incontrolável para as seguradoras deixou de ser vista como um custo operacional, passando a ser encarada como um pilar essencial de governança corporativa. Essa ferramenta estratégica garante que o pecuarista consiga repor os animais perdidos sem comprometer a viabilidade financeira da safra de bezerros ou da boiada em engorda.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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