Atriz de São José do Rio Preto (SP), que atuou em Bridgerton, transforma suas raízes no campo brasileiro em narrativa autoral no curta DOMA, que estreia em sessão especial no Cine Belas Artes
Após integrar o elenco de apoio de Bridgerton, série de sucesso da Netflix, a atriz brasileira Carolina Belarmino dá um passo decisivo em sua trajetória artística ao lançar o curta-metragem DOMA, projeto autoral que une cinema, identidade e raízes rurais. Natural de São José do Rio Preto, com laços profundos em Bálsamo, na região noroeste do Estado de São Paulo, Carolina retorna às próprias origens para contar uma história que dialoga com o campo brasileiro e suas camadas humanas.
DOMA terá sessão especial no Cine Belas Artes, em São Paulo, no dia 28 de fevereiro. O filme é descrito como “um drama íntimo e poético sobre amor, sacrifício e a coragem silenciosa necessária para apostar em si mesma quando todo o resto já foi perdido”.
No curta, Carolina interpreta Mariana, jovem amazona que se vê obrigada a vender sua égua, Doma, para custear as despesas médicas do pai, à beira da morte. A trama se desenvolve a partir de um dilema pessoal que transcende o ambiente rural e alcança temas universais como família, renúncia e identidade.

O projeto marca a estreia de Carolina como produtora. A direção é assinada pelo cineasta britano-nigeriano Alexander Igbanoi, e o elenco conta ainda com Wilson Rabelo, conhecido por sua atuação em Bacurau, além de Vanderlei Bernardino (Mussum, o Filmis) e Andrea Capelli.
Raízes no interior paulista
As gravações aconteceram em julho de 2025, em São José do Rio Preto e em Bálsamo, no interior paulista — território que ajudou a moldar sua visão de mundo e, agora, sua narrativa cinematográfica.
Embora tenha crescido na cidade, Carolina mantém uma conexão orgânica com o campo. “Eu cresci na cidade, mas meus pais cresceram na roça e tinham amigos com sítios onde eu passava os finais de semana andando a cavalo, brincando com galinhas e outros animais, indo nos rodeios da região. Cheguei a fazer várias aulas de três tambores, mas parei antes que pudesse competir. Fomos várias vezes para Barretos juntos, era um passeio em família que marcou bastante”, relembra.
A referência é à tradicional Festa do Peão de Barretos, um dos maiores eventos do gênero na América Latina. O vínculo com o universo rural permanece vivo: “Meu irmão se tornou veterinário de touros de rodeio e hoje trabalha com leilão de gado, então continuo inserida nesse meio dessa forma quando volto ao Brasil.” 
O campo brasileiro para o mundo
Após participar de uma das produções mais populares da Netflix, Carolina optou por apresentar ao público internacional uma faceta menos explorada do Brasil.
“Eu queria algo original, que me diferenciasse das demais histórias contadas por aqui e quis usar minha brasilidade como principal força. Me perguntei o que eu poderia oferecer que quase ninguém por aqui poderia: rodeio e a história do campo brasileiro. Quando estrangeiros ouvem falar de Brasil, logo pensam em Carnaval, futebol e Amazônia. E se eu pudesse mostrar um lado que eles ainda não viram e que faz parte do meu dia a dia e história no Brasil? Foi daí que surgiu a ideia para o filme”, afirma.
O curta aborda o rodeio por meio da modalidade dos três tambores — prática que, segundo a atriz, carrega significado que vai além da competição. “É muito especial poder retratar uma realidade que ainda não é tão conhecida do Brasil lá fora. O campo e o rodeio têm histórias e camadas que merecem ser exploradas, fazem parte da identidade brasileira e carregam uma riqueza cultural enorme. O rodeio, por exemplo, vai muito além da disputa: ele carrega identidade, pertencimento e resistência.”
Ela também destaca o peso simbólico de levar essa narrativa para audiências internacionais, inclusive para profissionais da indústria audiovisual com quem conviveu após sua participação em Bridgerton. “Mostrar um pedacinho desse universo para o mundo é uma grande responsabilidade e algo que me deixa muito orgulhosa, porque amplia o olhar sobre o país, dando visibilidade a narrativas que merecem ser contadas.”
Carolina reconhece que o campo brasileiro frequentemente aparece no debate público associado a conflitos ambientais ou disputas políticas. Para ela, produções culturais podem ampliar esse enquadramento.
“Acredito que muitas vezes o campo brasileiro é retratado apenas a partir de conflitos, problemas ambientais ou disputas políticas, e isso acaba criando uma visão simplificada e, por vezes, injusta. Existem muitas histórias importantes que precisam ser contadas: de famílias que atravessam gerações na mesma terra, de pequenos produtores que trabalham o dia todo para sustentar a família, de tradições que preservam a herança cultural.”
Na avaliação da atriz, humanizar o campo é uma forma de romper estereótipos. “Mostrar essa diversidade e complexidade é essencial para aproximar as pessoas da realidade rural e ajudar a quebrar narrativas parciais.”
Inicialmente concebido como um longa-metragem, DOMA pode ganhar novos desdobramentos no futuro. “Espero que o filme desperte emoções, reflexões e conversas após a sessão, e que as pessoas se reconheçam, de alguma forma, na jornada da personagem. Também desejo que seja bem recebido artisticamente e que essa exibição abra portas para novas oportunidades e futuros projetos”, conclui.
Com DOMA, Carolina Belarmino não apenas amplia sua trajetória após Bridgerton, mas também reposiciona o campo brasileiro no centro de uma narrativa sensível, autoral e exportável — construída a partir de São José do Rio Preto para o mundo.
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