Insumos biológicos ganham espaço no milho e no café ao reduzir custos, melhorar o solo e aumentar a produtividade com manejo mais sustentável.
Diante do aumento dos custos de produção e da maior variabilidade das condições climáticas, produtores de milho e café têm buscado estratégias que aliem eficiência econômica, produtividade e sustentabilidade. Nesse contexto, o uso de insumos biológicos vem se consolidando como uma alternativa técnica eficaz para otimizar recursos, fortalecer as lavouras e garantir maior previsibilidade ao manejo agrícola.
Eles contribuem para reduzir a dependência de produtos químicos tradicionais, cujos preços são mais voláteis, além de promover melhor aproveitamento dos nutrientes já disponíveis no solo. Inoculantes, biofertilizantes e agentes de biocontrole atuam diretamente na ciclagem de nutrientes, na solubilização de fósforo e no estímulo ao crescimento radicular, favorecendo o desenvolvimento mais equilibrado das plantas.
“Os insumos biológicos permitem que a planta utilize melhor os recursos já disponíveis no solo, como água e nutrientes, o que se traduz em mais eficiência produtiva e menor dependência de insumos químicos. No milho e no café, o uso contínuo dessas soluções fortalece o sistema radicular, melhora o vigor das plantas e aumenta a resiliência frente a estresses climáticos, fatores decisivos para a rentabilidade do produtor”, explica Vinicius Vigela, Desenvolvimento Técnico de Mercado da Nitro.
No milho, especialmente em sistemas de segunda safra, os biológicos favorecem o desenvolvimento de raízes mais profundas e funcionais, ampliando a capacidade de absorção de água e nutrientes e aumentando a tolerância a períodos de seca e altas temperaturas. Além disso, o uso de biológicos associada a bioinseticidas contribui para a redução de perdas causadas por pragas, como a cigarrinha-do-milho, dentro de um manejo integrado.
Já no café, cultura perene e altamente sensível a desequilíbrios nutricionais e estresses ambientais, os insumos biológicos atuam na manutenção da sanidade do sistema radicular, na melhoria da estrutura do solo e na longevidade produtiva das áreas. Solos biologicamente equilibrados favorecem a absorção de nutrientes, reduzem a pressão de patógenos e podem postergar a necessidade de renovação dos cafezais.
Outro benefício relevante está na redução dos custos de manejo ao longo do ciclo produtivo. Com plantas mais eficientes do ponto de vista fisiológico e nutricional, o produtor pode otimizar as doses de fertilizantes minerais e, em alguns casos, reduzir o número de aplicações de defensivos químicos, mantendo o potencial produtivo da lavoura. Essa combinação entre ganho de produtividade e racionalização de insumos é o principal fator que sustenta o retorno sobre investimento associado ao uso de biológicos.
Em regiões como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Bahia, onde predominam solos mais intemperizados, os ganhos relacionados à solubilização de fósforo e à melhoria da fertilidade do solo são ainda mais perceptíveis. Já em estados tradicionais na produção de café, como Minas Gerais e São Paulo, o uso de biológicos reforça práticas sustentáveis, contribui para o manejo integrado de pragas e doenças e atende às exigências de mercados cada vez mais atentos à qualidade e à origem do produto.
Para produtores que estão iniciando o uso dessas tecnologias, a orientação é partir de um diagnóstico correto da área, com análises de solo e foliar, além da escolha de produtos registrados, de alta qualidade e compatíveis com o manejo adotado. A correta aplicação, respeitando condições ambientais e o estágio fenológico das culturas, é determinante para alcançar resultados consistentes.
Mais do que soluções pontuais, os insumos biológicos representam uma mudança de abordagem no manejo agrícola. Ao estimular a atividade microbiológica do solo, contribuem para a formação de ambientes mais equilibrados e supressivos a patógenos, sustentando a produtividade no longo prazo.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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