Fenômeno climático El Niño ganha força no Oceano Pacífico e preocupa produtores rurais com risco de atraso das chuvas, calor intenso, estiagens e eventos extremos em diferentes regiões do país
O agronegócio brasileiro acompanha com atenção a evolução de um fenômeno climático que pode influenciar diretamente a próxima temporada agrícola. Os modelos meteorológicos mais recentes indicam o retorno do El Niño ao longo de 2026, com possibilidade de atingir intensidade forte durante a primavera e o verão, período decisivo para o plantio e desenvolvimento das principais culturas do país.
Embora o termo “Super El Niño” tenha ganhado espaço nas manchetes, especialistas destacam que essa não é uma classificação científica oficial. O correto é falar em um El Niño forte ou muito forte, capaz de provocar alterações significativas nos padrões de chuva e temperatura em diversas regiões brasileiras.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança altera a circulação atmosférica global e influencia diretamente o regime de chuvas e temperaturas em vários continentes.
Historicamente, o fenômeno costuma provocar:
- Mais chuva no Sul do Brasil;
- Menos chuva no Norte e Nordeste;
- Aumento das temperaturas em grande parte do país;
- Maior ocorrência de eventos climáticos extremos;
- Alterações no calendário agrícola.
Safra 2026/27 pode enfrentar atraso das chuvas
A principal preocupação dos produtores está concentrada no Brasil Central, especialmente em áreas estratégicas para a produção de soja, milho e algodão.
Meteorologistas alertam que existe risco de atraso na chegada das chuvas da primavera, principalmente em regiões do norte de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e centro-sul de Mato Grosso. Em algumas áreas, as precipitações que normalmente começam na segunda quinzena de setembro podem se consolidar apenas em outubro.
Esse cenário pode impactar diretamente:
- O início do plantio da soja;
- O calendário da segunda safra de milho;
- A produtividade das lavouras;
- Os custos de produção e irrigação.
Como o El Niño pode afetar cada região
Sul do Brasil deve enfrentar mais chuva
O Sul tende a registrar os impactos mais clássicos do fenômeno. A expectativa é de aumento das precipitações, maior frequência de temporais, granizo, ventos fortes e risco elevado de enchentes. Os efeitos devem se tornar mais evidentes entre julho e agosto.
Especialistas alertam que a combinação entre frentes frias e umidade vinda da Amazônia pode favorecer eventos extremos semelhantes aos observados nos últimos anos no Rio Grande do Sul.
Centro-Oeste pode enfrentar irregularidade das chuvas
No Centro-Oeste, o cenário é mais complexo. Algumas áreas podem registrar volumes acima da média, enquanto outras devem sofrer com atrasos das chuvas e períodos prolongados de calor.
A região está localizada justamente na faixa de transição entre áreas favorecidas e prejudicadas pelo fenômeno, aumentando a incerteza para os produtores.
Nordeste deve enfrentar seca e calor intenso
O Nordeste aparece entre as regiões mais vulneráveis ao avanço do El Niño.
As projeções indicam redução das chuvas no Matopiba, Sertão e Agreste, com aumento do risco de estresse hídrico, dificuldades para o plantio e maior incidência de queimadas.
Além da falta de chuva, os meteorologistas preveem temperaturas acima da média e períodos prolongados de calor durante o segundo semestre.
Norte pode sofrer com estiagem e queimadas
Na Região Norte, o impacto deve variar entre excesso e falta de chuva, dependendo da localização.
Estados como Tocantins, Acre, Rondônia e sul do Pará podem enfrentar redução significativa das precipitações, aumento das temperaturas e crescimento do risco de queimadas.
O cenário também preocupa devido à possibilidade de rios com níveis abaixo da média, afetando logística, abastecimento e atividades produtivas.
Produtores devem acompanhar atualizações climáticas
Apesar das projeções indicarem um El Niño forte, especialistas reforçam que ainda é cedo para prever com precisão eventos extremos específicos para cada região. Os modelos climáticos devem ganhar maior confiabilidade ao longo dos próximos meses, à medida que o fenômeno se consolida sobre o Pacífico.
A recomendação é que produtores rurais acompanhem regularmente as atualizações meteorológicas e revisem estratégias de manejo, planejamento de plantio, irrigação e gestão de riscos.
Com a safra 2026/27 se aproximando, o comportamento do El Niño será um dos fatores mais importantes para definir o potencial produtivo das principais regiões agrícolas do Brasil.
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