Muitos se perguntam se o marco zero do agronegócio nacional sobreviveu aos séculos. A resposta é: ela não só existe, como algumas ainda operam. Descubra agora quem são os sobreviventes dessa história.
Quando olhamos para a grandiosidade do agro hoje, surge a dúvida: ela ainda existe? Onde está a primeira peça desse dominó que transformou o Brasil no celeiro do mundo? A busca pela fazenda mais antiga do Brasil nos leva a um cenário fascinante. Ao contrário do que muitos pensam, as estruturas primordiais não desapareceram completamente na poeira da história. Elas resistem, mas de formas muito diferentes.
Para responder à pergunta do título com precisão, precisamos dividir a resposta em duas realidades: aquelas que existem como monumento histórico e aquelas que existem como negócio produtivo. Confira abaixo o raio-x dessas propriedades e seu estado atual em 2026.
A “mãe” de todas: Ela existe, mas como sítio arqueológico

Se formos rigorosos com a data de nascimento, a fazenda mais antiga do Brasil é o Engenho São Jorge dos Erasmos (1534), na divisa entre Santos e São Vicente (SP). Mas ela ainda existe como fazenda? Não.
Hoje, ela existe como um sítio arqueológico. O local é uma “janela do tempo” gerida pela USP. O que você vê lá não são plantações, mas as ruínas de pedra de uma fortaleza industrial que foi financiada por banqueiros flamengos no século XVI. Ela está de pé, estabilizada e aberta à visitação gratuita (mediante agendamento), servindo como prova física de que o nosso agro nasceu globalizado.
A fortaleza feudal: Ela existe e virou show de tecnologia

Outra candidata forte ao posto de fazenda mais antiga do Brasil é a Casa da Torre de Garcia d’Ávila (1551), na Bahia. Foi dali que saiu o maior latifúndio do mundo. Mas ela ainda existe?
Sim, e de forma espetacular. As ruínas do castelo medieval — único nas Américas — foram consolidadas e transformadas em um parque turístico de alto padrão. Em 2026, a “fazenda” usa Video Mapping (projeção de luzes) nas paredes seculares para contar sua história aos turistas. Ela deixou de produzir gado para produzir cultura e turismo.
A sobrevivente do abandono: A ressurreição da Colubandê

Até pouco tempo, se você perguntasse sobre a Fazenda Colubandê (c. 1618) no Rio de Janeiro, a resposta seria triste: ela estava desaparecendo sob saques e abandono.
O Estado Atual: A realidade mudou drasticamente. Após um restauro milionário entregue em setembro de 2025, ela voltou a existir com dignidade. Hoje, funciona sob um modelo misto de segurança policial (CPAm) e centro cultural. Ela provou que é possível renascer das cinzas.
A resposta definitiva para o produtor: Ela existe e nunca parou de moer
Para o leitor do Compre Rural, uma fazenda só “existe” se estiver produzindo riqueza. Sob essa ótica, a fazenda mais antiga do Brasil é, sem dúvida, a Usina Petribu, localizada na Zona da Mata Norte de Pernambuco (Lagoa de Itaenga).
Fundada em 1729, ela é um fenômeno mundial de longevidade empresarial. Enquanto outras viraram museus, a Petribu atravessou 300 anos evoluindo do engenho de bangüê (tração animal) e do vapor para se tornar uma potência da Indústria 4.0.

Não se trata de uma peça de museu, mas de uma das usinas mais eficientes do Nordeste.
- Gestão Familiar: O feito mais impressionante é a continuidade. A propriedade permanece sob controle da mesma família (Família Cavalcanti Petribu) há quase três séculos, passando o bastão de geração em geração.
- Poder de Fogo: A usina opera hoje com uma frota de cerca de 400 máquinas (entre colhedoras, tratores e caminhões) e gera impressionantes 5.300 empregos diretos na safra.
- Área e Produção: São 30.000 hectares de terras próprias (sendo 18.500 dedicados exclusivamente ao canavial), com uma capacidade de moagem que atinge 8.500 toneladas de cana por dia.
Veredito
Respondendo ao título: sim, ela ainda existe. Seja nas pedras preservadas dos Erasmos ou nas chaminés fumegantes da Petribu, a fazenda mais antiga do Brasil continua de pé.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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