Conheça a história de João Alves de Lima, que saiu do sertão potiguar para criar a 3corações, o maior império de café do Brasil, hoje faturando R$ 11 bi.
A história do agronegócio brasileiro é pavimentada por narrativas de superação, mas poucas são tão emblemáticas quanto a trajetória que transformou uma venda porta a porta no sertão potiguar no maior império de café do Brasil. O protagonista dessa saga é João Alves de Lima, carinhosamente conhecido como “Seu João”, um homem de origem simples que, armado apenas com inteligência emocional e uma mula, construiu os alicerces do que hoje conhecemos como o Grupo 3corações.
Em 1959, enquanto o eixo Sudeste vivia a efervescência da industrialização, a realidade em São Miguel (RN) era árida. Foi nesse cenário que Seu João deu início ao seu empreendimento. Diferente dos gigantes da época, ele não possuía frotas ou maquinário de ponta. Sua logística dependia exclusivamente do lombo de um animal para transportar o café verde, que ele mesmo torrava e moía de forma artesanal. Naquela época, a marca atendia pelo nome de Café Nossa Senhora de Fátima, um reflexo da fé inabalável do sertanejo, antes de evoluir para a renomada marca Santa Clara.
A gênese do maior império de café do Brasil
A virada de chave de um negócio local para uma potência regional começou na década de 1980. Demonstrando uma visão de governança corporativa rara para a época, João Alves de Lima preparou seus filhos — Pedro, Paulo e Vicente — para assumirem o comando.
Em 1984, ocorreu a sucessão. Pedro Lima, atual presidente, chegou a abandonar a faculdade de Agronomia para atender ao chamado do pai. A nova geração percebeu que o Rio Grande do Norte havia ficado pequeno para a ambição da família. Em uma jogada arriscada, transferiram a sede para o Eusébio, na Grande Fortaleza (CE). A estratégia de “invadir” o Ceará foi o primeiro passo para consolidar a liderança absoluta nas regiões Norte e Nordeste.
A virada global: Joint Venture e expansão agressiva
O ano de 2005 marcou a transformação definitiva da empresa familiar em uma corporação global. A família Lima firmou uma joint venture histórica com o Strauss Group, gigante multinacional de Israel. Com a estrutura de capital dividida em 50% para cada parte (São Miguel Holding e Strauss Coffee), a empresa ganhou fôlego financeiro e acesso à tecnologia de ponta, especialmente no segmento de cápsulas e máquinas.
Foi com esse aporte que o grupo partiu para uma agressiva estratégia de consolidação de mercado, adquirindo concorrentes estratégicos para formar o maior império de café do Brasil.
Entre as principais aquisições que desenharam o mapa do café nacional, destacam-se:
- Café 3 Corações (2005): Marca líder em Minas Gerais e forte no Sudeste, que acabou rebatizando o nome do grupo devido ao seu apelo nacional.
- Pimpinela (2009): Para dominar o mercado do Rio de Janeiro.
- Cia Iguaçu (2016): Entrada pesada no setor de café solúvel e exportação no Paraná.
- Mitsui Alimentos (2019): Aquisição das marcas Café Brasileiro e .br Gold.
Os números atuais do maior império de café do Brasil
Atualmente, sob a liderança de Pedro Lima, que mantém a cultura do “olho do dono” herdada do pai, o Grupo 3corações projeta um faturamento anual na casa dos R$ 11 bilhões. A operação é um monstro logístico necessário para atender um país continental.
Segundo dados corporativos recentes (2024/2025), a estrutura conta com:
- Mais de 8.500 colaboradores diretos.
- 9 complexos industriais, incluindo a fábrica de cápsulas em Montes Claros (MG), única fora de Israel/Itália com tecnologia exclusiva.
- 27 Centros de Distribuição próprios, garantindo que o produto chegue do pequeno mercadinho às grandes redes.
João Alves de Lima faleceu em 2018, mas seu legado permanece vivo. A união entre a agilidade comercial nordestina e a inovação israelense provou ser a receita perfeita. Hoje, o grupo não apenas lidera o mercado, mas domina as gôndolas com um portfólio que vai do café popular ao super premium, reafirmando diariamente sua posição como o maior império de café do Brasil.
Escrito por Compre Rural
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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