Em meio à crise da carne, EUA perdem 15 mil fazendas e 1 milhão de hectares em 2025

Relatório do USDA mostra queda no número de fazendas nos EUA, redução de 1 milhão de hectares e avanço das grandes fazendas em meio a falências e recessão no setor agrícola

Os Estados Unidos encerraram 2025 com um novo recuo estrutural no campo. Em meio à crise da carne bovina, ao aumento das falências rurais e ao ambiente de recessão no setor agrícola, o país perdeu 15 mil fazendas em apenas um ano, com redução de redução de 1 milhão de hectares aprofundando um movimento de encolhimento que já dura décadas. Em resumo, relatório do USDA mostra queda no número de fazendas nos EUA, redução de 1 milhão de hectares e avanço das grandes fazendas.

De acordo com o relatório oficial Land in Farms 2025, do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o número total de propriedades rurais caiu para 1,865 milhão de fazendas, consolidando uma trajetória de redução contínua. A retração não ocorreu de forma isolada. Ao mesmo tempo, a área total destinada à atividade agrícola também diminuiu, enquanto as grandes propriedades ampliaram sua participação na estrutura fundiária americana.

Queda generalizada no número de fazendas nos EUA e a liderança do Texas nas perdas

Os dados apontam que nenhum estado registrou aumento no número de fazendas em 2025, com impacto diante da crise da carne. O maior impacto foi observado no Texas, que perdeu 2 mil operações rurais no período — embora continue sendo o estado com o maior número de propriedades do país, somando 229 mil fazendas.

No Meio-Oeste, região estratégica para grãos e proteína animal, os recuos também chamam atenção:

  • Illinois: -400 fazendas (69.600 no total)
  • Iowa: -500 fazendas (86.200)
  • Indiana: -500 fazendas (51.500)
  • Nebraska: -200 fazendas (44.100)
  • Minnesota: -1.300 fazendas (64.000)

O movimento reforça a tendência de consolidação produtiva, especialmente em estados com forte presença de agricultura de larga escala.

Área agrícola encolhe mais de 1 milhão de hectares

Além da redução no número de propriedades, o levantamento mostra que a área agrícola total caiu para 353,7 milhões de hectares, uma retração anual de 1,02 milhão de hectares. Apesar disso, o tamanho médio das fazendas aumentou para 190 hectares, ante 189 hectares no ano anterior.

O dado revela um fenômeno claro: menos fazendas, porém maiores.

Nos números agregados em acres, o total de terras em uso agrícola ficou em 873,95 milhões de acres, recuo de 0,3% frente a 2024.

Especialistas apontam que, na queda no número de fazendas nos EUA, a pressão vem de múltiplos fatores:

  • Urbanização crescente
  • Baixa rentabilidade por hectare, especialmente em grãos
  • Custos elevados de insumos
  • Pressões financeiras e endividamento

Número de Fazendas, Área em Fazendas e Tamanho Médio das Propriedades – Estados Unidos (2018–2025)

AnoNúmero de FazendasÁrea em Fazendas (mil acres)Tamanho Médio da Fazenda (acres)
20182.023.200898.860444
20192.007.600894.930446
20201.992.200893.110448
20211.959.550888.000454
20221.900.650879.660463
20231.894.950878.560464
20241.880.000876.460466
20251.865.000873.950469
Queda no número de fazendas nos EUA. Elaborado pelo Compre Rural

Pequenos produtores encolhem; grandes avançam

A retração foi quase generalizada entre as faixas de faturamento. O único grupo que apresentou crescimento foi o das fazendas com vendas anuais superiores a US$ 1 milhão, que registraram aumento líquido de 50 unidades. Já as propriedades com faturamento entre US$ 1.000 e US$ 9.999 perderam 8 mil unidades, a maior queda entre todas as categorias.

Segundo o USDA, as fazendas com faturamento acima de US$ 500 mil passaram a controlar 50,1% de toda a área agrícola americana em 2025, enquanto aquelas com vendas acima de US$ 1 milhão ampliaram sua base territorial em 344 mil hectares .

Por outro lado, a estrutura produtiva continua numericamente dominada por pequenas propriedades:

  • 48% das fazendas faturam menos de US$ 10 mil por ano
  • 78,8% registram receita inferior a US$ 100 mil

O contraste é evidente: a maioria das propriedades é pequena em receita, mas a maior parte da terra está nas mãos das grandes operações.

Número de fazendas nos EUA: Falências sobem 46% e dívida bate recorde

O ambiente econômico ajuda a explicar o movimento de queda no número de fazendas nos EUA. Em 2025, os pedidos de falência no agronegócio americano cresceram 46% na comparação anual, totalizando 315 solicitações com base no Capítulo 12 da legislação dos EUA .

As perspectivas para 2026 indicam agravamento do quadro:

  • Dívida agrícola total projetada em US$ 624,7 bilhões (+5,2%)
  • Empréstimos agrícolas cresceram 40% no último trimestre de 2025
  • Valor médio dos financiamentos subiu 30%

Além disso, o sentimento no campo piorou. Pesquisa da Universidade Purdue com o CME Group mostrou que a proporção de agricultores que esperam dificuldades financeiras subiu de 47% para 59% entre dezembro e janeiro .

Recessão agrícola e aceleração da consolidação

O cenário macroeconômico reforça o alerta. Segundo levantamento citado no relatório, 76% dos economistas afirmam que o setor agrícola de grãos dos EUA está em recessão, e 74% dos produtores concordam .

Mais que isso, 72% dos economistas acreditam que preços baixos e custos elevados irão expulsar operações mais frágeis do mercado, enquanto 80% dos varejistas preveem aumento da consolidação no setor .

⚠️ O diagnóstico é claro: o campo americano vive não apenas um ciclo negativo, mas um teste estrutural de sobrevivência.

Leite: menos fazendas, mesma produção

O setor leiteiro ilustra bem o processo. Em Wisconsin, estado símbolo da produção láctea, restavam cerca de 5.100 rebanhos leiteiros no início de 2026, pouco mais da metade do número registrado há 10 anos .

Entretanto, o número de vacas ordenhadas permanece semelhante ao de duas décadas atrás, e a produção anual segue levemente crescente — reflexo direto da consolidação e da maior escala produtiva.

O que isso significa para o Brasil?

Para o agronegócio brasileiro, os dados são estratégicos. A redução estrutural da base produtiva nos EUA, aliada ao aumento da dívida e à concentração fundiária, pode:

  • Reduzir competitividade em determinadas cadeias
  • Alterar fluxos globais de exportação de carne e grãos
  • Intensificar disputas comerciais
  • Criar oportunidades para o Brasil ampliar participação no mercado internacional

Enquanto enfrentam queda no número de fazendas nos EUA, mais dívida e maior concentração, o Brasil segue expandindo área, tecnologia e produtividade — o que pode redesenhar o equilíbrio global do agro nos próximos anos.

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