Embrapa descobre óleo do Cerrado eficaz contra fungos e bactérias em frutas

Pesquisa da Embrapa com o óleo do Cerrado contra fungos, extraído do alecrim-do-mato, apresenta solução sustentável para a pós-colheita de uva e manga, reduzindo perdas e fortalecendo a bioeconomia regional.

A fruticultura brasileira acaba de ganhar um aliado estratégico vindo diretamente da biodiversidade nacional. Pesquisas conduzidas pela Embrapa Semiárido demonstram que o óleo do Cerrado contra fungos, extraído da Lippia grata (conhecida como alecrim-do-mato), possui uma eficácia sem precedentes no combate a patógenos que dizimam colheitas de manga e uva.

O avanço promete reduzir o uso de defensivos químicos sintéticos, elevando o padrão de sustentabilidade das exportações brasileiras.

O poder do alecrim-do-mato na bioeconomia

Diferente de outras 25 espécies testadas desde 2009, o alecrim-do-mato se destacou por uma composição química agressiva contra microrganismos, mas segura para o consumo humano. Os cientistas identificaram que este óleo do Cerrado contra fungos age com precisão contra vilões do campo como Lasiodiplodia e Aspergillus, que causam podridões severas em frutas de alto valor agregado.

De acordo com a pesquisadora Ana Valéria Vieira de Souza, da Embrapa Semiárido, a planta não é apenas uma descoberta biológica, mas a base de uma nova estrutura tecnológica. O projeto abrange desde o desenvolvimento de mudas padronizadas até métodos de extração que preservam os princípios ativos voláteis da espécie, garantindo que o produto final mantenha sua potência fungicida.

Tecnologia de aplicação: O trunfo da volatilidade

Um dos pontos mais inovadores da pesquisa reside na forma de aplicação. O pesquisador Pedro Martins explica que o óleo do Cerrado contra fungos possui uma capacidade de ação por vapor. Isso significa que, em culturas sensíveis como a uva — que não pode ser umedecida no pós-colheita sob risco de perder qualidade —, o óleo consegue paralisar o crescimento de fungos apenas pela liberação de seus compostos no ambiente de armazenamento.

Para potencializar essa característica, a Embrapa está desenvolvendo:

  • Nanoformulações: Que aumentam a estabilidade do óleo frente à luz e ao calor.
  • Revestimentos Biológicos: Capas invisíveis para mangas que prolongam a vida útil da fruta nas prateleiras (shelf-life).
  • Bioinsumos de Larga Escala: Transformação do extrato bruto em um produto comercial viável para grandes produtores e agricultura familiar.

Sustentabilidade e inclusão no Semiárido

Além da eficácia técnica, o projeto carrega um forte pilar social. A transição para sistemas agroecológicos já está em curso, integrando famílias agricultoras na cadeia produtiva do alecrim-do-mato. Através de parcerias de inovação aberta, como a firmada com a empresa Bio Assets, a Embrapa pretende converter a riqueza da Caatinga e do Cerrado em renda real para as comunidades locais, consolidando o Brasil como líder em soluções de base biológica.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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