Tecnologia inédita da Embrapa supera a tradicional “braquiarinha” ao oferecer até 40% mais forragem no período seco, garantindo ganho de peso superior e eficiência máxima para sistemas de integração
A pecuária brasileira acaba de ganhar uma ferramenta tecnológica que promete transformar o manejo em solos desafiadores e elevar a lucratividade no campo. A Embrapa, em parceria estratégica com a Unipasto, anunciou o lançamento oficial da BRS Carinás, a primeira cultivar de Brachiaria decumbens totalmente desenvolvida no Brasil.
Com foco em produtividade e alta adaptação ao bioma Cerrado, a novidade chega ao mercado para superar a tradicional Basilisk, oferecendo maior suporte animal e eficiência sem precedentes em sistemas integrados.
BRS Carinás e o salto de produtividade no pasto brasileiro
Diferente da antiga “braquiarinha”, que dominou o cenário por décadas apesar de limitações produtivas, a BRS Carinás foi selecionada para responder com vigor em solos de baixa fertilidade. De acordo com dados técnicos da Embrapa, a cultivar é capaz de produzir até 16 toneladas de matéria seca por hectare ao ano.
O grande diferencial, no entanto, reside na sua morfologia: a planta apresenta uma maior proporção de folhas, garantindo uma dieta muito mais nutritiva para o gado. Além disso, sua resiliência em solos ácidos e com baixo teor de fósforo a torna a opção ideal para a reforma de pastagens degradadas em áreas extensivas.
Ganho de peso 12% superior e resistência ao período seco
Um dos maiores gargalos do produtor é a falta de alimento no período de estiagem. Nesse cenário, a BRS Carinás se destaca como um ativo estratégico. O pesquisador Sanzio Barrios, da Embrapa Gado de Corte, explica que a cultivar possui um desempenho excepcional durante a seca.
“Ela pode ser vedada no fim do verão e utilizada estrategicamente na seca, garantindo oferta de forragem em um momento crítico”, destaca Barrios.
Ensaios de campo mostram que, quando vedada para uso na entressafra, a BRS Carinás produz até 40% mais massa de forragem do que a Basilisk. Na ponta do lápis, isso se traduz em um ganho de peso por hectare 12% superior, otimizando o giro do rebanho sem a necessidade de alterar o manejo padrão da fazenda.
O impacto da BRS Carinás na Integração Lavoura-Pecuária (ILP)
Para produtores que buscam diversificação e sustentabilidade, a nova cultivar é um divisor de águas nos sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP). Em testes realizados em consórcio com o milho, a forrageira demonstrou um estabelecimento rápido e eficiente, sem competir ou reduzir a produtividade da lavoura de grãos.
Os benefícios para o sistema são variados:
- Entressafra turbinada: Produção de forragem até 70% superior às espécies comuns.
- Economia com fertilizantes: No consórcio com a soja, a ciclagem de nutrientes pela palhada reduz custos operacionais.
- Proteção do solo: A rebrota acelerada e o alto volume de palha favorecem o plantio direto e a conservação hídrica.
Sustentabilidade e o fim da era Basilisk
Até então, a Basilisk era a única opção de sua espécie disponível no país, sofrendo constantemente com o ataque de pragas como as cigarrinhas. A chegada da BRS Carinás preenche esse vácuo tecnológico com uma planta de porte ereto e resistente ao acamamento.
Com potencial de expansão para outros biomas brasileiros e países da América Latina, a nova braquiária da Embrapa sinaliza uma nova era para a pecuária intensiva: mais carne por hectare, solo protegido e máxima eficiência produtiva.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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