Sentença de 16 anos de reclusão e reparação de R$ 25 milhões encerram esquema de fraudes que vitimou 120 produtores no Paraná; empresário do ramo de cereais usava silos de fachada para desviar safras de soja e trigo
A Justiça do Paraná proferiu, em abril de 2026, uma sentença histórica para o setor produtivo do Oeste catarinense e paranaense. O empresário do ramo de cereais, Celso Antônio Fruet, de 72 anos, foi condenado a 16 anos, 10 meses e 15 dias de prisão em regime inicial fechado. A decisão encerra o processo sobre um esquema de estelionato que vitimou cerca de 120 famílias em Campo Bonito (PR), acumulando um prejuízo que ultrapassa os R$ 23,8 milhões apenas em indenizações diretas.
O réu, que era proprietário da Cerealista Fruet, estava preso preventivamente desde novembro de 2025, após ser localizado pela Polícia Civil em Francisco Beltrão. Além da reclusão, o empresário do ramo de cereais terá de arcar com uma multa de 592 salários mínimos, elevando a conta total devida à sociedade e às vítimas para quase R$ 25 milhões.
A estratégia de “preço prêmio” do empresário do ramo de cereais
As investigações da Polícia Civil de Guaraniaçu revelaram um mecanismo de captação agressivo para atrair as vítimas. O empresário do ramo de cereais utilizava a credibilidade de 30 anos no mercado para oferecer valores acima da média das cooperativas. Se o preço de mercado da saca de soja estava em R$ 100, Fruet oferecia entre R$ 104 e R$ 105.
Esse “ganho extra” servia de isca para que os produtores entregassem suas safras de soja, milho e trigo para armazenamento. Contudo, em junho de 2024, Fruet vendeu secretamente sua estrutura física para uma cooperativa local e, mesmo sem a posse dos silos, continuou recebendo grãos e vendendo-os sem repassar um centavo aos agricultores. O lucro ilícito estimado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) é de R$ 20,3 milhões.
O perfil do empresário do ramo de cereais
O caso ganha contornos de revolta ao analisar o comportamento do réu. Enquanto agricultores relatavam a perda de economias destinadas a tratamentos médicos críticos — como o caso de uma família que perdeu R$ 38 mil reservados para cuidar de um idoso com Alzheimer — o empresário do ramo de cereais ostentava carros de luxo, fazendas e cavalos de raça nas redes sociais.
A promotora Ana Carolina Lacerda Schneider destacou que Fruet manteve gastos elevados em clínicas de estética, lazer e tecnologia mesmo durante os quatro meses em que esteve foragido. O histórico criminal do acusado também pesou: ele já havia sido investigado por golpes idênticos nas cidades de Capanema e Virmond, evidenciando um padrão de comportamento predatório no agronegócio.
Consequências jurídicas e ressarcimento no agronegócio
A sentença de 2026 é um marco na luta contra o estelionato rural. Ao todo, foram contabilizados 126 crimes de estelionato, sendo 38 deles agravados por serem praticados contra idosos. O empresário do ramo de cereais teve o direito de recorrer em liberdade negado, visando garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.
Para o setor de grãos, o desfecho serve como alerta sobre a necessidade de auditorias constantes em parcerias de armazenamento. A justiça determinou que os bens remanescentes e os valores recuperados sejam priorizados para o pagamento das indenizações, embora o rombo financeiro nas famílias de Campo Bonito ainda deixe cicatrizes profundas na economia local.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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