Rio Bananal e Linhares entram na lista de cidades com mais de 300mm de chuva. Produtores de café temem doenças e perdas. Veja lista.
O cenário é de alerta vermelho para o agronegócio capixaba nesta quinta-feira (22). O último balanço da Defesa Civil confirmou que o estado possui cidades com mais de 300mm de chuva acumulados em 24 horas, atingindo em cheio o “coração” da produção de café no Espírito Santo. Além do risco geológico para a população, o volume excessivo de água ameaça a sanidade das lavouras e a logística de escoamento, gerando temor de quebra de produtividade entre os produtores.
A instabilidade causada pela Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) castigou principalmente o Norte e o Noroeste do estado, regiões estratégicas para a safra de café Conilon.
O impacto nas lavouras de Café: Rio Bananal e Linhares
A preocupação dos produtores se justifica pelos números. As duas cidades com mais de 300mm de chuva no topo do ranking estadual são polos agrícolas vitais: Rio Bananal (310 mm) e Linhares (301 mm).
Segundo relatos preliminares de sindicatos rurais e produtores locais, o excesso hídrico traz três prejuízos imediatos para a cafeicultura:
- Queda de grãos e doenças: O volume intenso “lava” os cafezais, derrubando frutos em formação (chumbinho/granação) e criando um ambiente propício para a proliferação de fungos devido à alta umidade.
- Erosão do solo: A força da água em áreas de declive, comuns em Rio Bananal, arrasta nutrientes essenciais, exigindo novos investimentos em adubação por parte do produtor.
- Logística travada: As estradas vicinais estão intransitáveis. Sem acesso, o manejo diário das lavouras fica impossível, e insumos não chegam às propriedades.
Veja onde a chuva impactou a produção (Acumulados 24h):
- Rio Bananal: 310 mm (Polo de Café)
- Linhares: 301 mm (Polo de Café/Fruticultura)
- Sooretama: 179 mm
- Ibitirama: 165 mm
- Afonso Cláudio: 125 mm
- Aracruz: 125 mm
- Santa Maria de Jetibá: 116 mm
- Divino de São Lourenço: 114 mm
Tragédia e infraestrutura
Além do drama no campo, a chuva cobrou um preço alto em vidas. Na zona rural de Rio Bananal, na região da Lagoa Jesuína — área de forte atividade agrícola —, uma residência não suportou a saturação do solo e desabou. Bombeiros resgataram dois adultos, mas uma criança de 10 anos faleceu soterrada. Equipes do Centro de Resposta em Desastres (Cerd) utilizam aeronaves para chegar a comunidades rurais que ficaram isoladas, onde produtores e famílias estão ilhados.
Previsão e orientação ao produtor
A meteorologia indica que as chuvas perdem força nesta quinta-feira (22), mas o solo das cidades com mais de 300mm de chuva continua instável. A orientação da Defesa Civil e de técnicos agrícolas é evitar o tráfego de máquinas pesadas em estradas de terra encharcadas para prevenir acidentes e atolamentos. O monitoramento de pragas nas lavouras deve ser intensificado assim que as chuvas cessarem.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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