Estiagem na soja 25/26: chuvas iniciais iludiram, mas a seca no enchimento dos grãos ameaça

Com a safra comprometida no enchimento dos grãos, especialista orienta sobre a necessidade de documentar as perdas para prorrogar financiamentos bancários e proteger o patrimônio rural.

O escritório CH Advogados, reconhecido por sua atuação nacional em defesa de produtores rurais com endividamento bancário, através do advogado especialista Carlos Henrique Rodrigues Pinto, acende um alerta importante para o setor agrícola.

Muitos produtores rurais observaram, com otimismo, o desenvolvimento vigoroso das lavouras de soja no início da safra 25/26, impulsionadas pelas chuvas abundantes de outubro, novembro e dezembro. A expectativa de uma produtividade recorde se fortalecia, oferecendo uma esperança de recuperação após anos desafiadores.

No entanto, o cenário atual de janeiro de 2026 traz uma preocupação crescente. Justamente no período mais crítico para a definição da produtividade da soja – o enchimento dos grãos – grande parte das regiões produtoras do país enfrenta uma estiagem prolongada, com mais de 15 ou 20 dias sem chuvas significativas, acompanhada de ondas de calor acima do normal para a época. Este cenário ameaça drasticamente as projeções iniciais e pode resultar em uma quebra de safra.

O Momento Decisivo: Enchimento dos Grãos (Estágios R5 e R6)

A planta de soja passa por diversas fases de desenvolvimento, e cada uma delas exige condições específicas. Após a fase de crescimento vegetativo e floração, a soja entra nos estágios reprodutivos conhecidos como R5 (início do enchimento dos grãos) e R6 (grão cheio). É neste período que a planta direciona a maior parte de sua energia e nutrientes para formar e “engordar” os grãos dentro das vagens. A ausência de umidade adequada e as altas temperaturas nesta fase são extremamente prejudiciais.

Mesmo que as plantas tenham se desenvolvido bem e estejam grandes e viçosas devido às chuvas iniciais, a falta d’água no momento crucial do enchimento dos grãos impede o desenvolvimento pleno. Os grãos ficam menores, mais leves, e a planta pode abortar vagens ou até mesmo morrer em casos extremos. Isso significa que, independentemente da aparência inicial da lavoura, a produtividade final será severamente afetada.

O Histórico de Quebras de Safra e a Necessidade de Ação Imediata

Produtores rurais brasileiros vêm enfrentando sucessivas quebras de safra nos últimos anos, acumulando prejuízos e endividamento. A expectativa de uma safra promissora em 25/26, que poderia aliviar parte dessa pressão, corre o risco de ser mais uma frustração.

Conforme observado por um produtor do norte do Paraná, “A gente investe, se dedica, e quando vê, o clima leva tudo. A gente fica de mãos atadas, e o banco não quer saber”. Essa fala reflete a angústia de muitos que, diante da adversidade climática, se veem sem saída.

No entanto, o especialista Carlos Henrique Rodrigues Pinto enfatiza que os produtores não estão desamparados. É fundamental agir preventivamente e de forma estratégica.

Documentar as Perdas: Uma Ferramenta Essencial

Para os produtores que possuem contratos de custeio e investimento bancários, é crucial iniciar imediatamente o registro das possíveis perdas na lavoura. A documentação neste momento, enquanto a lavoura ainda sofre com a estiagem, é uma prova irrefutável do impacto do clima adverso.

Por que documentar agora?

Todos os financiamentos rurais no Brasil são regidos pelo Manual de Crédito Rural (MCR), editado pelo Banco Central. Este manual prevê mecanismos de proteção ao produtor em situações de frustração de safra por fatores climáticos. Embora o banco tenha a prerrogativa de fiscalizar as lavouras financiadas, é de extremo interesse do produtor rural comprovar a quebra de sua receita.

Como fazer essa documentação?

  1. Laudo Agronômico: Contratar um engenheiro agrônomo para realizar uma visita técnica à propriedade. O profissional deverá elaborar um laudo detalhado, descrevendo as condições atuais da lavoura, o impacto da estiagem e uma estimativa de perda de produtividade.
  2. Registros Visuais: Coletar fotos e vídeos da lavoura com informações de geolocalização e data. Esses registros visuais são evidências concretas do sofrimento das plantas e das condições do solo.
  3. Monitoramento Contínuo: Se a estiagem persistir ou piorar, recomenda-se realizar novos registros. Um segundo laudo agronômico na fase da colheita poderá consolidar a comprovação da quebra da safra e seus impactos financeiros.

Prorrogação de Dívidas: Um Direito do Produtor – diga NÃO a renegociação

O objetivo principal dessa documentação é embasar o pedido de prorrogação dos vencimentos junto às instituições financeiras. É vital que o produtor rural compreenda a diferença entre prorrogação e renegociação.

  • Prorrogação: Conforme previsto no MCR, a prorrogação é um direito do produtor em casos de frustração de safra por eventos climáticos adversos. Ela altera o prazo de pagamento da dívida, concedendo um fôlego financeiro para que o produtor se recupere sem acréscimo de juros, multas ou exigência de novas garantias. O banco, ao conceder crédito rural, assume o risco da atividade junto com o produtor.
  • Renegociação: Diferentemente da prorrogação, a renegociação é uma nova pactuação da dívida, geralmente oferecida pelo banco quando o prazo de pagamento já foi vencido. Nesses casos, o produtor frequentemente se encontra em desvantagem, podendo arcar com novos juros, custos adicionais, e até ser compelido a oferecer novas garantias, o que pode agravar sua situação de endividamento.

Se eu soubesse disso nas safras passadas, não teria precisado colocar minha propriedade em garantia no Banco e teria prorrogado. O gerente só me ofereceu renegociação, e eu acabei perdendo muito dinheiro”, lamentou um produtor do Sul do estado de São Paulo.

A força da antecipação

A equipe da CH Advogados ressalta a importância de não deixar para a última hora. Notificar o banco com a documentação da quebra de safra e requerer a prorrogação dos vencimentos antes que a dívida vença é uma estratégia poderosa. Os gerentes bancários, muitas vezes, não instruem os clientes sobre o direito à prorrogação, focando em soluções que podem ser menos vantajosas para o produtor.

Esta é uma informação valiosíssima. Muitos produtores que enfrentaram safras ruins poderiam ter evitado o agravamento do endividamento, protegido suas propriedades e conseguido pagar seus compromissos com mais tranquilidade se tivessem atuado proativamente e com a documentação adequada.

Produtor rural, não espere a colheita para buscar soluções. O clima seco está castigando a soja, e a produtividade será impactada. Proteja seu investimento, sua lavoura e seu futuro. Busque a orientação de um especialista e faça valer seus direitos, garantindo que o risco da atividade seja compartilhado, conforme previsto nas regras do crédito rural.

Conheça de perto o trabalho do CH Advogados ou fale diretamente pelo WhatsApp.

Confira outras vitórias na justiça do escritório:

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias

Não é permitida a cópia integral do conteúdo acima. A reprodução parcial é autorizada apenas na forma de citação e com link para o conteúdo na íntegra. Plágio é crime de acordo com a Lei 9610/98.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM