EUA fecham acordo que amplia o acesso da carne bovina na Indonésia; o que muda?

Novo pacto comercial garante isenção tarifária para a carne bovina norte-americana e prevê compra mínima anual de 50 mil toneladas pelo mercado halal indonésio

Os Estados Unidos e a Indonésia concluíram um acordo comercial que amplia de forma significativa o acesso da carne bovina norte-americana a um dos maiores mercados consumidores de proteína halal do mundo, informa o portal australiano Beef Central . A medida é considerada estratégica para o setor pecuário dos EUA e pode redesenhar o fluxo global de comércio de carne bovina nos próximos anos.

O entendimento entre os dois países envolve concessões tarifárias amplas e compromissos bilaterais que vão além da carne bovina, abrangendo diversos produtos agrícolas e industriais. No centro do acordo, porém, está a abertura do mercado indonésio ao produto norte-americano, que historicamente enfrentava barreiras comerciais relevantes.

Eliminação de tarifas e abertura de mercado

De acordo com a reportagem citada pelo Beef Central , a Indonésia concordou em eliminar barreiras tarifárias sobre mais de 99% das exportações dos Estados Unidos, incluindo produtos do agronegócio. Paralelamente, o país asiático se comprometeu a adquirir bilhões de dólares em mercadorias norte-americanas como parte do arranjo comercial.

Em contrapartida, os Estados Unidos manterão uma tarifa de 19% sobre a maioria das importações provenientes da Indonésia, percentual inferior aos 32% que eram praticados anteriormente. A redução representa um gesto de acomodação tarifária dentro do novo desenho bilateral.

O acordo deverá entrar em vigor dentro de aproximadamente 90 dias, dependendo do cumprimento dos trâmites legais e administrativos internos de ambos os países .

Impacto direto para a pecuária dos EUA

Para o setor pecuário norte-americano, o principal avanço é a obtenção de acesso isento de impostos para a carne bovina exportada à Indonésia, mercado onde o produto dos EUA enfrentava obstáculos tarifários e não tarifários considerados relevantes .

A Associação Nacional de Pecuaristas dos Estados Unidos (NCBA, na sigla em inglês) informou que a Indonésia assumiu o compromisso de importar ao menos 50 mil toneladas de carne bovina norte-americana por ano . O volume representa uma oportunidade concreta de expansão para os frigoríficos e produtores dos EUA, especialmente diante da crescente demanda por proteína halal.

O presidente da NCBA, Gene Copenhaver, destacou que o acordo abre as portas da quarta nação mais populosa do mundo e do maior mercado global de carne bovina halal . Segundo ele, somado ao recente acordo comercial firmado com Taiwan na semana anterior, o novo pacto amplia o acesso dos pecuaristas norte-americanos a mercados internacionais em um patamar não visto há décadas .

Estados Unidos e a Indonésia: Desafios internos e perspectiva de competitividade

Apesar da conquista comercial, o setor enfrenta um desafio estrutural: os Estados Unidos vivem atualmente uma escassez histórica de rebanho, o que limita o volume disponível para exportação no curto prazo . Mesmo assim, a avaliação é de que o acordo fortalece a presença competitiva dos EUA na Indonésia no médio e longo prazo.

A análise publicada pelo Beef Central ressalta que, ainda que o fornecimento esteja pressionado no presente, o movimento sinaliza uma estratégia clara de posicionamento internacional, preparando o terreno para uma expansão futura das exportações quando a recomposição do rebanho permitir maior oferta .

Relevância estratégica no mercado halal

A Indonésia é reconhecida como um dos principais mercados de proteína halal do planeta, condição que impõe exigências específicas de certificação e rastreabilidade. Ao garantir acesso ampliado e isenção tarifária, os Estados Unidos passam a disputar espaço de forma mais agressiva em um mercado tradicionalmente competitivo.

Para o comércio internacional de carne bovina, o acordo reforça uma tendência de rearranjo geopolítico e comercial no setor de proteínas, com países buscando consolidar presença em mercados estratégicos da Ásia, região que concentra boa parte do crescimento da demanda global.

A consolidação desse novo canal comercial entre Washington e Jacarta pode ter reflexos indiretos sobre outros exportadores globais, ao alterar dinâmicas de oferta, preços e participação de mercado nos próximos ciclos.

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