Lusimar Ramos trocou a rotina urbana pela lida no campo em Mirassol d’Oeste; com gestão técnica e manejo nutricional, ela quase dobrou a captação diária da fazenda.
A trajetória de Lusimar Francelina Ramos da Silva é a prova de que nunca é tarde para uma reinvenção profissional completa. Durante duas décadas e meia, ela foi sinônimo de corte e costura em Mirassol d’Oeste (MT), enfrentando jornadas exaustivas que iam até a madrugada. Hoje, as tesouras ficaram no passado: Lusimar é um destaque regional na produção de leite, comandando a Estância Bom Fluído com a mesma dedicação que tinha no ateliê.
A virada de chave aconteceu em 2019, motivada pelo desejo de desacelerar. Buscando a tranquilidade que a casa cheia na cidade não permitia, ela vendeu seus imóveis urbanos no início da pandemia e adquiriu a propriedade rural de 24 hectares. Segundo reportagem veiculada pelo Canal Rural Mato Grosso, a produtora iniciou a atividade sem nenhuma experiência prévia, movida apenas pela coragem e pelas dicas informais dos vizinhos, superando até mesmo o medo inicial do contato com os animais.
A técnica impulsionando a produção de leite
O que começou como um refúgio de paz logo se tornou um negócio sério. Para profissionalizar a atividade e garantir rentabilidade na produção de leite, Lusimar buscou suporte especializado. A propriedade foi integrada ao programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-MT, focado na bovinocultura leiteira.
A intervenção técnica transformou a rotina da Estância Bom Fluído. O plano de gestão incluiu:
- Manejo de pastagem: Adoção de piquetes rotacionados para melhor aproveitamento do capim.
- Controle de invasoras: Limpeza estratégica da área para fortalecer o pasto.
- Nutrição alternativa: Introdução do Capim Capiaçu na dieta do rebanho, reduzindo custos com milho.
Nutrição de precisão e resultados

O grande salto produtivo veio com o ajuste fino na alimentação. Sob orientação da técnica de campo Gisele Zavariz Brito, o rebanho foi segmentado. A estratégia baseia-se nos Dias em Lactação (DEL), garantindo que vacas recém-paridas recebam uma dieta diferente daquelas em estágio avançado de lactação.
Os números validam a estratégia: a produção de leite da propriedade saltou de uma média de 300 litros para mais de 500 litros diários.
Genética: O próximo passo
Com a casa arrumada e a produtividade em alta, o foco agora é a qualidade genética. A propriedade também aderiu à ATeG de Inseminação, visando elevar o padrão do rebanho e a qualidade dos sólidos do leite entregue ao laticínio.
O objetivo de Lusimar é claro: tornar-se a maior referência feminina do estado no setor. O sonho, que começou com medo e incerteza, agora é projetado com confiança: ter um curral cheio de matrizes de alta linhagem, colhendo no campo o mesmo reconhecimento que um dia teve na cidade.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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