Após recorde histórico em 2025, embarques seguem fortes no início do ano, impulsionados por janeiro; queda em fevereiro e riscos logísticos entram no radar do setor
O mercado brasileiro de exportação de gado vivo iniciou 2026 em ritmo acelerado, consolidando uma tendência de crescimento observada nos últimos anos. Logo no primeiro bimestre, o país já embarcou 220,3 mil cabeças, resultado que representa um avanço expressivo frente ao mesmo período de 2025 e reforça a força da demanda internacional pela pecuária brasileira.
Esse desempenho ocorre na esteira de um marco histórico: em 2025, o Brasil exportou 1,05 milhão de bovinos vivos, o maior volume já registrado, superando inclusive o resultado de 2024, que até então era o melhor da série.
Exportação de gado vivo tem crescimento puxado por janeiro recorde
De acordo com análise da Scot Consultoria, com base em dados da Comex, o bom desempenho de 2026 foi sustentado principalmente pelo mês de janeiro.
Somente em janeiro, foram embarcadas 169,5 mil cabeças, o maior volume já registrado em um único mês na história das exportações brasileiras de gado vivo.
Esse volume elevou significativamente a média do período e garantiu que o primeiro bimestre fechasse com crescimento de 44,9% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, evidenciando a forte demanda internacional, especialmente de países do Oriente Médio e Norte da África.

Fevereiro recua e acende sinal de atenção
Apesar do bom início de ano, o desempenho de fevereiro trouxe um contraponto importante.
Foram exportadas 50,7 mil cabeças no mês, número que representa uma queda de 27,3% na comparação anual.
Esse recuo não compromete o resultado acumulado, mas serve como alerta para o setor, principalmente diante de fatores externos que podem impactar a logística e os custos das operações ao longo do ano.
O crescimento nas exportações também se refletiu no faturamento.
Conforme dados apresentados pela Scot (com base na Comex), as receitas vêm aumentando de forma consistente ao longo dos anos, acompanhando o avanço dos volumes embarcados.
O gráfico apresentado na análise mostra que 2025 também foi destaque em termos de receita, consolidando o Brasil como um dos principais players globais nesse mercado.
Pará lidera e consolida protagonismo
No recorte por estados, o Pará manteve a liderança nas exportações em fevereiro.
O estado respondeu por 49,2% dos embarques, com cerca de 27,1 mil cabeças exportadas, reforçando sua posição estratégica no escoamento de gado vivo.
Na sequência aparecem:
- Rio Grande do Sul: 17,6 mil cabeças
- Mato Grosso: 1,1 mil cabeças
- Roraima: 50 cabeças
Além disso, 4,7 mil cabeças foram registradas como origem não declarada, segundo dados oficiais.
Oriente Médio segue como principal destino da exportação de gado vivo
A demanda internacional segue concentrada em mercados tradicionais.
Em fevereiro, os principais compradores foram:
- Egito: 41,7% das compras
- Turquia: 34,4%
- Iraque: 12,1%
- Marrocos: 5,5%
- Líbano: 4,2%
- Argélia: 2,2%
- Guiana: 0,1%
Esse cenário reforça a forte dependência de mercados do Oriente Médio e Norte da África, o que, ao mesmo tempo, sustenta o crescimento e aumenta a exposição a riscos geopolíticos.
Frete e conflitos podem impactar 2026
Apesar da perspectiva positiva para o restante do ano, há pontos de atenção relevantes.
Segundo a análise da Scot Consultoria, o custo do frete e possíveis alterações nas rotas marítimas podem impactar o desempenho das exportações.
Isso ocorre porque:
- Os principais compradores estão concentrados no Oriente Médio
- Conflitos na região podem alongar rotas e encarecer o transporte
- A logística se torna um fator decisivo para a competitividade
Mercado segue firme, mas com olhar atento
O cenário para 2026 ainda é de otimismo, sustentado pela forte demanda externa e pela competitividade da pecuária brasileira.
No entanto, o recuo de fevereiro, somado aos riscos logísticos e geopolíticos, indica que o setor deve manter cautela ao longo do ano.
A tendência, segundo especialistas, é de continuidade dos embarques em níveis elevados — mas com maior sensibilidade a fatores externos, especialmente custos operacionais e estabilidade das rotas comerciais.
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