Embarques de carne bovina brasileira in natura avançam 28,6% e registram recorde histórico para o mês; mesmo sob medidas de salvaguarda, China amplia compras e responde por mais da metade da receita brasileira.
O ano de 2026 começou com um forte sinal de aquecimento para a pecuária brasileira voltada ao mercado internacional. As exportações de carne bovina in natura — que incluem cortes congelados, frescos e resfriados — alcançaram um dos melhores desempenhos já registrados para um mês de janeiro, reforçando o protagonismo do Brasil como maior fornecedor global da proteína.
Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pelo Compre Rural mostram que o país embarcou 231,8 mil toneladas da proteína no primeiro mês do ano, volume 28,6% superior ao registrado em janeiro de 2025. Em faturamento, o salto foi ainda mais expressivo: US$ 1,292 bilhão, uma alta anual de 42,5% — configurando um novo recorde histórico para o período.
Esse desempenho não apenas confirma a força da demanda internacional pela carne brasileira, como também evidencia um cenário de preços mais firmes e maior valorização do produto no exterior.
Outro fator determinante para o avanço da receita foi a valorização da tonelada exportada. O preço médio da carne bovina brasileira ficou em US$ 5.573,2 por tonelada, representando crescimento de 10,8% frente aos US$ 5.028,9/t observados no mesmo mês do ano anterior.
Na prática, o indicador revela que o Brasil não apenas vendeu mais — vendeu melhor, com maior captura de valor por tonelada, cenário que tende a melhorar as margens da cadeia produtiva, especialmente para frigoríficos exportadores e, indiretamente, para o pecuarista.
Volume total do setor também quebra recorde
Quando se considera o desempenho completo das exportações — incluindo industrializados e miudezas — o resultado também impressiona.
Levantamento da consultoria Agrifatto aponta que o Brasil exportou 272,17 mil toneladas em janeiro de 2026. Apesar de uma queda mensal de 24,16%, o movimento é considerado típico após o pico sazonal de dezembro, quando os embarques costumam acelerar.
Ainda assim, o número representa o maior volume já exportado para um mês de janeiro, superando em 23,55% o antigo recorde, registrado em 2025.
Os preços permaneceram sustentados no mercado internacional. O valor médio da tonelada avançou 0,25% na comparação mensal, chegando a US$ 5.188,52, o que elevou a receita total do setor para US$ 1,41 bilhão — 39,20% acima do apurado no mesmo período do ano passado.
China ignora barreiras e amplia compras
O grande destaque do mês foi novamente a China. Mesmo com o início das medidas de salvaguarda impostas pelo governo chinês em 1º de janeiro, que incluem cotas e tarifas adicionais a diversos fornecedores, o país asiático ampliou significativamente suas aquisições da proteína brasileira.
Segundo dados da Secex compilados pela Agrifatto, o Brasil exportou 119,93 mil toneladas de carne bovina in natura para o mercado chinês em janeiro — um avanço de 31,53% na comparação anual.
Em receita, os embarques somaram US$ 650,1 milhões, crescimento de 44,8% sobre janeiro de 2025 — um incremento de US$ 202,1 milhões.
Com isso, a China respondeu por 50,3% de toda a receita brasileira com carne bovina in natura no mês, consolidando-se, mais uma vez, como o principal motor das exportações do setor.
O desempenho reforça a dependência estratégica desse mercado, mas também demonstra a competitividade da carne brasileira mesmo diante de tentativas de proteção comercial.
Um mercado bilionário — e cada vez mais estratégico
O avanço observado em janeiro não é um evento isolado. Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina in natura para a China renderam US$ 8,8 bilhões, valor US$ 2,9 bilhões superior ao faturamento de 2024 — uma expansão de 47,9%.
Na prática, o gigante asiático já representa um mercado próximo de US$ 10 bilhões anuais para a proteína brasileira, patamar que transforma qualquer oscilação na demanda chinesa em um fator determinante para o equilíbrio do boi gordo e para a formação de preços no país.
O que explica o avanço das exportações
Entre os principais vetores por trás do crescimento estão:
- Oferta global mais ajustada, com alguns concorrentes enfrentando redução de rebanhos;
- Câmbio ainda favorável às exportações;
- Demanda asiática resiliente, mesmo com políticas de proteção;
- Reputação sanitária e capacidade produtiva do Brasil;
- Escala industrial competitiva, permitindo atender grandes volumes.
Para o pecuarista brasileiro, o cenário reforça uma tendência clara: o mercado externo segue como a principal âncora de sustentação dos preços da arroba, especialmente em momentos de maior consumo global.
Exportações de carne bovina brasileira: Perspectiva para 2026
Se o ritmo observado em janeiro se mantiver, o Brasil pode caminhar para mais um ano histórico nas exportações de carne bovina. A combinação entre preços firmes e demanda consistente sugere um ambiente positivo para toda a cadeia. Por outro lado, especialistas alertam que a forte concentração na China exige atenção estratégica — tanto na diversificação de destinos quanto na manutenção dos padrões sanitários e comerciais.
Ainda assim, o início do ano deixa uma mensagem clara ao setor: a carne bovina brasileira continua altamente desejada no mercado internacional — e cada vez mais valorizada.
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